A muleta da lei
Reserva de mercado para o cinema nacional
cai
de 49 para 28 dias por ano. Mas ainda
é muito
Divulgação
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Bossa
Nova:
filme bom
não precisa de
cota de exibição
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A lei criada em 1992 que obriga os cinemas brasileiros
a exibir filmes nacionais durante um determinado número
de dias por ano é uma peça de ficção.
O governo finge que está de olho, fixando todos os
anos uma cota. Os exibidores fingem que acatam. No final,
todo mundo faz o que quer e ninguém é punido.
Ainda bem. Afinal de contas, é um absurdo autoritário
obrigar o público a assistir ao que ele não
quer. Neste ano, o governo resolveu fazer diferente. Em
vez de determinar arbitrariamente a cota para filmes nacionais,
como vinha fazendo, nomeou uma comissão formada por
cineastas e exibidores. Chegou-se a um consenso: 28 dias
para cada sala de projeção. Há também
uma tabela para os cinemas do tipo "multiplex" quem
tem mais de uma sala ganha um "desconto progressivo" nesse
número. A idéia é incentivar os exibidores
a cumprir a lei. A cota deste ano é bem menor que
a do ano passado (49 dias). Esta é a boa notícia.
A ruim é que a lei continua existindo e ela é,
em si, um atentado à liberdade. "Melhorou mas não
é o ideal, pois somos obrigados a exibir obras de
pouco apelo e acabaremos tendo prejuízo", lamenta
Valmir Fernandes, presidente da rede Cinemark.
Com raras exceções, cinema brasileiro é
sinônimo de falta de quantidade e de qualidade. No
ano passado, estrearam apenas 27 filmes nacionais. A maior
parte deles era tão ruim quanto Paixão
Perdida, de Walter Hugo Khouri, que ficou 21 dias em
cartaz e foi visto por apenas 3.300
desavisados. Obrigar o público a assistir a porcarias
como O Guarani filme pelo qual a diretora
Norma Bengell está sendo investigada por desvio de
dinheiro público é um absurdo tão
grande quanto seria impor que se lessem nas escolas os artigos
idiotas do surfista quarentão Paulo Lima. Quando
um filme nacional cai no gosto do público, ele não
precisa ser empurrado goela abaixo. Bossa Nova, de
Bruno Barreto, já foi visto por 500.000
pessoas e arrecadou 3,1 milhões de reais nas bilheterias.
Produções brasileiras que têm demanda
de mercado, como as de Xuxa, ou qualidade artística,
como Central do Brasil, ficam muito mais que 28 dias
em cartaz, sem necessitar da muleta da lei. E os outros?
Seria melhor para os bolsos dos contribuintes e para
a cultura brasileira que nem fossem produzidos.
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