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1- Salvou minha vida
A empresa em que Jorge
Luiz da Silva, de 46 anos, trabalha exige
check-ups anuais. Sedentário
e ex-fumante, ele tentava
evitá-los por achar os compromissos
profissionais mais urgentes.
Neste ano, fez. Ficou sabendo
que tinha uma veia entupida
e duas com obstruções de
mais de 60%. Dez dias depois foi
operado. "O check-up me deu
uma chance de vida."
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2- Mudou minha vida
O empresário
Mauro Terepins, 46, faz check-up anual há seis
anos. Nunca um exame deu alterado. Ele faz ginástica,
mantém uma alimentação balanceada
e controla o peso. Mas, como fuma desde os 16 anos,
o médico sugeriu um exame a mais, a coronariotomografia
ultra-rápida. Ele detectou placa de cálcio
numa das coronárias. Terepins sabe que esse
dado isolado não significa muito, mas assustou-se.
"Parei de fumar. Era o único fator de risco."
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Avanços na tecnologia e diagnósticos
mais apurados transformam os exames médicos preventivos
numa poderosa arma para salvar vidas e evitar doenças
Flávia Varella e
Cristina Poles
Check-up já foi para pessoas doentes. No passado,
quando os médicos se confundiam com um diagnóstico,
submetiam o paciente a uma bateria de exames que o media
dos pés à cabeça. Agora, cada vez mais
pessoas sadias, em geral por volta dos 40 anos, estão
sendo encaminhadas pelas empresas onde trabalham e por seus
médicos para clínicas de check-up. A experiência
tem sido impressionante. Com o avanço das técnicas
de diagnóstico e uma enorme dose de bom senso, os
médicos estão conseguindo detectar doenças
em pessoas que se julgam sadias e pegá-las
quando ainda estão no estágio mínimo
e podem ser combatidas com grande eficiência e uma
chance de cura elevadíssima. Os centros médicos
equiparam-se para oferecer atendimento de qualidade a um
número crescente de indivíduos. Os aparelhos
tornaram-se mais precisos, permitindo dimensionar e localizar
problemas antes que se tornem de fato problemas.
Há uma nova filosofia nas clínicas. A última
palavra em prevenção de doenças é
o chamado "check-up personalizado" ou a medicina baseada
em evidências fornecidas pela conversa disciplinada
do médico com seu paciente. Significa também
analisar exaustivamente o histórico clínico,
os antecedentes familiares e o modo de vida do paciente
antes mesmo de lhe tirar a primeira gota de sangue. Assim,
ele pode ser encaminhado para exames específicos,
mais adequados às suas necessidades que a batelada
a que todo mundo era indiscriminadamente submetido nos check-ups
do passado. O resultado de tudo isso é uma mercadoria
de valor inestimável: maior quantidade de anos de
vida saudável para quem aceita submeter-se a esses
exames com regularidade.
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Doente na gestação,
nasceu saudável
Ricardo Benichio
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Mateus
Martins
Bebê foi salvo
pelo ultra-som antecipado |
Descobrir doenças e curá-las
antes mesmo de a criança nascer até
pouco tempo atrás era coisa de ficção.
Já é realidade também no Brasil.
O pequeno Mateus, hoje com quase 2 anos, foi um dos
pacientes pioneiros dessas técnicas de cirurgia
intra-uterina. Seus pais, Alexandra de Mello Gondariz
e Mauricio Martins, anteciparam a data de uma ultra-sonografia
porque queriam saber logo o sexo do filho primogênito.
O exame indicou que o bebê tinha problemas nos
rins e nos pulmões. Os médicos desconfiaram
que ele não tinha os rins e não sobreviveria.
Com um ultra-som morfológico, ficou constatada
a presença de líquido. A água
no pulmão pressionava o coração
e impedia os outros órgãos de se desenvolver.
O problema foi sanado com duas agulhas
compridas enfiadas pela barriga da mãe até
o bebê. Foram retirados 50 mililitros de líquido
dos pulmões, um copo de água. "Foi aflitivo
ver a agulha furando o nenê e saber do risco
de aborto. Mas hoje nos lembramos daquilo como um
momento sublime, de salvação", conta
o pai. Os médicos analisaram o líquido
amniótico, o do cordão umbilical e o
sangue do feto para saber a causa da anomalia e se
havia outro problema. Não descobriram mais
nada. Com o tratamento, o bebê voltou a se desenvolver.
Desde que nasceu, com mais de 3 quilos e perfeitamente
normal, a única preocupação que
Mateus causa a seus pais são suas peraltices.
No diagnóstico precoce, um
dos maiores avanços da medicina fetal é
o uso do ultra-som morfológico, capaz de identificar
90% das más-formações fetais,
contra 20% dos exames comuns. Outro grande progresso
é o teste de translucência nucal, que
só começou a ser feito com mais freqüência
nos últimos dois anos e indica com muito mais
clareza se há risco de a criança ter
síndrome de Down e outras alterações
cromossômicas. O exame de nome difícil
consiste apenas em medir a nuca do bebê por
meio das imagens de uma ultra-sonografia.
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O check-up talvez seja o único produto da medicina
sem contra-indicações. A consulta regular
com o clínico é, na maioria dos casos, suficiente
para detectar grande parte dos problemas que podem atingir
o adulto jovem. Por jovem entenda-se pessoas com menos de
40 anos. A partir dessa faixa etária, a medicina
preventiva deve ser encarada como um fato da vida, na mesma
categoria dos fios de cabelos grisalhos. Nessa fase, o organismo
começa a ficar sujeito a enfermidades, o stress está
no auge e um check-up anual detalhado torna-se mais urgente.
Fazer um exame para descobrir um problema antes mesmo de
a doença se manifestar não é mero exercício
de adivinhação, nem desperdício de
tecnologia e dinheiro. Muitas vezes é questão
de vida ou morte (veja as tabelas 1
e 2).
Observe-se o que ocorre com os problemas cardíacos,
que tiram 300 000 vidas por ano no Brasil, uma a cada dois
minutos. Considerando-se as causas de morte em todas as
idades, a parada cardíaca é mais mortal ainda
que o câncer, o tiroteio e o atropelamento. Sabe-se
que mesmo ligeiramente alterado o colesterol aumenta o risco
de infarto e de derrame. Há dez anos os médicos
conferem com mais rigor o índice dessa substância
no sangue. Atualmente, não apenas esse exame passou
a ser corriqueiro como ele é também mais preciso,
detalhado, feito com muito mais freqüência. Os
números sobre gorduras no sangue são pesados,
tendo como pano de fundo outros fatores de risco, como a
hipertensão, a glicemia, o sedentarismo e o fumo.
Alguns médicos mais desconfiados pedem exames de
outras substâncias relacionadas ao ataque cardíaco,
como a homocisteína. Sua função ainda
não é bem entendida, mas ela quase sempre
aparece associada a uma disfunção do coração
e pode ser medida pelos laboratórios. Alguns exames
permitem enxergar dentro do coração
e até examinar a integridade do calibre das artérias.
Enfim, ao atendimento preventivo atribui-se hoje a diminuição
de 10% nos ataques cardíacos fatais de homens e mulheres
entre 40 e 59 anos.
A segunda maior causa de mortes por razões naturais
no Brasil é o câncer. Estima-se para este ano
284.000 novos casos e 114.000
mortes. O check-up alcança nessa doença os
resultados mais espetaculares. Um tumor cancerígeno
na próstata dobra de tamanho a cada dois anos e,
nesse curto espaço de tempo, pode sair para fora
da glândula. Diagnosticado em fase inicial, tem chance
de cura que varia de 70% a 90%, conforme o tratamento. Depois
de ter ultrapassado os limites da glândula e se espalhado
pelo corpo, é praticamente incurável. Um homem
que faça exames anuais de toque retal e PSA no sangue
uma proteína indicativa de câncer dificilmente
deixará de ter o diagnóstico a tempo. Só
6% dos casos escapam à combinação dos
dois testes. Há alguns anos o diagnóstico
precoce só podia contar com o toque retal, que não
flagra 30% dos casos. Nesta década, com a disseminação
da mamografia anual, as mortes por câncer de mama
foram reduzidas em 30%. A mamografia de alta definição,
cujo uso se popularizou nesta década, é capaz
de perceber tumores de meio milímetro. Antes, as
imagens borradas das radiografias não permitiam identificar
a maioria dos tumores com menos de 1 centímetro cúbico.
Detectados nessa fase, 90% deles têm possibilidade
de cura. Se ultrapassar 5 centímetros, mata 70% das
pacientes.
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A
doença escondida
no código genético
Omar Paixão
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Exame
de DNA
Testes para o risco
de câncer: mutações
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A ponta-de-lança tecnológica
dos check-ups é o exame dos genes, as microscópicas
sementes protéicas do núcleo das células
em que se decide o futuro biológico das pessoas.
Alguns desses exames já são feitos no
Brasil. Com eles é possível descobrir
certas doenças às quais a pessoa está
biologicamente predisposta. Isso antes mesmo que qualquer
sintoma tenha tido tempo de se manifestar. Muitos
tipos de câncer, por exemplo, estão comprovadamente
associados a alterações em um ou mais
genes. Testes genéticos para identificar propensão
a trombose e câncer de cólon, tireóide,
mama, útero, ovário e próstata
já estão disponíveis. Os exames
custam entre 300 e 1 000 reais e são recomendados
para quem tem histórico familiar da doença
ou a desenvolveu em idade muito precoce. Comprovada
a possibilidade, as medidas de prevenção
são intensificadas e as chances de o paciente
nunca vir a desenvolver a doença aumentam.
Quem tem, por exemplo, mutação no "Fator
V Leiden" corre risco cinco vezes maior de sofrer
trombose, a formação de coágulos
dentro dos vasos sanguíneos que podem levar
a embolia pulmonar e problemas circulatórios
graves. Quando a propensão genética
é constatada, a pessoa deve tomar anticoagulantes
por toda a vida para prevenir a doença. Quem
herdou a predisposição genética
para câncer de cólon tem quase 100% de
probabilidade de desenvolvê-lo e, por isso,
deve submeter-se anualmente a uma endoscopia para
identificar pólipos, pequenas deformações
do tecido que são diligentemente extirpadas
para evitar que evoluam para o câncer.
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Uma revolução está igualmente em curso
na prevenção da osteoporose, a descalcificação
severa dos ossos que afeta sobretudo as mulheres após
a menopausa. Os aparelhos de densitometria óssea
de última geração são capazes
de perceber perdas de massa óssea a partir de 2%.
Isso significa que uma jovem de 30 anos, no auge de seu
vigor, pode tomar providências para evitar a osteoporose
futura. Até meados da década de 80, a doença
só podia ser detectada em estado avançado,
quando começavam a ocorrer fraturas. O único
método de diagnóstico era então a radiografia,
que apenas identificava perdas superiores a 30% de massa
óssea. Com o alerta precoce, pode-se brecar o processo
e evitar a doença suspendendo os fatores que agravam
o quadro, como álcool, cigarro e medicamentos com
corticóides, bem como ingerindo mais alimentos ricos
em cálcio e fazendo exercícios físicos
regulares. A idéia de concentrar os exames preventivos
na maratona do check-up tomou impulso nos anos 60, quando
o mundo se viu fascinado com a intensidade do escrutínio
médico a que eram submetidos os astronautas americanos.
Só agora, contudo, nesta virada de milênio,
a tecnologia deu aos médicos ferramentas que realmente
permitem avançar fundo no diagnóstico e na
intervenção antecipada. São coisas
como os testes genéticos, que somente entraram para
o arsenal da medicina preventiva nos anos 90 (veja
quadro).
A avaliação preventiva feita em consultório
ou clínica especializada começa com uma demorada
conversa com o médico. "De nada adianta a tecnologia
se ela não for empregada no caso certo", diz Nelson
Carvalhais, diretor do departamento de check-up do Laboratório
Fleury, em São Paulo. "Em cada pessoa devem ser investigadas
doenças diferentes. Nem todo mundo tem propensão
aos mesmos problemas de saúde." Nos primórdios
dos check-ups simplesmente se ignoravam as evidências.
Todos os pacientes passavam pela série completa de
exames. Era como caçar um pato atirando para todos
os lados. A pesquisa agora é bem mais focada. Tenta-se
encontrar o mal antes mesmo que se revele, mas não
atirando a esmo. Se a evidência não for ainda
a tosse, pode ser o pai e o avô que morreram do coração
ou o cigarro que o paciente acendeu na sala de espera do
consultório. Quando fez seu primeiro check-up completo,
há duas semanas, o administrador de empresas Sidney
Rabinovitch, 43 anos, teve de passar por uma bateria de
testes cardíacos e neurológicos. O médico
fez essa recomendação depois de ouvir, durante
a consulta, o preocupante histórico familiar de Sidney.
Seu pai tem cinco pontes de safena implantadas e a mãe
sofreu dois derrames. Além de procedimentos como
o eletroencefalograma e o ecocardiograma, para checar respectivamente
as funções cerebrais e cardíacas, Sidney
submeteu-se a uma série de testes para detectar o
nível de colesterol, a taxa de gordura no corpo e
a capacidade aeróbica. O único problema observado
foi o peso, acima do recomendável. Com 85 quilos
e 1,77 metro de altura, Sidney precisa emagrecer pelo menos
2 quilos nas próximas semanas.
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Ao
prevenir, as empresas poupam
Antonio Milena
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Exame
em esteira
Detecção
de doenças antes que elas se agravem corta
custos |
A corretora Merrill Lynch tem a reputação
de ser a empresa americana que mais investe em check-ups
de alta qualidade para seus empregados. Uma funcionária
que perdeu a voz ganhou da companhia um equipamento
especial sintetizador de voz que custa 6 000 dólares.
Certa vez, a empresa mandou um jatinho resgatar a
mulher de um funcionário que estava no Quênia,
em férias, quando detectaram um coágulo
em seu cérebro. O jato levou-a para ser tratada
na Alemanha. Por que a Merrill Lynch investe tanto
na prevenção? Por economia. "Ao oferecer
excelência clínica, nós poupamos
muito dinheiro", explica Kenneth Reifert, diretor
de benefícios da Merrill Lynch. Nos últimos
cinco anos, quando decidiu adotar a política
de "excelência clínica", o grupo financeiro
calcula ter economizado 6,5 milhões de dólares.
No Brasil, um levantamento feito pela organização
internacional Great Place to Work Institute entre
as melhores empresas para trabalhar mostra que todas
oferecem planos de saúde de alta qualidade.
A Copesul, do ramo petroquímico, cobre despesas
com psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos
e remédios. A Embraer oferece cobertura para
dependência química e infertilidade.
A vida tem um valor humano inestimável.
O assunto é delicado, mas estudos feitos por
economistas da Universidade de Chicago, nos Estados
Unidos, sugerem que esse valor pode ser medido, em
moeda sonante, e que varia com a idade da pessoa.
Ao observar quanto uma pessoa produz de trabalho e
riqueza e quanto está disposta a gastar com
equipamentos de segurança, eles concluíram
que, em média, a vida de um americano vale
entre 3 milhões e 7 milhões de dólares.
Além do capital humano, é esse valor
que uma empresa julga estar protegendo quando investe
na prevenção de doenças de seus
funcionários.
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O administrador está numa fase de risco para o infarto.
A freqüência de ataques do coração
entre os brasileiros com menos de 55 anos é 40% maior
que a média no resto do mundo. Doenças cardíacas
e vasculares ainda são um desafio para a medicina
preventiva. Não há como prognosticar com rigor
o momento do infarto. Mas novos testes de sangue ajudam
a detectar o risco de problemas. A investigação
do colesterol, por exemplo. Além de dosar o LDL,
chamado de colesterol ruim, mede-se também o HDL,
o bom, porque da mesma forma que quanto mais alto for o
LDL pior será para o paciente, também quanto
maior o HDL, melhor. A ecocardiografia de stress, que mostra
alterações de mobilidade da parede do coração,
começou a ser usada há apenas três anos.
Outro recurso é a cintilografia do miocárdio.
O paciente ingere uma solução que percorre
os vasos do organismo. Na tela do computador, os médicos
acompanham a irrigação sanguínea do
coração. Com esses exames, é possível
identificar 80% das pessoas que têm obstrução
de mais da metade de pelo menos uma artéria. O problema
é que cerca de dois terços dos infartos acontecem
com entupimentos menores. Por isso, os cientistas não
param de buscar alternativas de diagnóstico ainda
mais precisas.
Vários estudos recentes mostraram que as pessoas
infartam, têm angina estável ou morte súbita
pela presença de inflamação na placa
arteroesclerótica. Buscou-se, então, a existência
de marcadores sanguíneos indicadores dessa inflamação.
Foram identificadas doze substâncias. A homocisteína
e a proteína PCR são as mais importantes e
já têm exames para dosagem, mas ainda são
poucos os laboratórios que os fazem. Quem tem PCR
alterado corre maior risco, cerca de quatro vezes e meia,
de ter doença cardíaca nos três próximos
anos. Alguns médicos estão animados com as
possibilidades de um equipamento de 2,3 milhões de
dólares, o coronariotomógrafo ultra-rápido,
que detecta placas de cálcio nas artérias
mesmo que a obstrução seja muito pequena.
Ainda não está confirmada a relação
entre placa de cálcio e a ocorrência de doença
cardiovascular. Mesmo assim, muitos médicos prescrevem
o exame por considerar que quanto mais informações
tiverem melhor. "Essa técnica permite descobrir um
problema coronariano muito no início e depois acompanhar
sua evolução", diz Romeu Meneghelo, médico
que pilota o único coronariotomógrafo ultra-rápido
do Brasil, instalado na clínica de diagnóstico
do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
A descoberta precoce de uma doença é um
item cada vez mais valorizado na medicina moderna. Não
apenas por razões puramente médicas, mas até
por sua relevância econômica. Mais e mais empresas
entendem que vale a pena os gastos com check-up de qualidade
para seus funcionários porque isso economiza dinheiro
ao preservar o capital humano (veja
quadro). O custo de um check-up completo numa clínica
de boa qualidade é de aproximadamente 1.600
reais. Nenhum plano de saúde prevê o custeio
desse tipo de prevenção. Em geral, o segurado
procura um médico, que então pede exames específicos
que podem ou não ser cobertos pelo seguro. O Hospital
Albert Einstein, um dos mais bem equipados do país,
criou no ano passado uma unidade especial para diagnóstico
cujo principal produto é o check-up para executivos
de empresas, que já representam nove em cada dez
pacientes. "O que se faz hoje é aliar a tecnologia
ao perfil da pessoa", resume Fabio Nasri, diretor da unidade
de diagnóstico do Albert Einstein. Se não
detectar nenhum problema, o paciente volta para casa com
orientações sobre como melhorar sua qualidade
de vida. Se alguma coisa suspeita é percebida, entram
em cena as máquinas e exames mais especializados.
"Enquanto os check-ups avaliam o bem-estar, as máquinas
de diagnóstico retratam qual é a gravidade
do mal-estar", compara o neurocardiologista Luiz Antônio
Portela, do Hospital do Coração, de São
Paulo.
Os médicos costumam dizer que a parte mais importante
do check-up acontece enquanto o paciente está vestido.
Por três motivos. Primeiro, porque a conversa com
o paciente é essencial. Segundo, porque há
exames fundamentais e simples que não exigem mais
do que arregaçar as mangas para tirar sangue ou abrir
a boca. O glaucoma pode ser prevenido encostando uma caneta
especial no olho para medir a pressão ocular. Diabetes,
com uma picada de agulha. E os agressivos cânceres
de boca e faringe, que matam metade de seus doentes, podem
ser descobertos quando ainda inofensivos com uma boa olhada
do médico na boca. Lesões pré-cancerígenas
são tratáveis e levam até vinte anos
para se transformar em câncer invasivo. "Em tese,
bastam uma lanterna, um abaixador de língua, um espelhinho
e o mínimo de conhecimento de quem examina para evitar
as milhares de mortes anuais por esses cânceres",
afirma o cirurgião de cabeça e pescoço
Orlando Parise Junior. O terceiro motivo é a preleção
sobre como o bom senso é tão eficiente quanto
a tecnologia para a manutenção da saúde.
Estima-se que mais da metade das doenças está
relacionada ao estilo de vida. Cerca de 35% de todos os
tumores estão associados ao cigarro e 15%, ao álcool.
Se uma pessoa parar de fumar hoje, em pouco mais de um mês
já terá o risco de ter um infarto reduzido.
Entre dois e cinco anos, ele será tão pequeno
quanto o de alguém que nunca pôs um cigarro
na boca.
O diagnóstico
do futuro
Sérgio Ruiz Luz
Ricardo Benichio
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PET em operação
Câncer pulmonar
no início: máquina identifica
tumores com apenas 0,5 centímetro
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As pesquisas de aperfeiçoamento
dos aparelhos para diagnósticos avançam
em ritmo acelerado. A cada dia, novos equipamentos
chegam às clínicas, com um grau de precisão
ais capacidade de definição
de imagens. Dentro de dois anos, por exemplo, os tomógrafos
dotados da nova tecnologia de "scanner em espiral"
serão capazes de detectar minúsculas
placas de gordura que ameaçam obstruir as artérias
coronárias a principal causa de infartos
fulminantes nas pessoas com menos de 60 anos. Num
futuro próximo também estarão
acessíveis à maior parte da população
exames com aparelhos de medicina nuclear prontos a
identificar nódulos cancerígenos de
apenas 0,5 centímetro , tamanho em que
ainda podem ser extirpados sem perigo para o organismo.
Outra técnica vital em estágio avançado
de pesquisas são os exames de marcadores moleculares
para o diagnóstico do câncer. A idéia
é desenvolver "biochips", verdadeiros computadores
biológicos capazes de reconhecer doenças
ainda no estágio molecular. Ou seja, em estruturas
muito menores que as células.
A oncologia é a área
mais beneficiada por esses avanços. Uma das
maiores esperanças nos hospitais especializados
é uma engenhoca batizada de Positron Emission
Tomograph. Também conhecido sob a sigla
de PET, o equipamento tem um feixe duplo de raios
gama que perscrutam o corpo do paciente em busca da
capacidade de consumo de glicose pelas células.
O consumo de glicose em doses acima do metabolismo
normal indica a existência de um foco cancerígeno
na região. Essa técnica permite identificar
com precisão tumores pulmonares com 0,5 centímetro.
Os equipamentos convencionais só conseguem
encontrar o nódulo cancerígeno quando
ele atinge o dobro desse tamanho. "Parece uma diferença
pequena, mas ela tem permitido antecipar em meses
o início do tratamento", afirma Cláudio
Meneghetti, diretor do serviço de medicina
nuclear do Instituto do Coração, o único
hospital do país que conta com uma dessas novas
engenhocas.
Fotos: Divulgação
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Alta definição
Imagens
dos rins, do
coração e do pulmão produzidas
pelos novos
tomógrafos: em
dois anos, equipamento
poderá detectar
até minúsculas
placas de
gordura armazenadas
nas artérias
coronárias
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Outra linha de equipamento que apresenta
avanços formidáveis são os tomógrafos
computadorizados. A máquina mais moderna desse
tipo chegou ao Brasil recentemente, importada pelo
Hospital do Coração, em São Paulo.
Graças a uma nova técnica, que faz com
que o feixe de raio X circunde o corpo do paciente,
a definição de imagens desses aparelhos
é cada vez maior. Eles são capazes de
detectar hoje tumores em estágios muito precoces.
Sua aplicação não é restrita
ao tratamento de câncer. A cardiologia é
outra área bastante beneficiada. Com essa tecnologia,
que fornece imagens tridimensionais do coração,
os médicos terão muito mais segurança
no diagnóstico da extensão e da gravidade
das lesões coronarianas. Até as perigosas
crostas de gordura que entopem as artérias
cardíacas, impossíveis de ser visualizadas
com clareza pelos exames atuais não invasivos,
vão poder ser identificadas em breve por esse
equipamento.
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Saiba
mais |
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