Edição 1 655 -28/6/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

As más lições do vizinho

Ariana Cubillo/AP
Lores na Colômbia: um pesadelo ao lado do Brasil


Numa escala que nem os moradores atormentados pelo crime nas grandes cidades brasileiras podem imaginar, viver na Colômbia é andar em permanente estado de alerta. Entre os colombianos, é difícil encontrar alguém que não tenha tido um parente, um amigo ou um conhecido seqüestrado. Com medo, as pessoas viajam em comboio pelas estradas, evitam entrar em certos bairros e se trancam em casa depois da meia-noite. As estatísticas de execuções e assassinatos são pavorosas. O crime se alastrou de tal forma que o governo já não controla o próprio território nacional, hoje dividido entre chefões do narcotráfico, guerrilhas de esquerda, grupos paramilitares e delinqüentes comuns.

Esse é o tema de uma reportagem especial que VEJA publica nesta edição. Feita pelo jornalista Raul Juste Lores, correspondente da revista em Buenos Aires, ela mostra como é a rotina num país em que a violência se banalizou. Lores passou uma semana percorrendo diversas cidades colombianas. "Chegar a alguns lugares é como entrar numa guerra", conta ele. "Há soldados e policiais por todos os lados."

Ao contrário de seus vizinhos da América Latina, a Colômbia é um país cuja História nunca foi marcada por longas ditaduras militares ou por caudilhos populistas. Passou sessenta anos do século XX sem conhecer recessão, moratórias, desvalorizações ou calotes. Até hoje, a empresa de consultoria Moody's, num desses autismos que costumam cegar certos analistas internacionais, dá uma classificação melhor para a Colômbia do que para o Brasil. A capital, Bogotá, é uma cidade limpa, organizada e com agitada vida cultural. O povo, descendente de espanhóis, índios e negros, é alegre e simpático. Ou seja, a Colômbia tinha tudo para ser um dos lugares mais agradáveis do planeta – caso não houvesse perdido a guerra para o crime. Infelizmente, essa é a amarga lição que os colombianos têm para dar ao mundo.