As más lições do vizinho
Ariana Cubillo/AP
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| Lores na Colômbia: um pesadelo
ao lado do Brasil |
Numa escala que nem os moradores atormentados pelo crime
nas grandes cidades brasileiras podem imaginar, viver na
Colômbia é andar em permanente estado de alerta.
Entre os colombianos, é difícil encontrar
alguém que não tenha tido um parente, um amigo
ou um conhecido seqüestrado. Com medo, as pessoas viajam
em comboio pelas estradas, evitam entrar em certos bairros
e se trancam em casa depois da meia-noite. As estatísticas
de execuções e assassinatos são pavorosas.
O crime se alastrou de tal forma que o governo já
não controla o próprio território nacional,
hoje dividido entre chefões do narcotráfico,
guerrilhas de esquerda, grupos paramilitares e delinqüentes
comuns.
Esse é o tema de uma reportagem especial que VEJA
publica nesta edição. Feita pelo jornalista
Raul Juste Lores, correspondente da revista em Buenos Aires,
ela mostra como é a rotina num país em que
a violência se banalizou. Lores passou uma semana
percorrendo diversas cidades colombianas. "Chegar a alguns
lugares é como entrar numa guerra", conta ele. "Há
soldados e policiais por todos os lados."
Ao contrário de seus vizinhos da América
Latina, a Colômbia é um país cuja História
nunca foi marcada por longas ditaduras militares ou por
caudilhos populistas. Passou sessenta anos do século
XX sem conhecer recessão, moratórias, desvalorizações
ou calotes. Até hoje, a empresa de consultoria Moody's,
num desses autismos que costumam cegar certos analistas
internacionais, dá uma classificação
melhor para a Colômbia do que para o Brasil. A capital,
Bogotá, é uma cidade limpa, organizada e com
agitada vida cultural. O povo, descendente de espanhóis,
índios e negros, é alegre e simpático.
Ou seja, a Colômbia tinha tudo para ser um dos lugares
mais agradáveis do planeta caso não houvesse
perdido a guerra para o crime. Infelizmente, essa é
a amarga lição que os colombianos têm
para dar ao mundo.