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Livros A história (tocante)
de um doente terminal
Randy Pausch, americano, 47 anos, casado, três filhos pequenos, está morrendo. Sofre de um câncer de pâncreas, com metástase em outros órgãos vitais, e recentemente teve uma crise cardíaca e renal. Em setembro de 2007, já desenganado pelos médicos, Pausch deu uma palestra de despedida para cerca de 400 pessoas na Carnegie Mellon, universidade em que lecionava computação. Gravada em vídeo, essa conferência foi vista mais de 2 milhões de vezes no site YouTube. Ao longo de uma hora e dezesseis minutos, Pausch exibe tomografias, diz que ainda se sente bem (para prová-lo, faz flexões no palco), fala de seus sonhos de infância flutuar em gravidade zero, trabalhar para a Disney (ambos realizados), jogar em um time profissional de futebol americano (não realizado) e dá lições genéricas sobre felicidade, realização profissional, determinação. Em suma, nada que se desvie do otimismo que infla a maioria dos livros de auto-ajuda. Muito apropriadamente, a palestra inspirou uma obra do gênero, composta por Pausch em parceria com o jornalista Jeffrey Zaslow, que escreveu sobre a conferência final no The Wall Street Journal. Primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times na semana passada, A Lição Final (tradução de Laura Alves e Aurélio Rebello; Agir; 256 páginas; 34,90 reais), que chega nesta semana às livrarias brasileiras, leva a alegria empacotada da auto-ajuda a sua última fronteira: a morte.
A Lição Final não traz nenhuma especulação religiosa sobre o além, nem uma só linha de revolta, de raiva, de medo. Tem, sim, páginas tocantes, de engasgar mesmo o leitor mais cínico. Pausch conta que Jai, sua mulher, estava aniversariando no dia anterior à palestra final na Carnegie Mellon, e ele a homenageou trazendo um bolo para o palco e convocando o público a cantar o Parabéns a você. Jai o abraçou e sussurrou em seu ouvido: "Por favor, não morra". O autor também reflete sobre o futuro de seus três filhos, com idades entre 2 e 6 anos, e se entristece não porque não os verá crescer mas porque eles não terão um pai enquanto crescem. É uma pena que esses momentos esparsos se percam no meio de tantos conselhos ligeiros (por exemplo: se você vai pedir a alguém que realize uma tarefa aborrecida, é de bom-tom dar a essa pessoa uma caixa de chocolates mentolados). A última lição não é necessariamente a mais sábia.
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