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Televisão Por que a atriz Christiane
Torloni chega aos
O envelhecimento das estrelas de novelas é um processo complicado para a Globo. De um lado, há uma oferta crescente de novatas para papéis juvenis, o que faz com que uma atriz que interpretou uma lolita numa trama se transforme em adulta na seguinte e, logo adiante, em matrona aos 32 anos, Ana Paula Arosio vem causando estranheza na pele de mãe de três adolescentes no folhetim Ciranda de Pedra, por exemplo. Por outro lado, há uma escassez de rostos conhecidos para um tipo de que as novelas não podem abrir mão as protagonistas maduras e ainda sensuais. Vera Fischer reinou nessa categoria por anos a fio. Mas a loira, hoje com 56, anda meio sumida. Ângela Vieira, em bela forma, não costuma ser lembrada para papéis de tanto destaque. Dos nomes do primeiro time, é mesmo Christiane quem está com tudo. "Cada uma de nós é convidada a observar o tempo por ângulos diferentes. Para mim, ele tem sido uma bênção", diz. No início da carreira, a atriz alimentou as fantasias masculinas com empreitadas como Ariella (1980), pornochanchada em que vivia uma cena de lesbianismo sobre uma mesa de bilhar (na década seguinte, ela faria uma das lésbicas comportadinhas que provocaram rejeição à novela Torre de Babel). Seu corpo mudou desde então. Ela ganhou força, para ser exato. Christiane se aventura do windsurf à esgrima. Mas os ombros, braços e pernas tonificados que exibiu no quadro Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão, devem-se à ioga. "Quando nasci, eu era uma Ferrari zero: tinha um corpo perfeito, todos os dedos, sem nenhum problema físico nem no código genético. Aprendi a cuidar desse equipamento", diz.
O outro pilar da boa forma, segundo Christiane, é o cuidado com o espírito. Ela é budista e se amarra numa conversa difícil. "Sou estudiosa da física quântica", diz. O tema inspirou a peça 10 Elevado a Menos 43 Extasis, colagem de textos filosóficos, teológicos e científicos que montou nos anos 90. Sua explicação para o título: "Esse é o ponto mais próximo a que podemos chegar da Criação, onde a civilização consegue se debruçar e ver o Big Bang". E por aí segue. "Hoje, os caras fotografam a mesma partícula em dois lugares diferentes. É a demonstração de que um dia nós poderemos estar em dois lugares ao mesmo tempo", afirma. Até sua malhação é quântica. "Quando faço exercícios, sinto as partículas da alegria brincando no meu corpo. A física é um barato." Em 2006, durante as gravações da série Amazônia, Christiane abraçou outra causa: a preservação da floresta. Ao lado dos colegas Juca de Oliveira e Victor Fasano, lançou o movimento Amazônia para Sempre, um abaixo-assinado que acaba de chegar à marca de 1 milhão de assinaturas. "A coisa está pegando fogo. Não podemos nos desmobilizar", prega. Christiane enfrentou um trauma em sua vida pessoal. Em 1991, ao manobrar o carro na garagem de seu prédio, ela despencou de uma ribanceira de 4 metros. Os gêmeos que teve com o diretor Denis Carvalho estavam com ela e um deles, Guilherme, morreu no acidente, aos 12 anos. A atriz então se afastou das novelas e mudou-se para Portugal. "Quando perdi meu filho, achei que a melhor coisa a fazer era me fechar em luto. Foi um caminho necessário para me recompor", diz. O ator Leonardo Carvalho, seu outro gêmeo (e único filho), tem hoje 29 anos. Ele está noivo, informa a mãe (atualmente casada com outro diretor de TV, Ignácio Coqueiro). "Quem sabe um dia não viro avó?", diz.
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