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Cartas
O lado negro da Força Sindical Mais uma vez, VEJA
mostra aos brasileiros os relacionamentos nada republicanos
entre integrantes do (des)governo, partidos e sindicalistas
da base de apoio a Lula ("O banquete de Paulinho",
21 de maio). Esperamos que a Polícia Federal e o Ministério
Público Federal continuem a realizar as suas missões
institucionais com o esmero que têm demonstrado, a favor
do país,retirando da vida pública políticos
como Paulinho, Luiz Medeiros e cia. O nosso ilustre presidente,
se pelo menos for leitor assíduo de VEJA tanto quanto
se declara fã do Faustão e dos jogos do Corinthians,
estará menos desinformado e se iluminará para
uma faxina na Esplanada dos Ministérios, a começar
pelo Ministério do Trabalho, que anda dando muito trabalho
à PF. Cumprimento VEJA pela
reportagem "O banquete de Paulinho". Se houver o Dia
do Juízo, rogo a Deus que o deputado Paulinho Pereira
da Silva e seu "grupelho" façam seu banquete
no "mármore do inferno", por terem se apossado
de recursos retirados de milhares de trabalhadores brasileiros
que lutam com suor para garantir uma vida digna neste país. O sorriso sarcástico
do senhor Paulinho, da Força Sindical, reflete o que
há de mais podre nos sindicatos do Brasil, ou seja, interesses
próprios em detrimento da categoria, enriquecimento ilícito,
roubalheira etc. Se os trabalhadores brasileiros se conscientizassem
de que os sindicatos às vezes lhes fazem mal, muita coisa
mudaria neste país. Como professor na
área de relações sindicais, não
fiquei nada surpreso com o conteúdo da reportagem de
capa de VEJA. Surpreso ficarei se alguém for preso, se
alguém pedir para sair. Afinal, estamos no Brasil, uma
república sindicalista. Depois da apresentação
de todas as evidências de que o movimento sindical vem
sendo utilizado para o enriquecimento ilícito de políticos
e sindicalistas, será que o presidente Lula continuará
defendendo que essas entidades não sejam investigadas
pelo Tribunal de Contas da União? O presidente Lula,
além de distribuir milhares de cargos à companheirada
incompetente, entregou ministérios que dispõem
de polpudas verbas a cidadãos sem nenhum predicado para
exercer o cargo. é o caso do Ministério do Trabalho,
com 38 bilhões de orçamento, que é dominado
pelo pulha Paulinho da Força e seus comparsas. Paulinho,
acusado também de rapinar altas porcentagens dos financiamentos
arranjados por intermédio de seus amigos, no BNDES, tem
confundido, como outros inúmeros sindicalistas embrenhados
no governo Lula, os cofres públicos com os próprios
bolsos. A capa de VEJA é
o retrato fiel e sinistro da promiscuidade entre o público
e o privado, colocando em risco a confiança que os cidadãos
depositaram nas urnas. Constrangedora a foto
da página 53 com o ministro do Trabalho palitando os
dentes depois do almoço. Um pouco de educação
não faz mal a ninguém. Eu, mesmo sendo da classe
proletária, não pratico o gesto. Será que
a Martinha Suplicy, educadérrima, poderia dar umas dicas
ao coleguinha de ministério?
Arlindo Chinaglia Excelente a entrevista
com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia
(Amarelas, 21 de maio), que se mostra um parlamentar maduro,
consciente de que um terceiro mandato é uma afronta à
democracia e à inteligência dos eleitores, e admite
ainda que o PT errou no episódio do mensalão. Duas frases me chamaram
atenção na entrevista com Arlindo Chinaglia, presidente
da Câmara: "...essas crises constantes vão
deixando marcas, cicatrizes... mas o pior já passou"
e "Se comparado ao escândalo do mensalão,
esse dossiê não é nada, não chega
nem perto de ser um problema". São frases que traduzem
limpidamente a brutal diferença na percepção
de padrões morais dos políticos e da média
da sociedade informada sobre o dia-a-dia do Congresso. Seriam
"cicatrizes" se os escândalos a que sua excelência
se refere tivessem sido denunciados, investigados, julgados
e, principalmente, punidos exemplar e imediatamente. Aí,
sim, ele poderia afirmar que "o pior já passou".
O excelentíssimo
senhor deputado é o pior cego e não quer ver que
o Poder Legislativo morreu e está em adiantado estado
de putrefação. O Congresso poderia tentar ressuscitar
o Legislativo, aprovando uma proposta de emenda à Constituição
que extinguisse a obrigatoriedade do voto, pois somos livres
e vivemos numa democracia. Criar por lei o curso e o cargo de
assessor parlamentar e abrir concurso público para esse
cargo traria transparência e competência ao Congresso.
Seria ainda de muito bom alvitre ministrar aos parlamentares
um curso de boas maneiras, para que todos fossem educados para
saber se portar num ambiente tão austero como o Parlamento.
Que os parlamentares se espelhassem no exemplo do trabalhador
brasileiro, honesto, dedicado e responsável.
Meio ambiente O maior prejuízo
da Amazônia vai além do bem que seria produzido
pela pecuária e pela agricultura no metro quadrado preservado.
É o prejuízo causado pelo isolamento absoluto
das comunidades. É condenar à miséria e
à ignorância uma população enorme.
É a carência total de meios de transporte, educação,
saneamento, informação, bens, postos de saúde
e demais serviços públicos. Inimaginável
por alguém que só conhece o Leblon ("O desafio
da economia verde", 21 de maio). Com a saída
de Marina Silva, uma grande protetora do meio ambiente, teremos
de ver o que o novo ministro fará para melhorar a vida
e a preservação de nossa floresta. Não
adianta trocar seis por meia dúzia. Verde por verde, por
que não transformar a Floresta Amazônica em "moeda
verde"? Se o mundo está tão preocupado com
a biodiversidade ali existente e com o importante papel que
ela representa para o equilíbrio climático do
planeta, façamos valer nosso ouro verde e cobremos bem
caro por isso.
Stephen Kanitz Stephen Kanitz é
reconhecidamente um articulista inteligente e objetivo. Chega
a ser redundante afirmar isso, mas em seu último artigo
(Ponto de vista, 21 de maio) ele se superou. Fechou o texto
com algo que é unânime entre pais e religiosos
de qualquer tipo: nossa vida post-mortem se prolonga
pelos filhos e demais descendentes. Não menos importante
é o que ele ainda destaca sobre amor ao próximo,
bem-estar comum, enfim, essa utopia que todos queremos e sonhamos:
um mundo melhor para nossos filhos, para que tenhamos uma vida
melhor no futuro que nos aguarda. Procuro fazer minha parte
educando o melhor possível meu DNA (7 e 13 anos). Excelente o artigo
"A vida após a morte". Ética, moral,
amor e generosidade não devem ser princípios condicionados,
exclusivamente, à crença religiosa. Há muito tempo
não leio algo inteligente sobre esse assunto tão
especulado. Graças ao Kanitz podemos nos lembrar de uma
fala bem interessante de Guimarães Rosa: "Eu quase
que nada sei, mas desconfio de muita coisa". Fantástico
o artigo de Stephen Kanitz. Muito propício a este momento
que nossa sociedade atravessa, no qual o desamor, a ganância,
o individualismo estão aflorados.
O lado escuro da Força Sindical 2 Quem indicou o Carlos
Lupi para o Ministério do Trabalho foi o presidente Lula,
que tem a prerrogativa de escolher seus auxiliares. A indicação
de Lupi muito nos orgulhou, sim; ele tem mostrado através
de suas ações ser um homem íntegro e comprometido
com os interesses dos trabalhadores, mas sempre pautando sua
atuação pelo bom entendimento entre capital e
trabalho. Quanto às citações nos grampos
da Polícia Federal, cabe aqui um esclarecimento: sou
citado em diálogos de terceiros que falam no substantivo
Paulinho. O relatório afirma que o nome é supostamente
o meu. Uma advertência necessária: suposição
não é sinônimo de afirmação.
Há ainda no relatório um tal de PA. Quero registrar
que, em 52 anos de vida, ninguém nunca usou essas duas
letras para se referir a minha pessoa. Registre-se: há
no Dicionário Aurélio, 2ª edição
(editora Nova Fronteira), 44 páginas de palavras que
começam com PA. A revista apresenta uma foto afirmando
a compra de uma casa em Bertioga, o que não condiz com
a verdade. A foto ilustra algumas casas de um módulo
de catorze residências. A aquisição feita
pela minha família é de uma casa com metragem
de 100,20 metros quadrados. A imagem de VEJA ilude o leitor
e dá uma noção distorcida da realidade. Quero deixar registrado
que refuto com veemência todas as imputações
que me foram feitas. Sou conselheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador
o FAT e presidente do Conselho, em razão
de ter sido eleito pelo colegiado de doze membros. Todas as
decisões do Codefat são tomadas em regime de colegiado
e em reuniões públicas. As atribuições
dos conselheiros e do presidente estão definidas em lei
e eu as exerço plenamente. O que VEJA publica como atos
condenáveis são exatamente o contrário
refletem meu zelo e meu empenho em exigir de agentes
financeiros federais, como o BNDES, todas as informações
que me permitem exercer o papel de gestor.
BNDES O BNDES é reconhecidamente
uma instituição séria e competente, como
atesta a própria matéria publicada na semana passada
("Marcas de fissura na blindagem", 21 de maio). Essas
qualidades se devem, além da excelência de seus
profissionais, ao fato de que seus mecanismos institucionais
são de tal forma rigorosos que exigem que todas as decisões
sobre financiamentos sejam tomadas por corpos colegiados. Desse
modo, não é verdadeira a afirmação
desta revista de que eu seria o responsável por liberar
empréstimos, uma vez que se trata de uma atribuição
do corpo técnico e aprovada pela diretoria de maneira
coletiva, e não individual. E o que é pior: VEJA
insinua que a decisão de liberar os créditos é
tomada com base em critérios não estritamente
técnicos. Receber administradores municipais e estaduais,
independentemente de coloração partidária,
é uma das atribuições da diretoria que
ocupo, responsável pelo atendimento ao setor público.
Representar o banco em cerimônias é, e sempre foi,
papel dos funcionários da alta administração
do BNDES. A matéria tenta, mesmo que não tenha
uma única fonte para sustentar seu argumento, colocar
em suspeição atividades, minhas e da equipe do
banco, que são exercidas dentro dos mais rigorosos parâmetros
da ética e da legalidade. Élvio Gaspar CORREÇÕES: ao contrário do que foi publicado na reportagem "O banquete de Paulinho" (21 de maio), Luiz Antonio de Medeiros não é filiado ao PDT e Ezequiel Nascimento não é dirigente da Força Sindical, mas ex-presidente de um sindicato então ligado à Força Sindical. No Ponto de vista de Lya Luft desta semana (página 20 desta edição), o correto seria dizer que "Vários casos de análise de DNA desconhecida à época do julgamento demonstraram que houve a condenação de inocentes". O mecanismo chamado tourbillon compensa o efeito da gravidade, mas não anula sua ação, ao contrário do que afirma o quadro da reportagem "O seu tem tourbillon?" (21 de maio).
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