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Edição 2062

28 de maio de 2008
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Entre o jato e a dengue: o Brasil do presente

Uma reportagem especial desta edição de VEJA reflete sobre as análises feitas no exterior por entidades sérias e órgãos de informação respeitados como o inglês Financial Times e o americano Wall Street Journal dando conta de que o Brasil já é uma potência econômica mundial de primeira grandeza. Segundo tais análises, o Brasil realizou plenamente suas potencialidades e deixou, enfim, de ser um país do futuro. Abandonou o incômodo posto de "primeiro país do Terceiro Mundo" para ocupar o de "último do Primeiro Mundo". Isso é verdade? A reportagem de VEJA, idealizada pelo editor executivo Marcio Aith, revela que a coincidência de circunstâncias específicas melhorou muito a posição relativa do Brasil no mundo – ou seja, subiu muito nosso status como país em comparação com nossos problemáticos vizinhos, nossos concorrentes diretos no grupo batizado de Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) e até com as nações líderes do hemisfério ocidental – cada uma, a sua maneira, enfrentando gargalos sociais, econômicos e financeiros de monta.

A reportagem mostra que, para chegarmos mesmo ao Primeiro Mundo em termos absolutos – ou seja, não porque os outros pioraram, mas porque a qualidade de vida da maioria dos brasileiros melhorou para valer nos campos da educação, da saúde, das instituições, e não apenas da economia –, muita coisa ainda tem de ser feita. Uma das fontes de Aith e de sua equipe foram os artigos de um livro que será lançado nesta semana, Brasil Globalizado, com prefácio de Henrique Meirelles e contribuições de Fernando Henrique Cardoso, Luciano Coutinho, Cláudio Haddad e vinte outros analistas. A obra, organizada pelos economistas Octavio de Barros e Fabio Giambiagi, é desde já leitura obrigatória para quem quer entender as circunstâncias trazidas pela inevitabilidade da globalização. Os articulistas recomendam a manutenção da política econômica baseada na estabilidade e das políticas de bem-estar social do governo Lula. Eles sugerem fortemente que mais abertura para o exterior e menor peso da carga de impostos aumentarão a produtividade da economia brasileira a níveis nunca vistos por aqui. Se essas condições forem mantidas sem retrocessos por duas décadas, como escreveu Fernando Henrique Cardoso, o Brasil deixará definitivamente para trás as "tormentas do subdesenvolvimento".



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