Uma reportagem especial
desta edição de VEJA reflete sobre as análises
feitas no exterior por entidades sérias e órgãos
de informação respeitados como o inglês
Financial Times e o americano Wall Street Journal
dando conta de que o Brasil já é uma potência
econômica mundial de primeira grandeza. Segundo tais análises,
o Brasil realizou plenamente suas potencialidades e deixou,
enfim, de ser um país do futuro. Abandonou o incômodo
posto de "primeiro país do Terceiro Mundo"
para ocupar o de "último do Primeiro Mundo".
Isso é verdade? A reportagem de VEJA, idealizada pelo
editor executivo Marcio Aith, revela que a coincidência
de circunstâncias específicas melhorou muito a
posição relativa do Brasil no mundo ou
seja, subiu muito nosso status como país em comparação
com nossos problemáticos vizinhos, nossos concorrentes
diretos no grupo batizado de Bric (sigla para Brasil, Rússia,
Índia e China) e até com as nações
líderes do hemisfério ocidental cada uma,
a sua maneira, enfrentando gargalos sociais, econômicos
e financeiros de monta.
A reportagem mostra
que, para chegarmos mesmo ao Primeiro Mundo em termos absolutos
ou seja, não porque os outros pioraram, mas porque
a qualidade de vida da maioria dos brasileiros melhorou para
valer nos campos da educação, da saúde,
das instituições, e não apenas da economia
, muita coisa ainda tem de ser feita. Uma das fontes de
Aith e de sua equipe foram os artigos de um livro que será
lançado nesta semana, Brasil Globalizado, com
prefácio de Henrique Meirelles e contribuições
de Fernando Henrique Cardoso, Luciano Coutinho, Cláudio
Haddad e vinte outros analistas. A obra, organizada pelos economistas
Octavio de Barros e Fabio Giambiagi, é desde já
leitura obrigatória para quem quer entender as circunstâncias
trazidas pela inevitabilidade da globalização.
Os articulistas recomendam a manutenção da política
econômica baseada na estabilidade e das políticas
de bem-estar social do governo Lula. Eles sugerem fortemente
que mais abertura para o exterior e menor peso da carga de impostos
aumentarão a produtividade da economia brasileira a níveis
nunca vistos por aqui. Se essas condições forem
mantidas sem retrocessos por duas décadas, como escreveu
Fernando Henrique Cardoso, o Brasil deixará definitivamente
para trás as "tormentas do subdesenvolvimento".