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Edição 1 804 - 28 de maio de 2003
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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DVDs

Fargo (Estados Unidos/Inglaterra, 1996. Fox) – Não é que as coisas já não estivessem ótimas. Mas, aos 33 minutos de filme, quando Frances McDormand entra em cena, elas ficam decididamente sensacionais. Frances é a policial caipira e muito grávida que investiga três assassinatos – essa, na verdade, é só a conta inicial – e um seqüestro nas planícies gélidas de Dakota do Norte e Minnesota. Numa atuação sublime, ela é o centro estável em um vendaval de maldade, malícia e ignorância. Primeiro detalhe: além de ser um drama e um policial noir, Fargo é uma comédia brilhante. Segundo: a abertura que avisa ser essa uma história real não passa de uma brincadeira dos irmãos Joel (diretor) e Ethan (produtor) Coen. O que não significa que sua observação do caráter humano não seja tristemente realista.

Every Breath You Take, The Police (Universal) – Um ícone do pop/rock das décadas de 70 e 80, o The Police foi um dos poucos grupos da época a não cair no total ridículo na produção de videoclipes. É o que mostra essa compilação de treze sucessos do grupo. Eles fazem farra quando têm de fingir que estão tocando ao vivo (caso de Don't Stand So Close to Me) e mostram um certo bom gosto nos clipes dos anos 80, quando a MTV entrou no ar – vide Wrapped Around Your Finger, em que Sting (baixo e vocais), Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (bateria) desfilam por um labirinto de velas. O DVD é farto em material-bônus, como duas faixas gravadas durante um show em Londres e um documentário sobre o álbum Ghost in the Machine (1981), em que cada um explica seu papel no grupo.

 

LIVROS

Duas Narrativas Fantásticas, de Fiodor Dostoievski (tradução de Vadim Nikitin; Editora 34; 128 páginas; 23 reais) – As narrativas fantásticas compõem uma parte ínfima no legado literário de Dostoievski (1821-1881), mas são pequenas jóias. Os dois textos reunidos aqui estão a meio caminho entre o conto e a novela. Têm o mesmo mote – o suicídio. Dostoievski inspirou-se na história real de uma jovem que tirou a própria vida para escrever A Dócil, no qual um ganancioso comerciante conta, à beira da loucura, como seu casamento desembocou na morte da mulher. Em O Sonho de um Homem Ridículo, por sua vez, um personagem que está prestes a se matar adormece e sonha com a vida num planeta utópico. As traduções são diretas do russo.

Áden, Arábia, de Paul Nizan (tradução de Bernadette Lyra; Estação Liberdade; 174 páginas; 24 reais) – Filósofo, jornalista e romancista, o francês Paul Nizan (1905-1940) expressou como poucos as angústias da Europa do entreguerras. Sufocado pelo mal-estar que se abatia sobre o velho continente naquele período – e que culminaria na II Guerra Mundial –, ele empreendeu uma "fuga": aventurou-se numa excursão ao então protetorado inglês de Áden, no Oriente Médio. Essa experiência é narrada em Áden, Arábia, um relato de viagem que se tornaria clássico. Descrição das culturas com que o autor se deparou, o livro é também um libelo contra o colonialismo. A edição traz um célebre prefácio do filósofo Jean-Paul Sartre, que foi amigo de Nizan.

 
Liane Neves

Scliar: história da melancolia

Saturno nos Trópicos, de Moacyr Scliar (Companhia das Letras; 274 páginas; 29 reais) – Em seu novo livro, o gaúcho Moacyr Scliar deixa a ficção de lado e investe em outra de suas especialidades: o ensaio. Saturno nos Trópicos é um estudo sobre a melancolia, e custou cinco anos de pesquisa ao escritor. Não se trata de uma obra difícil: ao contrário, sua linguagem é sempre acessível e envolvente. Scliar enfoca o tema em vários momentos históricos. Fala da Idade Média dos tempos da peste negra e da Renascença dos grandes avanços científicos. Mas seu objetivo é, sobretudo, compreender a melancolia à moda brasileira e traçar uma história dela. Scliar examina a cultura nacional desde os primeiros tempos até o século XX – tratando de personagens como Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, e Macunaíma, de Mário de Andrade. Leia trechos do livro.

 

DISCOS

Fever to Tell, Yeah Yeah Yeahs (FNM) – No mundo da música, é mais comum surgirem divas do pop e do soul do que deusas do rock. Por isso o disco de estréia desse trio de Nova York tem causado tanta sensação. A líder dos Yeah Yeah Yeahs chama-se Karen O, e ela esbanja cordas vocais, carisma e sex appeal. Os outros integrantes da banda, Brian Chase (bateria) e Nicolas Zinner (guitarra), não deixam a peteca cair: tocam alto e forte. Ex-banda de abertura dos Strokes, outro celebrado grupo de Nova York, os Yeah Yeah Yeahs foram contratados por uma gravadora do primeiro time depois de lançarem um minidisco com cinco músicas. Fever to Tell, sua estréia, é uma coleção de boas frases de guitarra (Maps, Date with the Night). Na excelente No No No, eles fazem uma mistura de punk e música psicodélica que merece a qualificação de vanguardista.

 
Milton Montenegro
Ed Motta: CD põe à mostra o homem-baile e o jazzman  

Poptical, Ed Motta (Trama) – O achado desse álbum está em reunir os dois estilos distintos do cantor e compositor carioca. Primeiro, a faceta de homem-baile, capaz de criar melodias para animar qualquer festa. Nessa categoria, poucas superam o clima anos 70 presente em Que Bom Voltar e Tem Espaço na Van. Elas são parcerias de Ed Motta com Daniel Carlomagno e Seo Jorge, boas revelações do novo pop nacional que contribuem com letras (outros artistas famosos, como Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan e Ronaldo Bastos, também criaram versos para Motta). Ao lado das faixas dançantes, Poptical traz composições em que Motta deixa aflorar o seu lado de jazzman. Bons exemplos são My Rules e The Rose that Came to Bloom, criada em dueto com Bluey, líder do grupo inglês de soul music Incognito.

 

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.

 

   
 
   
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