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DVDs
Fargo
(Estados Unidos/Inglaterra, 1996. Fox) Não é que
as coisas já não estivessem ótimas. Mas, aos 33 minutos
de filme, quando Frances McDormand entra em cena, elas ficam decididamente
sensacionais. Frances é a policial caipira e muito grávida
que investiga três assassinatos essa, na verdade, é
só a conta inicial e um seqüestro nas planícies
gélidas de Dakota do Norte e Minnesota. Numa atuação
sublime, ela é o centro estável em um vendaval de maldade,
malícia e ignorância. Primeiro detalhe: além de ser
um drama e um policial noir, Fargo é uma comédia
brilhante. Segundo: a abertura que avisa ser essa uma história
real não passa de uma brincadeira dos irmãos Joel (diretor)
e Ethan (produtor) Coen. O que não significa que sua observação
do caráter humano não seja tristemente realista.
Every
Breath You Take, The Police (Universal) Um ícone
do pop/rock das décadas de 70 e 80, o The Police foi um dos poucos
grupos da época a não cair no total ridículo na produção
de videoclipes. É o que mostra essa compilação de
treze sucessos do grupo. Eles fazem farra quando têm de fingir que
estão tocando ao vivo (caso de Don't Stand So Close to Me)
e mostram um certo bom gosto nos clipes dos anos 80, quando a MTV entrou
no ar vide Wrapped Around Your Finger, em que Sting (baixo
e vocais), Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (bateria) desfilam
por um labirinto de velas. O DVD é farto em material-bônus,
como duas faixas gravadas durante um show em Londres e um documentário
sobre o álbum Ghost in the Machine (1981), em que cada um
explica seu papel no grupo.
LIVROS
Duas
Narrativas Fantásticas, de Fiodor Dostoievski (tradução
de Vadim Nikitin; Editora 34; 128 páginas; 23 reais) As
narrativas fantásticas compõem uma parte ínfima no
legado literário de Dostoievski (1821-1881), mas são pequenas
jóias. Os dois textos reunidos aqui estão a meio caminho
entre o conto e a novela. Têm o mesmo mote o suicídio.
Dostoievski inspirou-se na história real de uma jovem que tirou
a própria vida para escrever A Dócil, no qual um
ganancioso comerciante conta, à beira da loucura, como seu casamento
desembocou na morte da mulher. Em O Sonho de um Homem Ridículo,
por sua vez, um personagem que está prestes a se matar adormece
e sonha com a vida num planeta utópico. As traduções
são diretas do russo.
Áden,
Arábia, de Paul Nizan (tradução de Bernadette
Lyra; Estação Liberdade; 174 páginas; 24 reais)
Filósofo, jornalista e romancista, o francês Paul Nizan (1905-1940)
expressou como poucos as angústias da Europa do entreguerras. Sufocado
pelo mal-estar que se abatia sobre o velho continente naquele período
e que culminaria na II Guerra Mundial , ele empreendeu uma
"fuga": aventurou-se numa excursão ao então protetorado
inglês de Áden, no Oriente Médio. Essa experiência
é narrada em Áden, Arábia, um relato de viagem
que se tornaria clássico. Descrição das culturas
com que o autor se deparou, o livro é também um libelo contra
o colonialismo. A edição traz um célebre prefácio
do filósofo Jean-Paul Sartre, que foi amigo de Nizan.
Liane Neves

Scliar:
história da melancolia |
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Saturno
nos Trópicos, de Moacyr Scliar (Companhia das Letras; 274
páginas; 29 reais) Em seu novo livro, o gaúcho Moacyr
Scliar deixa a ficção de lado e investe em outra de suas
especialidades: o ensaio. Saturno nos Trópicos é
um estudo sobre a melancolia, e custou cinco anos de pesquisa ao escritor.
Não se trata de uma obra difícil: ao contrário, sua
linguagem é sempre acessível e envolvente. Scliar enfoca
o tema em vários momentos históricos. Fala da Idade Média
dos tempos da peste negra e da Renascença dos grandes avanços
científicos. Mas seu objetivo é, sobretudo, compreender
a melancolia à moda brasileira e traçar uma história
dela. Scliar examina a cultura nacional desde os primeiros tempos até
o século XX tratando de personagens como Jeca Tatu, de Monteiro
Lobato, e Macunaíma, de Mário de Andrade. Leia
trechos do livro.
DISCOS
Fever
to Tell, Yeah Yeah Yeahs (FNM) No mundo da música,
é mais comum surgirem divas do pop e do soul do que deusas do rock.
Por isso o disco de estréia desse trio de Nova York tem causado
tanta sensação. A líder dos Yeah Yeah Yeahs chama-se
Karen O, e ela esbanja cordas vocais, carisma e sex appeal. Os outros
integrantes da banda, Brian Chase (bateria) e Nicolas Zinner (guitarra),
não deixam a peteca cair: tocam alto e forte. Ex-banda de abertura
dos Strokes, outro celebrado grupo de Nova York, os Yeah Yeah Yeahs foram
contratados por uma gravadora do primeiro time depois de lançarem
um minidisco com cinco músicas. Fever to Tell, sua estréia,
é uma coleção de boas frases de guitarra (Maps,
Date with the Night). Na excelente No No No, eles fazem uma
mistura de punk e música psicodélica que merece a qualificação
de vanguardista.
Milton Montenegro
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| Ed
Motta: CD põe à mostra o homem-baile e o jazzman |
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Poptical,
Ed Motta (Trama) O achado desse álbum está em reunir
os dois estilos distintos do cantor e compositor carioca. Primeiro, a
faceta de homem-baile, capaz de criar melodias para animar qualquer festa.
Nessa categoria, poucas superam o clima anos 70 presente em Que Bom
Voltar e Tem
Espaço na Van. Elas são parcerias de Ed Motta
com Daniel Carlomagno e Seo Jorge, boas revelações do novo
pop nacional que contribuem com letras (outros artistas famosos, como
Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan e Ronaldo Bastos, também
criaram versos para Motta). Ao lado das faixas dançantes, Poptical
traz composições em que Motta deixa aflorar o seu lado de
jazzman. Bons exemplos são My Rules e The Rose that Came
to Bloom, criada em dueto com Bluey, líder do grupo inglês
de soul music Incognito.
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