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Lauro
Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]
GOVERNO
Preocupação caseira
José
Alencar é mesmo ousado e incansável em sua cruzada contra
os juros altos. Um importante integrante da equipe econômica (e
põe importante nisso) contava na semana passada que o vice-presidente
é capaz de chegar a extremos. Certa vez, Alencar resolveu discutir
com ele o tema. Até aí, o.k. O problema é que o vice
trazia o balanço da Coteminas em punho. A Coteminas, nunca é
demais repetir, além de ser uma das maiores indústrias têxteis
do país, é de propriedade do vice-presidente. Eis aí
uma situação embaraçosa.
Jogo duro
Várias
nomeações prometidas ao PMDB ainda não saíram.
Estão todas em banho-maria na cozinha da Casa Civil. Uma delas
é a presidência da Transpetro, uma bilionária subsidiária
da Petrobras, prometida ao ex-senador e líder do governo FHC Sérgio
Machado.
Contatos imediatos
Alguns
grandes banqueiros e empresários têm tido contatos praticamente
semanais com José Dirceu.
Romanée nunca mais
Depois
da garrafa de Romanée-Conti, que ficou engasgado em sua garganta
no auge da campanha eleitoral, Lula está escaldado. E reviu sua
relação com os vinhos franceses. Nos jantares em que recebe
convidados no Palácio da Alvorada, tem servido vinho e champanhes
nacionais. Importado, só o uísque bem, aí
ninguém é de ferro.
ECONOMIA
Uma múlti brasileira
A
CSN mal botou o pé em Portugal e já tem sonhos mais ambiciosos.
Com dinheiro em caixa, Benjamin Steinbruch está conversando com
as três gigantes européias do aço (Thyssen, Arcelor
e Corus) para novos negócios. Vai comprar uma siderúrgica
de uma das três mais provavelmente da Corus.
Em
branco
Dois
integrantes do conselho de administração do BNDES não
quiseram assinar o balanço do banco: Gilmar Carneiro, ligado à
CUT, e Eugênio Staub. Gilmar faltou à reunião de votação,
embora concorde com os números. Já o dono da Gradiente fez
restrições a alguns itens do balanço. Como não
fazia parte do BNDES na gestão passada, não se sentiu confortável
para subscrever o documento.
Malan
assina embaixo
Pedro
Malan, reservado como poucos, não pretende se pronunciar publicamente
sobre a decisão do BC de manter as taxas de juros em 26,5%. Aos
mais chegados, porém, revelou que considera a decisão correta
tecnicamente.
Cragnotti
sai da
Bombril
O bilionário italiano Sergio Cragnotti está prestes a deixar
de ser acionista do grupo Cirio, que no Brasil controla a Bombril. Em
janeiro, ele já havia sido apeado da direção do grupo
pelos credores. Agora, está a um milímetro de perder suas
ações.
Agora ou nunca
Será
desenrolado nesta semana o novelo dos credores com a endividada BCP, a
maior operadora de telefonia celular de banda B no país, com atuação
na Grande São Paulo.
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A
fusão é mais ampla
Alexandre Sant'Anna
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| Vasp
e Gol: unidas também? |
Antonio Milena
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Em breve será divulgada oficialmente uma informação
que cairá como uma bomba no setor aéreo. A nova empresa
de aviação que está sendo costurada pelo governo
pode ser muito mais que apenas a fusão Varig/TAM. Os planos
do governo são de convidar Gol e Vasp para fazer parte da
nova companhia. Parece, em princípio, um projeto de difícil
concretização, mas será tentado. Resta saber
o que o Cade, o xerife contra os monopólios e oligopólios,
irá dizer da idéia.
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CONSUMO
Comida para cachorro...
1
Mesmo
com a recessão atravancando a economia brasileira, o mercado de
alimentos para cães vai de vento em popa. De acordo com um levantamento
da LatinPanel/Ibope, o tamanho do mercado cresceu 16% no primeiro trimestre
em comparação com o mesmo período do ano passado.
Isso tudo mesmo com um aumento de 26% no preço médio da
ração comprada pelos donos de cães.
Comida
para cachorro... 2
Os totós brasileiros não têm do que reclamar. A média
mensal comprada por domicílio nesse período pulou de 4,9
para 5,5 quilos. Em breve, pelo visto, a expressão "um dia de cão"
vai ter seu sentido mudado.
Aliás...
A propósito, onde anda "Michele", a fox-terrier de Lula, que nunca
mais apareceu em público?
GENTE
Visão tucana
Em sua temporada na Universidade de Princeton
que, aliás, vai durar mais tempo que o previsto , José
Serra dedica-se a escrever um longo estudo acadêmico. Eis o título:
"Políticas públicas e ativismo estatal no Brasil". Nele,
Serra analisa o papel do Estado na economia e as políticas sociais
dos anos 80 até hoje. Portanto, vai analisar, também, o
período FHC. Com que intensidade crítica não se sabe
ainda.
PARTIDOS
Dança das siglas
Nos
próximos dias, vai crescer um pouquinho a bancada do PMDB no Senado.
E, na mesma proporção, vai diminuir a do PDT.
FUTEBOL
Linha de passe
Na
eleição em que Ricardo Teixeira será escolhido para
um novo mandato à frente da CBF, em julho, um dos vice-presidentes
de sua chapa já está escolhido. Será Fernando Sarney,
filho do presidente do Senado.
TELEVISÃO
Na sombra
Silvio
Santos pensou em entrar com tudo no ramo de seguro-saúde para as
classes populares. Contratou executivos e estruturou o produto, que teria
no SBT um poderoso canal de vendas. Mas SS acabou dando uma meia trava.
Demitiu todo mundo e arquivou o projeto para tempos menos sombrios.
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Chico
ainda no muro
Tasso Marcelo/AE
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| Chico:
não quer falar sobre Cuba tão cedo |
Não
foi só o abaixo-assinado internacional de apoio a Cuba, lançado
algumas semanas atrás, que Chico Buarque deixou de assinar.
Uma outra manifestação pró-Fidel, encabeçada
por Oscar Niemeyer e que está circulando entre a esquerda
brasileira, também recebeu o silêncio de Chico como
resposta para a surpresa e a decepção dos organizadores
do documento. Niemeyer chegou a insistir com o compositor. Mas nada
adiantou. Como Chico nas últimas décadas sempre declarou
imediatamente seu irrestrito apoio ao regime cubano, é razoável
supor que algo está acontecendo. Falta apenas que ele explique
o quê. Que ninguém, no entanto, espere para breve uma
declaração sua sobre o assunto. Chico está
embarcando para Paris nesta semana, para terminar seu novo livro.
E não quer dar entrevistas quando a obra for lançada.
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