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Edição 1 804 - 28 de maio de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]


GOVERNO

Preocupação caseira
José Alencar é mesmo ousado e incansável em sua cruzada contra os juros altos. Um importante integrante da equipe econômica (e põe importante nisso) contava na semana passada que o vice-presidente é capaz de chegar a extremos. Certa vez, Alencar resolveu discutir com ele o tema. Até aí, o.k. O problema é que o vice trazia o balanço da Coteminas em punho. A Coteminas, nunca é demais repetir, além de ser uma das maiores indústrias têxteis do país, é de propriedade do vice-presidente. Eis aí uma situação embaraçosa.

Jogo duro
Várias nomeações prometidas ao PMDB ainda não saíram. Estão todas em banho-maria na cozinha da Casa Civil. Uma delas é a presidência da Transpetro, uma bilionária subsidiária da Petrobras, prometida ao ex-senador e líder do governo FHC Sérgio Machado.

Contatos imediatos
Alguns grandes banqueiros e empresários têm tido contatos praticamente semanais com José Dirceu.

Romanée nunca mais
Depois da garrafa de Romanée-Conti, que ficou engasgado em sua garganta no auge da campanha eleitoral, Lula está escaldado. E reviu sua relação com os vinhos franceses. Nos jantares em que recebe convidados no Palácio da Alvorada, tem servido vinho e champanhes nacionais. Importado, só o uísque – bem, aí ninguém é de ferro.

 

ECONOMIA

Uma múlti brasileira
A CSN mal botou o pé em Portugal e já tem sonhos mais ambiciosos. Com dinheiro em caixa, Benjamin Steinbruch está conversando com as três gigantes européias do aço (Thyssen, Arcelor e Corus) para novos negócios. Vai comprar uma siderúrgica de uma das três – mais provavelmente da Corus.

Em branco
Dois integrantes do conselho de administração do BNDES não quiseram assinar o balanço do banco: Gilmar Carneiro, ligado à CUT, e Eugênio Staub. Gilmar faltou à reunião de votação, embora concorde com os números. Já o dono da Gradiente fez restrições a alguns itens do balanço. Como não fazia parte do BNDES na gestão passada, não se sentiu confortável para subscrever o documento.

Malan assina embaixo
Pedro Malan, reservado como poucos, não pretende se pronunciar publicamente sobre a decisão do BC de manter as taxas de juros em 26,5%. Aos mais chegados, porém, revelou que considera a decisão correta tecnicamente.

Cragnotti sai da Bombril
O bilionário italiano Sergio Cragnotti está prestes a deixar de ser acionista do grupo Cirio, que no Brasil controla a Bombril. Em janeiro, ele já havia sido apeado da direção do grupo pelos credores. Agora, está a um milímetro de perder suas ações.

Agora ou nunca
Será desenrolado nesta semana o novelo dos credores com a endividada BCP, a maior operadora de telefonia celular de banda B no país, com atuação na Grande São Paulo.

 

A fusão é mais ampla

Alexandre Sant'Anna
Vasp e Gol: unidas também?
Antonio Milena


Em breve será divulgada oficialmente uma informação que cairá como uma bomba no setor aéreo. A nova empresa de aviação que está sendo costurada pelo governo pode ser muito mais que apenas a fusão Varig/TAM. Os planos do governo são de convidar Gol e Vasp para fazer parte da nova companhia. Parece, em princípio, um projeto de difícil concretização, mas será tentado. Resta saber o que o Cade, o xerife contra os monopólios e oligopólios, irá dizer da idéia.

 

CONSUMO

Comida para cachorro... 1
Mesmo com a recessão atravancando a economia brasileira, o mercado de alimentos para cães vai de vento em popa. De acordo com um levantamento da LatinPanel/Ibope, o tamanho do mercado cresceu 16% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso tudo mesmo com um aumento de 26% no preço médio da ração comprada pelos donos de cães.

Comida para cachorro... 2
Os totós brasileiros não têm do que reclamar. A média mensal comprada por domicílio nesse período pulou de 4,9 para 5,5 quilos. Em breve, pelo visto, a expressão "um dia de cão" vai ter seu sentido mudado.

Aliás...
A propósito, onde anda "Michele", a fox-terrier de Lula, que nunca mais apareceu em público?

 

GENTE

Visão tucana
Em sua temporada na Universidade de Princeton – que, aliás, vai durar mais tempo que o previsto –, José Serra dedica-se a escrever um longo estudo acadêmico. Eis o título: "Políticas públicas e ativismo estatal no Brasil". Nele, Serra analisa o papel do Estado na economia e as políticas sociais dos anos 80 até hoje. Portanto, vai analisar, também, o período FHC. Com que intensidade crítica não se sabe ainda.

 

PARTIDOS

Dança das siglas
Nos próximos dias, vai crescer um pouquinho a bancada do PMDB no Senado. E, na mesma proporção, vai diminuir a do PDT.

 

FUTEBOL

Linha de passe
Na eleição em que Ricardo Teixeira será escolhido para um novo mandato à frente da CBF, em julho, um dos vice-presidentes de sua chapa já está escolhido. Será Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

 

TELEVISÃO

Na sombra
Silvio Santos pensou em entrar com tudo no ramo de seguro-saúde para as classes populares. Contratou executivos e estruturou o produto, que teria no SBT um poderoso canal de vendas. Mas SS acabou dando uma meia trava. Demitiu todo mundo e arquivou o projeto para tempos menos sombrios.

 

Chico ainda no muro

 
Tasso Marcelo/AE
Chico: não quer falar sobre Cuba tão cedo

Não foi só o abaixo-assinado internacional de apoio a Cuba, lançado algumas semanas atrás, que Chico Buarque deixou de assinar. Uma outra manifestação pró-Fidel, encabeçada por Oscar Niemeyer e que está circulando entre a esquerda brasileira, também recebeu o silêncio de Chico como resposta – para a surpresa e a decepção dos organizadores do documento. Niemeyer chegou a insistir com o compositor. Mas nada adiantou. Como Chico nas últimas décadas sempre declarou imediatamente seu irrestrito apoio ao regime cubano, é razoável supor que algo está acontecendo. Falta apenas que ele explique o quê. Que ninguém, no entanto, espere para breve uma declaração sua sobre o assunto. Chico está embarcando para Paris nesta semana, para terminar seu novo livro. E não quer dar entrevistas quando a obra for lançada.



 
 

 

   
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