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Pais
que espionam
os filhos
Famílias
contratam detetives particulares
para
descobrir se jovens usam drogas
Rosana
Zakabi
Claudio Rossi
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A
detetive Lucilene Victório na porta de
uma escola:
400 reais por dia
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Qualquer família entra em desespero quando descobre
que um de seus membros se envolveu com drogas. Não há receita
fácil para lidar com essa situação dilaceradora.
Pior ainda é decidir o que fazer quando não se sabe e apenas
se desconfia. Uma solução drástica está se
tornando comum entre as famílias de classe média: contratar
um detetive para tirar a dúvida a limpo. Investigar jovens de classe
média para saber se há envolvimento com drogas é
hoje o serviço mais solicitado às agências de detetives
particulares, atrás apenas dos casos de infidelidade matrimonial.
A maioria da clientela mora em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas
também há demanda pelo serviço no Espírito
Santo, Brasília, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul. A investigação
é simples, na maioria das vezes. Os detetives seguem o jovem desde
o momento em que sai de casa até a hora em que retorna. Em alguns
casos, grampeiam os telefones da casa, vasculham os e-mails do investigado
e usam disfarce para se aproximar de seus amigos.
A suspeita dos pais é confirmada em 90% dos casos. "Geralmente
eles já sabem que o filho usa entorpecentes", diz Rafael Gomes,
da agência Márcia e Rafael, do Rio. "Os clientes querem apenas
provas concretas, como fotos e vídeos, para encostar o filho na
parede", diz ele. Os investigados em geral têm entre 13 e 20 anos,
pertencem à classe média alta e compram drogas diretamente
em favelas, botecos, lanchonetes da periferia e até dentro do próprio
colégio em que estudam. Em um caso, uma agência instalou
uma microcâmera no banheiro do cliente. A mãe tinha encontrado
resíduos de pó na pia e no espelho e desconfiou que o filho
consumia cocaína. Muitas vezes, o adolescente é flagrado
entrando numa favela da periferia. "Ele fica olhando para os lados e anda
rápido, com medo de que descubram que está fazendo algo
de errado", conta Lucilene Victório, chefe do departamento de investigação
do Instituto Universal dos Detetives Particulares, em São Paulo.
Em Brasília, é mais freqüente que a droga seja comprada
dentro da escola. "São alunos que adquirem grandes quantidades
de traficantes e distribuem entre os colegas", diz Edilmar Lima, diretor
da Central Única Federal dos Detetives do Brasil.
A investigação dura, em média, duas semanas e o preço
é salgado: varia de 400 a 600 reais por dia. "Desvendamos o caso
com rapidez porque nenhum viciado consegue passar mais que duas semanas
sem usar drogas", diz Gomes, da Márcia e Rafael. Quando os pais
decidem colocar um investigador atrás do filho é porque
a situação familiar chegou ao limite. O jovem vai mal na
escola, abandonou os amigos e a namorada, vive irritado, briga com os
pais e tem insônia. Ainda assim, nem sempre o resultado é
o melhor. "Se o filho não usar drogas e descobrir que está
sendo seguido, o relacionamento com os pais desabará de vez", afirma
a educadora Tânia Zagury, autora de vários livros sobre adolescentes,
entre eles Adolescente por Ele Mesmo, da Editora Record. "Mas,
se não existir diálogo na família, o filho só
vai admitir o problema diante de provas." Para o psiquiatra paulista Içami
Tiba, especialista em adolescentes, essa é a melhor forma de tentar
salvar o jovem viciado em drogas. "Nem todos os drogados têm cura",
diz Tiba. "Portanto, quanto mais cedo se descobrir o vício, seja
por qual método for, melhor."
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