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Para
não perder a guerra
Tasso Marcelo/AE
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| Batida
policial no Rio de Janeiro: sob o domínio dos reis da droga
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Uma reportagem especial de VEJA desta semana traça um assustador
mapa da penetração do narcotráfico e do crime organizado
na sociedade brasileira. A matéria relata a crescente ousadia dos
traficantes com seus tentáculos estendidos rumo aos poderes constituídos,
em uma ofensiva que já produziu escândalos no Legislativo,
nos tribunais superiores do país e fez de um Estado, o Espírito
Santo, uma zona livre da bandidagem que só agora começa
a ser retomada das mãos dos marginais.
Na semana passada, eclodiu no Rio de Janeiro uma história espantosa
que tem o narcotráfico como tema. O coronel Erir Ribeiro, da Polícia
Militar, acusou um secretário de Estado, Francisco de Carvalho,
dos Esportes, de procurá-lo no quartel com o pedido de que seus
comandados "dessem uma trégua" aos traficantes do Morro da Mangueira,
cujos negócios estavam sendo prejudicados pela ação
da polícia. A denúncia, prontamente negada pelo secretário,
teve como resultado até agora apenas a punição do
coronel, que chegou a ficar preso no quartel. O governo do Rio mandou
abrir inquérito para saber quem está falando a verdade.
A simples denúncia do coronel, que se referiu a "pressões
políticas" em seu discurso de transmissão do cargo de comandante
de batalhão na semana passada (sim, ele foi destituído),
já é estarrecedora.
VEJA vem cumprindo seu papel de reverberar a indignação
da sociedade com o constante adiamento das soluções para
conter o crime organizado. São freqüentes as reportagens da
revista alertando para a urgência de ações nesse terreno,
antes que o Brasil se transforme numa Colômbia. No Rio de Janeiro,
traficantes colocam fogo em ônibus, jogam bombas em prédios
e atacam a própria polícia a tiros. Sinais de colombização
já estão por aí. É preciso agir rigorosamente
contra isso. Antes que seja tarde.
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