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Edição 1 804 - 28 de maio de 2003
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Para não perder a guerra

Tasso Marcelo/AE
Batida policial no Rio de Janeiro: sob o domínio dos reis da droga

Uma reportagem especial de VEJA desta semana traça um assustador mapa da penetração do narcotráfico e do crime organizado na sociedade brasileira. A matéria relata a crescente ousadia dos traficantes com seus tentáculos estendidos rumo aos poderes constituídos, em uma ofensiva que já produziu escândalos no Legislativo, nos tribunais superiores do país e fez de um Estado, o Espírito Santo, uma zona livre da bandidagem que só agora começa a ser retomada das mãos dos marginais.

Na semana passada, eclodiu no Rio de Janeiro uma história espantosa que tem o narcotráfico como tema. O coronel Erir Ribeiro, da Polícia Militar, acusou um secretário de Estado, Francisco de Carvalho, dos Esportes, de procurá-lo no quartel com o pedido de que seus comandados "dessem uma trégua" aos traficantes do Morro da Mangueira, cujos negócios estavam sendo prejudicados pela ação da polícia. A denúncia, prontamente negada pelo secretário, teve como resultado até agora apenas a punição do coronel, que chegou a ficar preso no quartel. O governo do Rio mandou abrir inquérito para saber quem está falando a verdade. A simples denúncia do coronel, que se referiu a "pressões políticas" em seu discurso de transmissão do cargo de comandante de batalhão na semana passada (sim, ele foi destituído), já é estarrecedora.

VEJA vem cumprindo seu papel de reverberar a indignação da sociedade com o constante adiamento das soluções para conter o crime organizado. São freqüentes as reportagens da revista alertando para a urgência de ações nesse terreno, antes que o Brasil se transforme numa Colômbia. No Rio de Janeiro, traficantes colocam fogo em ônibus, jogam bombas em prédios e atacam a própria polícia a tiros. Sinais de colombização já estão por aí. É preciso agir rigorosamente contra isso. Antes que seja tarde.

 
 
   
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