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A condessa desbocada A ex-mulher de Chiquinho
Scarpa
– Por que o casamento não deu certo? – perguntou Ratinho. – Você gastava muito? – Não, foi porque Chiquinho Scarpa é gay – ela respondeu na lata. – Mas antes do casamento não teve nada? – Teve, teve sim... Depois de cinco meses que estávamos juntos. – Cinco meses para c... você? E o ibope a mil por hora. No Leão Livre, a coisa fora pior ainda. Para explicar o rompimento, Carola disse o seguinte: "Eu o encontrei na cama com dois homens". Ratinho guardou esse trecho para coroar o programa de sexta.
A história de Carola, paulistana de 28 anos, 1,65 metro e 50 quilos, apesar de algumas lacunas ainda misteriosas, tem elementos de folhetim. Ela é filha do diretor de televisão Carlos Augusto Oliveira, o Guga, que saiu recentemente da Record, e sobrinha de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-todo-poderoso da Globo. A deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), ex-ministra do governo Itamar, é sua tia materna. Em 1990, depois de participar como atriz coadjuvante da novela Cortina de Vidro, produzida por seu pai para o SBT, Carola saiu do país. Viveu em Nova York, Miami, Los Angeles e Las Vegas. Foi depois para Israel, com um agente de segurança, pai de seu filho. Nos Estados Unidos, segundo acredita a família Scarpa, ela teria vivido com um mafioso americano que trabalhava para o notório chefão John Gotti Junior. "É verdade, conheci Gotti bastante bem", confirma Carola, que se recusa a dar maiores esclarecimentos sobre esse período nebuloso de sua biografia.
Há trinta anos Chiquinho vem cumprindo uma rotina estafante. No antigo casarão da família, ele acorda ao meio-dia, faz as mãos e os pés duas vezes por semana, cuida das sobrancelhas e deixa separados os trajes que usará nos sete dias seguintes. Tem um guarda-roupa assombroso, arrumado em três closets. Só de sapatos, são 58 pares. Usa cuecas brancas numeradas, de 1 a 21, para não repeti-las, todas iguais e bordadas com o brasão dos Scarpa e suas iniciais. Devidamente aprumado, sai para ir a eventos, comemorações, casas noturnas e restaurantes da moda. Vai em seu Rolls-Royce 76, acompanhado de seguranças que contrata por dia. Pródigo, deixa gorjetas de 100 reais para garçons, mas em muitos casos cobra cachês entre 2 000 e 5 000 reais por sua presença em festas. Segundo ele, o dinheiro é doado para entidades beneficentes. Suas aparições, de acordo com os registros do próprio Chiquinho, que é uma pessoa minuciosa e organizada, estão registradas em 494 fitas de vídeo e 15 800 recortes de notícias. Ele também colecionava 3.675 pôsteres em que aparece ao lado de amigos, namoradas, colunáveis e personalidades. As fotos estão praticamente perdidas. Durante a crise conjugal, num acesso de fúria, Carola destruiu quase todas. "Fui uma besta" – Chiquinho já fez muita besteira na vida. Em 1977, por exemplo, foi interpelado judicialmente pelo príncipe Rainier, de Mônaco, depois que insinuou na televisão ter vivido uma suposta cena de alcova com a princesa Caroline. Como ele se retratou, Rainier retirou o processo. Oito anos atrás, gerou discursos de protesto na Câmara dos Deputados por causa de uma entrevista delirante em que declarou ser dono de uma "criação de anões", que alugaria para trabalhar como garçons, e de um escravo pessoal em Marrocos. Apesar dessas asneiras e das constantes palhaçadas, ele é considerado pelos amigos um homem leal, divertido e generoso. Cinco de suas ex-namoradas o descrevem como uma pessoa bem-humorada, vaidosa e galante, além de um tanto megalomaníaca. Pelo menos uma delas garante que irá depor em juízo defendendo sua reputação. Nenhuma admite que seja gay. "Era um bom amante", afirma a banqueteira Renata Fontoura, que o namorou durante cinco anos. O grande erro do playboy, que permanecia solteirão aos 47 anos, foi o casamento. Montado como um megaevento de mídia, com transmissão por dois telões, rendeu aos noivos uma cobertura na imprensa e na televisão superada apenas pelo escândalo da separação. A festa não custou nada para eles. Das 5 000 flores que decoraram a igreja à recepção para 350 pessoas, tudo foi arrumado em troca de algum tipo de publicidade. Eles ganharam dos convidados 1 200 presentes, pelos cálculos sempre exagerados de Chiquinho. "Eu pensava que estava vivendo um conto de fadas real com meu príncipe", jura Carola. "Achei que era a mulher de minha vida", jura Chiquinho, que durante o breve namoro mandou pintar um enorme quadro do rosto de sua amada e o colocou no banheiro. De tão grande, o retrato ocupa uma parede inteira. Ele casou contra a vontade dos pais e desprezando a opinião dos amigos. A um deles, desabafou na semana passada: "Fui uma besta e me estrepei. Eu sabia quem era ela, mas estava apaixonado". O que Chiquinho mais ouviu em seu círculo é que Carola seria uma alpinista social e que, em diversas ocasiões, uma moça muito parecida com ela, apelidada de "Anjinho", fora vista circulando em um café da noite paulista freqüentado por homens desacompanhados. O então proprietário afirma ter encontrado várias vezes essa pessoa em seu estabelecimento. "Ela é muito oferecida", acha a promoter Alice Cavalcanti, amiga de Chiquinho.
Na sexta-feira passada, Boni, o tio mais famoso de Carola, ria de toda
a história. "É o melhor programa para ser visto na TV, melhor até
que Zorra Total", disse. "Tudo foi muito engraçado, do
casamento à separação. No dia do casamento, quando me perguntaram se não
tinha dó de ver a pobre da minha sobrinha casando com o Chiquinho, comentei
que tinha mais dó do pobre do Chiquinho."
Com reportagem de
Valéria França
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