Ataque ao manobrista

Quadrilhas especializadas roubam carros
na porta de restaurantes em São Paulo

Leandro Loyola

 

 

Fonte: Cadastro Nacional de Veículos Roubados
 


Você já deixou o carro com o manobrista ao ir a um restaurante? Se sim, talvez faça diferente depois de ler esta reportagem. Incomodadas com a qualidade e a quantidade, cada vez maior, dos alarmes antifurto, algumas quadrilhas perceberam que é muito mais fácil roubar um carro no momento em que o manobrista o estaciona. A chance de reação é inexistente, os alarmes estão desligados, uma eventual blindagem não terá efeito porque o manobrista está entrando no carro ou saindo nem será preciso fazer ligação direta. É virar a chave e sair. "Nos restaurantes, os carros tornam-se uma presa mais fácil do que na garagem de casa ou mesmo na rua", afirma o delegado Manoel Camassa, da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos paulistana. "Ninguém irá suspeitar quando o manobrista sair e o ladrão entrar. Ficará parecendo que é o dono do carro."

Por que eles querem o importado

O bandido consegue revender um carro nacional roubado por
300 reais

Pelo modelo importado, ele ganha até
3 000 reais

Em São Paulo, a nova modalidade de roubo ronda os restaurantes de luxo. Um grupo de cinco homens com pistolas e submetralhadoras Uzi levou três carros da marca Mercedes de clientes do restaurante PianoForte, um dos bons endereços da cidade. No estacionamento do badalado restaurante Gero, quatro homens sumiram com um luxuoso Jaguar, de 200.000 dólares. Todos os anos são furtados 244000 veículos. Dá um para cada 100 em circulação. Nove de cada dez carros roubados são nacionais, como o Gol e o Uno. A lista dos mais visados varia de Estado para Estado. No Estado agrícola de Tocantins, as caminhonetes D-20 são as mais furtadas. No Rio Grande do Sul é o Palio. O Estado campeão em assaltos é São Paulo, onde um veículo é roubado a cada seis minutos. São mais de 80.000 furtos por ano.

A singularidade de São Paulo está nas quadrilhas craques em roubar importados e revendê-los rapidamente. Um dos Mercedes furtados no PianoForte foi achado dois dias depois no interior de São Paulo. Seria enviado ao Chile, com placas e documentos falsificados. Já tinha comprador garantido. A ação também é rápida. Os ladrões chegam armados, pedem modelos específicos e fogem sem confusão. "Apesar da segurança não dá para fazer nada contra bandidos armados com metralhadoras", diz Rogério Fasano, dono dos restaurantes Fasano, Gero e Parigi. "Ninguém está preparado para uma situação dessas." No mercado da receptação, um carro nacional é vendido por 300 reais. Já um importado vale até 3.000 reais. Por isso, cresce o perigo dos modelos estrangeiros. Eles são 5% da frota nacional, mas representam 10% dos registros de roubos. As seguradoras sentem o efeito. Quem tem um carro importado na lista dos mais visados por ladrões paga um prêmio 50% maior pelo seguro.







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