Edição 1851 . 28 de abril de 2004

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DVDs

A Lista de Schindler (Schindler's List, Estados Unidos, 1993. Universal) – Steven Spielberg gosta de fazer suspense com o lançamento de seus filmes em DVD, mas geralmente a espera vale a pena. Com edição caprichada e em disco duplo, a história do alemão que salvou mais de 1.000 judeus do holocausto usando de expedientes junto a seus amigos nazistas traz impressionantes depoimentos de sobreviventes dos campos de concentração da II Guerra Mundial – muitos deles salvos pelo protagonista. Trata-se de parte do material colhido pela Fundação Shoah, que o diretor criou para manter viva a história oral das vítimas do nazismo. E, como Spielberg mesmo se apressa em admitir, não raro esses testemunhos se mostram mais potentes do que o próprio filme.

Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story, Estados Unidos, 1940. Classicline) – A socialite arrogante que em dado momento se vê obrigada a baixar a crista é o papel definitivo de Katharine Hepburn – aqui, na excelente companhia de Cary Grant e James Stewart. O primeiro é o ex-marido que quer impedir o segundo casamento de Katharine com um arrivista social, e o segundo faz o repórter que acaba meio caído pela personagem da sua notícia. O trio de protagonistas está no seu melhor, a direção de George Cukor combina à perfeição guerra dos sexos com luta de classes e os diálogos são um perigo de tão afiados – mais motivo ainda para que a distribuidora mostrasse maior cuidado com a tradução.

 

LIVROS

Fama e Anonimato, de Gay Talese (tradução de Luciano Vieira Machado; Companhia das Letras; 535 páginas; 52 reais) – Ao lado de Tom Wolfe, Gay Talese é um dos grandes expoentes do chamado new journalism, escola de jornalismo americana que usava recursos literários nas reportagens. O livro inclui um clássico do ensaio jornalístico – "Como não entrevistar Frank Sinatra", de 1965. Sinatra não concedeu entrevista a Talese, que mesmo assim escreveu o perfil definitivo do cantor. Além de retratar personalidades como Sinatra e o ator Peter O'Toole, Talese também tem um faro ímpar para o drama do homem comum. Um dos melhores textos do livro narra a construção de uma ponte em Nova York, registrando o ponto de vista dos operários e dos moradores locais. Leia trecho.

Tratado dos Excitantes Modernos, de Honoré de Balzac (tradução de Zilda Hutchinson Schild Silva e Carlos Nougué; Landy; 79 páginas; 20 reais) – Nome fundamental do romance realista, Balzac traçou um painel amplo da sociedade francesa na sua monumental Comédia Humana. A ironia cáustica com que observava os hábitos sociais pode ser atestada neste Tratado, breve ensaio humorístico em que o autor examina as grandes "drogas" de sua época: a aguardente, o café e o tabaco. O livro ainda traz dois outros ensaios em que Balzac exercita sua observação social, Fisiologia do Vestir e Fisiologia Gastronômica. Uma pena que os revisores pareciam estar sob a influência de algum "excitante moderno": deixaram passar "embriaguês" na contracapa e na orelha.

Oryx e Crake, de Margaret Atwood (tradução de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 341 páginas; 41,50 reais) – A canadense Margaret Atwood estava escrevendo esse romance quando aconteceram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Pensou até em abandonar o livro, pois os fatos estariam ficando, segundo ela, estranhamente parecidos com sua ficção. O romance é um retorno à ficção científica, já explorada pela autora em A História de Aia. O personagem central, chamado de Homem das Neves, esfomeado em um deserto pós-apocalíptico povoado de criaturas estranhas e ameaçadoras, tenta entender que espécie de catástrofe aconteceu ao mundo. Uma peça de futurismo desolador.

 

DISCOS

 
Divulgação
Diana Krall: a "nova musa do jazz" se arrisca como compositora  

The Girl in the Other Room, Diana Krall (Universal) – Esse disco representa um passo adiante na carreira da pianista e cantora canadense. Diana Krall foi agraciada com o título de "nova musa do jazz" graças às belas releituras que fez de clássicos do gênero. Em The Girl in the Other Room, no entanto, ela se arrisca no posto de compositora. Seis das doze músicas do CD foram escritas por Diana e seu novo marido, o cantor e compositor Elvis Costello. Ela disse numa entrevista recente que Costello se inspirou na boa vida da dupla para criar temas românticos. Um bom exemplo é a faixa-título, uma das músicas mais belas cantadas por Diana. As outras seis canções do CD são blues, baladas pop e uma belíssima versão de Temptation, de Tom Waits.

 
Divulgação
Byrne: misturas que, desta vez, soam prazerosas  

Grown Backwards, David Byrne (Warner) – O cantor e compositor escocês David Byrne sempre se esforçou para combinar o rock americano com sonoridades "exóticas", sobretudo do Terceiro Mundo. Poucas vezes o resultado soou tão prazeroso quanto em Grown Backwards, seu décimo disco-solo. O álbum mistura diversos gêneros, que vão de ritmos dançantes da África e da América Latina a trechos das óperas La Traviata, do italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), e O Pescador de Pérolas, do francês Georges Bizet (1838-1875). Aparentemente irreconciliáveis, esses ingredientes dão origem a um prato saboroso. Entre os destaques de Grown Backwards estão o dueto com o cantor Rufus Wainwright em Au Fond du Temple Saint e Lazy, parceria de Byrne com o grupo dance X-Press 2.

 

 

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