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VEJA
Recomenda
DVDs
A
Lista de Schindler (Schindler's List, Estados Unidos, 1993.
Universal) Steven Spielberg gosta de fazer suspense com o
lançamento de seus filmes em DVD, mas geralmente a espera
vale a pena. Com edição caprichada e em disco duplo,
a história do alemão que salvou mais de 1.000 judeus
do holocausto usando de expedientes junto a seus amigos nazistas
traz impressionantes depoimentos de sobreviventes dos campos de
concentração da II Guerra Mundial muitos deles
salvos pelo protagonista. Trata-se de parte do material colhido
pela Fundação Shoah, que o diretor criou para manter
viva a história oral das vítimas do nazismo. E, como
Spielberg mesmo se apressa em admitir, não raro esses testemunhos
se mostram mais potentes do que o próprio filme.
Núpcias
de Escândalo (The Philadelphia Story, Estados Unidos,
1940. Classicline) A socialite arrogante que em dado momento
se vê obrigada a baixar a crista é o papel definitivo
de Katharine Hepburn aqui, na excelente companhia de Cary
Grant e James Stewart. O primeiro é o ex-marido que quer
impedir o segundo casamento de Katharine com um arrivista social,
e o segundo faz o repórter que acaba meio caído pela
personagem da sua notícia. O trio de protagonistas está
no seu melhor, a direção de George Cukor combina à
perfeição guerra dos sexos com luta de classes e os
diálogos são um perigo de tão afiados
mais motivo ainda para que a distribuidora mostrasse maior cuidado
com a tradução.
LIVROS
Fama
e Anonimato, de Gay Talese (tradução de Luciano
Vieira Machado; Companhia das Letras; 535 páginas; 52 reais)
Ao lado de Tom Wolfe, Gay Talese é um dos grandes
expoentes do chamado new journalism, escola de jornalismo
americana que usava recursos literários nas reportagens.
O livro inclui um clássico do ensaio jornalístico
"Como não entrevistar Frank Sinatra", de 1965. Sinatra
não concedeu entrevista a Talese, que mesmo assim escreveu
o perfil definitivo do cantor. Além de retratar personalidades
como Sinatra e o ator Peter O'Toole, Talese também tem um
faro ímpar para o drama do homem comum. Um dos melhores textos
do livro narra a construção de uma ponte em Nova York,
registrando o ponto de vista dos operários e dos moradores
locais. Leia
trecho.
Tratado
dos Excitantes Modernos, de Honoré de Balzac (tradução
de Zilda Hutchinson Schild Silva e Carlos Nougué; Landy;
79 páginas; 20 reais) Nome fundamental do romance
realista, Balzac traçou um painel amplo da sociedade francesa
na sua monumental Comédia Humana. A ironia cáustica
com que observava os hábitos sociais pode ser atestada neste
Tratado, breve ensaio humorístico em que o autor examina
as grandes "drogas" de sua época: a aguardente, o café
e o tabaco. O livro ainda traz dois outros ensaios em que Balzac
exercita sua observação social, Fisiologia do Vestir
e Fisiologia Gastronômica. Uma pena que os revisores
pareciam estar sob a influência de algum "excitante moderno":
deixaram passar "embriaguês" na contracapa e na orelha.
Oryx
e Crake, de Margaret Atwood (tradução de Léa
Viveiros de Castro; Rocco; 341 páginas; 41,50 reais)
A canadense Margaret Atwood estava escrevendo esse romance quando
aconteceram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Pensou
até em abandonar o livro, pois os fatos estariam ficando,
segundo ela, estranhamente parecidos com sua ficção.
O romance é um retorno à ficção científica,
já explorada pela autora em A História de Aia.
O personagem central, chamado de Homem das Neves, esfomeado em um
deserto pós-apocalíptico povoado de criaturas estranhas
e ameaçadoras, tenta entender que espécie de catástrofe
aconteceu ao mundo. Uma peça de futurismo desolador.
DISCOS
Divulgação
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| Diana
Krall: a "nova musa do jazz" se arrisca como compositora |
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The
Girl in the Other Room, Diana Krall (Universal) Esse
disco representa um passo adiante na carreira da pianista e cantora
canadense. Diana Krall foi agraciada com o título de "nova
musa do jazz" graças às belas releituras que fez de
clássicos do gênero. Em The Girl in the Other Room,
no entanto, ela se arrisca no posto de compositora. Seis das doze
músicas do CD foram escritas por Diana e seu novo marido,
o cantor e compositor Elvis Costello. Ela disse numa entrevista
recente que Costello se inspirou na boa vida da dupla para criar
temas românticos. Um bom exemplo é a faixa-título,
uma das músicas mais belas cantadas por Diana. As outras
seis canções do CD são blues, baladas pop e
uma belíssima versão de Temptation,
de Tom Waits.
Divulgação
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| Byrne:
misturas que, desta vez, soam prazerosas |
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Grown
Backwards, David Byrne (Warner) O cantor e compositor
escocês David Byrne sempre se esforçou para combinar
o rock americano com sonoridades "exóticas", sobretudo do
Terceiro Mundo. Poucas vezes o resultado soou tão prazeroso
quanto em Grown Backwards, seu décimo disco-solo.
O álbum mistura diversos gêneros, que vão de
ritmos dançantes da África e da América Latina
a trechos das óperas La Traviata, do italiano Giuseppe
Verdi (1813-1901), e O Pescador de Pérolas, do francês
Georges Bizet (1838-1875). Aparentemente irreconciliáveis,
esses ingredientes dão origem a um prato saboroso. Entre
os destaques de Grown Backwards estão o dueto com
o cantor Rufus Wainwright em Au Fond du Temple Saint e Lazy,
parceria de Byrne com o grupo dance X-Press 2.
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