Edição 1851 . 28 de abril de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Lya Luft
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
Um choque de credibilidade


AP
Greenspan: é bom estar preparado para o fim da calmaria macroeconômica

Está se fechando a janela de oportunidades aberta para o Brasil com a temporada de juros baixos na economia americana. Na semana passada, o presidente do Fed, o banco central americano, Alan Greenspan, diagnosticou que a vitalidade da atividade econômica nos Estados Unidos exigirá daqui para a frente a correção para cima dos juros básicos do país, fixados em 1% ao ano. A fala de Greenspan produziu efeitos imediatos sobre os países emergentes, em geral dependentes de capitais externos, que tendem agora a se desviar para os EUA em busca do binômio segurança e rentabilidade. No Brasil, a bolsa caiu, enquanto o dólar e o risco-país subiram. São sintomas clássicos emitidos pelo mercado quando fareja o fim de um período de calmaria macroeconômica. Como vem ocorrendo com o Brasil há muitos anos, os efeitos adversos externos repercutem mais fortemente aqui do que em outras economias em desenvolvimento de igual porte. Pouco depois da fala do oráculo do Fed, o risco Brasil já batia em um valor 40% acima da média dos países emergentes.

Há diversas explicações para esse aparente mau humor externo com relação ao Brasil. A primeira é a vulnerabilidade de um país cuja dívida pública equivale a quase 60% do produto interno bruto (PIB) – e que continua crescendo a despeito do formidável superávit fiscal promovido pelo governo. A segunda é uma razão aparentemente mais sutil, mas cujo poder de nocaute não pode ser desprezado. Aos olhos do competitivo mundo financeiro internacional, não basta ser bom. É preciso ser melhor do que os outros. Mais do que isso, é vital mostrar que se está perseguindo um rumo compatível com as complexas interações da economia globalizada. O Brasil teve nas negociações da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, a chance de sinalizar esse rumo com clareza. A chance foi jogada pela janela. Absorvido por questões artificialmente turbinadas por interesses políticos anacrônicos, como a reforma agrária e um agora inteiramente injustificado "movimento indígena", o governo deixou as negociações da Alca descer silenciosamente pelo ralo. Com isso mostrou desdém pelo voraz mercado importador americano, justamente no momento em que ele começa a se aquecer. Com o aumento dos juros sinalizado por Greenspan, o Brasil dependerá cada vez mais vitalmente do aumento de suas exportações. A ideologia que deixou a Alca morrer não nos será de nenhuma utilidade neste momento crítico.

 
 
 
 
topo voltar