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Carta
ao leitor
Um
choque de credibilidade
AP
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| Greenspan:
é bom estar preparado para o fim da calmaria macroeconômica
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Está
se fechando a janela de oportunidades aberta para o Brasil com a
temporada de juros baixos na economia americana. Na semana passada,
o presidente do Fed, o banco central americano, Alan Greenspan,
diagnosticou que a vitalidade da atividade econômica nos Estados
Unidos exigirá daqui para a frente a correção
para cima dos juros básicos do país, fixados em 1%
ao ano. A fala de Greenspan produziu efeitos imediatos sobre os
países emergentes, em geral dependentes de capitais externos,
que tendem agora a se desviar para os EUA em busca do binômio
segurança e rentabilidade. No Brasil, a bolsa caiu, enquanto
o dólar e o risco-país subiram. São sintomas
clássicos emitidos pelo mercado quando fareja o fim de um
período de calmaria macroeconômica. Como vem ocorrendo
com o Brasil há muitos anos, os efeitos adversos externos
repercutem mais fortemente aqui do que em outras economias em desenvolvimento
de igual porte. Pouco depois da fala do oráculo do Fed, o
risco Brasil já batia em um valor 40% acima da média
dos países emergentes.
Há
diversas explicações para esse aparente mau humor
externo com relação ao Brasil. A primeira é
a vulnerabilidade de um país cuja dívida pública
equivale a quase 60% do produto interno bruto (PIB) e que
continua crescendo a despeito do formidável superávit
fiscal promovido pelo governo. A segunda é uma razão
aparentemente mais sutil, mas cujo poder de nocaute não pode
ser desprezado. Aos olhos do competitivo mundo financeiro internacional,
não basta ser bom. É preciso ser melhor do que os
outros. Mais do que isso, é vital mostrar que se está
perseguindo um rumo compatível com as complexas interações
da economia globalizada. O Brasil teve nas negociações
da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas,
a chance de sinalizar esse rumo com clareza. A chance foi jogada
pela janela. Absorvido por questões artificialmente turbinadas
por interesses políticos anacrônicos, como a reforma
agrária e um agora inteiramente injustificado "movimento
indígena", o governo deixou as negociações
da Alca descer silenciosamente pelo ralo. Com isso mostrou desdém
pelo voraz mercado importador americano, justamente no momento em
que ele começa a se aquecer. Com o aumento dos juros sinalizado
por Greenspan, o Brasil dependerá cada vez mais vitalmente
do aumento de suas exportações. A ideologia que deixou
a Alca morrer não nos será de nenhuma utilidade neste
momento crítico.
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