Ninguém
Pode Saber(Dare
Mo Shiranai, Japão, 2004. Imovision)
Keiko tem quatro filhos entre os 5 e os 12 anos de idade, cada um de um
pai diferente, entre os quais ela é que parece ser a criança. Por
motivos não explicados, ela não deixa nenhum deles ir à escola
e quer que a vizinhança conheça a existência apenas de Akira,
o mais velho. Os outros têm de viver em segredo no apartamento que acabaram
de alugar. Certo dia, Keiko se vai e não volta. Do início, em que
Akira pensa ser possível manter alguma normalidade na casa, ao final, em
que o futuro das crianças já se desfez antes de acontecer, o filme
do grande diretor japonês Hirokazu Koreeda é um exercício
de paciência que em nada se compara, porém, àquele
enfrentado por seus tristes personagens. Veja
cenas.
M*A*S*H A Primeira
Temporada (Estados Unidos, 1972. Fox) Houve uma época em
que, em Hollywood, os filmes é que davam origem a séries, e não
o contrário. Retendo do MASH de Robert Altman, lançado em
1970, o protagonista Alan Alda, o senso de humor irreverente e o entrecho
durante a Guerra da Coréia, uma equipe médica móvel salva
vidas mas não poupa ninguém de uma troça , a série
durou onze temporadas, ao fim das quais já dava mostras visíveis
de cansaço. Estes primeiros 24 episódios, porém, fazem jus
à fama e aos prêmios que o seriado conquistou. O ritmo, é
verdade, não tem nada a ver com o da televisão de hoje, mas as piadas
ainda funcionam. Sinal de respeito ao consumidor: pode-se assistir à série
na versão em inglês, com e sem a detestável "trilha de risadas",
ou ainda na excelente dublagem original brasileira.
LIVROS
O
Calcanhar do Aquiles, de Duda Teixeira (Arquipélago Editorial;
224 páginas; 34 reais) Da filosofia de Platão e Aristóteles
aos jogos olímpicos, os gregos antigos lançaram as fundações
daquilo que hoje se entende por "civilização ocidental". Não
é de estranhar que a imagem idealizada que ficou da Grécia Antiga
seja a de um lugar rigorosamente ordenado segundo proporções clássicas
entalhadas em mármore. O jornalista de VEJA Duda Teixeira apresenta uma
Grécia mais informal e acessível mas não menos fascinante
em O Calcanhar do Aquiles. Dividido em capítulos temáticos,
o livro é uma coletânea de curiosidades sobre os gregos, do hábito
de misturar pimenta ao vinho às arrepiantes práticas cirúrgicas
do médico Hipócrates. Leia
trecho.
Divulgação
Bonvicino: na tradição
de Dos Anjos
Página
Órfã, de Régis Bonvicino (Martins; 136 páginas;
29 reais) Augusto dos Anjos, um dos mais estranhos poetas brasileiros,
definiu-se como "aquele que ficou sozinho / Cantando sobre os ossos do caminho
/ A poesia de tudo quanto é morto". Quase um século depois, pode-se
dizer que Régis Bonvicino, um dos mais destacados poetas contemporâneos
do Brasil, coloca-se na mesma tradição. É um cantor da matéria
desprezada mas com um novo acento, talvez mais agressivo, marcado pelo
gigantismo urbano de São Paulo, sua cidade natal. Os poemas de Página
Órfã buscam sua matéria no lixo, na poluição,
nos ratos, nos mendigos, em contraste irônico com os outdoors publicitários
onde figuram modelos decadentes. "Há cacos de vidro na comida todos os
dias", diz um de seus contundentes versos. Leia
trecho.
DISCOS
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The Stooges: velhinhos, mas dignos
The
Weirdness,The Stooges (EMI) Em 1973,
o Stooges era o máximo de subversão que se poderia esperar de uma
banda de rock. Tinha um guitarrista talentoso, Ron Asheton, e um cantor
Iggy Pop que não conhecia limites. Pop era capaz de se cortar no
palco e se movia como uma lagartixa sendo eletrocutada (anos mais tarde, o jornalista
Nick Kent entregou que a intensidade das performances dependia da quantidade de
drogas consumidas antes da apresentação). Weirdness, CD que
marca o retorno do Stooges depois de um hiato de 34 anos, não tem as canções
incendiárias do início de carreira. Mas faixas como Free and
Freaky e You Can't Have Friends, em que Asheton mostra seu poder de
fogo, são aulas de como envelhecer com dignidade no mundo do rock.
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Arcade Fire: um futuro para o rock
The Neon Bible,
Arcade Fire (Slag Records) Anos atrás, acreditou-se que o futuro
do rock estaria nas mãos de grupos como Strokes e White Stripes. Eles tinham
"atitude", ingrediente considerado imprescindível na receita de um roqueiro.
Hoje, parece mais provável que, se o rock ainda vier a evoluir, será
pelo trabalho de bandas como o Arcade Fire. Os sete canadenses não apenas
têm um cuidado com a produção de seus discos a lista
de instrumentos vai do mandolim e do órgão de igreja a inúmeros
tipos de percussão , como são também ótimos
de palco. Com isso, cativam público de todas as idades e gostos. Suas influências
também são de primeira linha: Neon Bible, seu segundo CD,
traz melodias dignas dos melhores momentos de U2 e Bruce Springsteen, a exemplo
da canção Intervention.