No
ar há quatro anos, o Pânico na TV é
um humorístico consolidado. Ostenta a maior média
de audiência da RedeTV!, de 6 pontos no ibope na Grande
São Paulo. E também o melhor índice de
faturamento por hora da emissora, graças ao apelo entre
os jovens das classes A e B. Recentemente, foi anunciado ainda
que o programa dará mote a um longa-metragem do mesmo
produtor dos filmes de Xuxa. Mas esse crescimento vem acompanhado
de dúvidas, por assim dizer, hamletianas. A primeira
delas: ser ou não ser grande? O contrato com a RedeTV!
vencerá no fim do ano, o que acendeu o debate sobre
permanecer lá ou procurar uma rede com maior poder
de fogo. No passado, Faustão perdeu a graça
ao bandear-se do extinto Perdidos na Noite para a Globo.
Se sair, o Pânico corre esse risco. Se ficar,
não tem por onde crescer. "É nossa angústia
existencial", diz o líder Emílio Surita.
Há ainda uma segunda inquietação: seus
integrantes hoje têm um pé no mesmo mundo das
celebridades que tanto ridicularizam. Tudo bem se for Sabrina
Sato: ela está ali para fazer as vezes de ex-big brother
abilolada. Mas é diferente com Rodrigo Scarpa e Ceará
a dupla Repórter Vesgo e Silvio, face mais "subversiva"
do Pânico. Eles volta e meia são vistos
em revistas de celebridades. Quando se deixam flagrar nessas
situações, os dois rezam para o decano Surita
não se dar conta. "Senão, é bronca na
certa", afirma um executivo da RedeTV!.
Ao espezinhar gente
conhecida, o programa tornou-se alvo de processos judiciais.
Foi condenado a pagar indenização à atriz
Carolina Dieckmann, que se sentiu ofendida por ser alvo do
quadro Sandálias da Humildade. Os atores Luana Piovani
e Dado Dolabella conseguiram uma liminar que impede qualquer
menção a seus nomes, sob pena de multa de 500.000
reais. Houve ainda outro revés: no ano passado, o Ministério
da Justiça reclassificou-o das 6 para as 8 da noite
de domingo, em razão de seu apelo erótico. A
realidade obrigou os humoristas a domar seu instinto. "Depois
de tomar essas pedradas, a gente entendeu que precisava ter
cautela. Agora, só brincamos com quem dá abertura",
diz Ceará. Na semana passada, VEJA acompanhou uma reunião
de pauta da trupe e viu de perto esse "processo de amadurecimento",
como eles mesmos propalam. Diante das idéias mais absurdas,
Surita cumpre o papel de moderador. Por exemplo: ponderou
que era "podre demais" chamar atrizes pornôs para participar
de uma versão escrachada do concurso de soletração
do Caldeirão do Huck. Melhor seria recorrer
a ex-big brothers. O.k.
Scarpa e Ceará
juram que se autopoliciam. Mas há evidências
de que eles estariam no ponto para ser engolidos pela indústria
das celebridades, não fosse a ameaça de entrar
no chicote do feitor Surita, que teme que eles amoleçam
na hora de investir contra algum famoso com quem tenham intimidade.
Ambos são amigos do ator Henri Castelli e estavam à
disposição dos paparazzi na festa de casamento
dele. Dos dois, Scarpa é o mais festeiro. Circula pela
noite com amigos como o músico Junior, irmão
de Sandy. O rapaz tem ambição. Ele acha que
cumpre a missão de "desconstruir as celebridades".
Bordão tirado, pasmem, da orelha de um livro do pós-estruturalista
francês Jacques Derrida (que divide espaço em
sua cabeceira com os manuais de auto-ajuda O Monge e o
Executivo e Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente
Eficazes). E vibra quando o comparam ao comediante inglês
Sacha Baron Cohen, criador do hilário Borat. "Até
nossos ternos são iguais", diz. Mas que ele se abstenha
daquele maiô verde.