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Edição 2001

28 de março de 2007
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Televisão
Ser ou não ser

Os humoristas do Pânico na TV estão mergulhados
em
dilemas hamletianos. É a hora de suas vítimas rirem


Marcelo Marthe

 
Fernando Cavalcanti
A dupla Vesgo e Silvio: humor mais contido e discurso pós-estruturalista


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Quadro: A escala da fama

No ar há quatro anos, o Pânico na TV é um humorístico consolidado. Ostenta a maior média de audiência da RedeTV!, de 6 pontos no ibope na Grande São Paulo. E também o melhor índice de faturamento por hora da emissora, graças ao apelo entre os jovens das classes A e B. Recentemente, foi anunciado ainda que o programa dará mote a um longa-metragem do mesmo produtor dos filmes de Xuxa. Mas esse crescimento vem acompanhado de dúvidas, por assim dizer, hamletianas. A primeira delas: ser ou não ser grande? O contrato com a RedeTV! vencerá no fim do ano, o que acendeu o debate sobre permanecer lá ou procurar uma rede com maior poder de fogo. No passado, Faustão perdeu a graça ao bandear-se do extinto Perdidos na Noite para a Globo. Se sair, o Pânico corre esse risco. Se ficar, não tem por onde crescer. "É nossa angústia existencial", diz o líder Emílio Surita. Há ainda uma segunda inquietação: seus integrantes hoje têm um pé no mesmo mundo das celebridades que tanto ridicularizam. Tudo bem se for Sabrina Sato: ela está ali para fazer as vezes de ex-big brother abilolada. Mas é diferente com Rodrigo Scarpa e Ceará – a dupla Repórter Vesgo e Silvio, face mais "subversiva" do Pânico. Eles volta e meia são vistos em revistas de celebridades. Quando se deixam flagrar nessas situações, os dois rezam para o decano Surita não se dar conta. "Senão, é bronca na certa", afirma um executivo da RedeTV!.

Ao espezinhar gente conhecida, o programa tornou-se alvo de processos judiciais. Foi condenado a pagar indenização à atriz Carolina Dieckmann, que se sentiu ofendida por ser alvo do quadro Sandálias da Humildade. Os atores Luana Piovani e Dado Dolabella conseguiram uma liminar que impede qualquer menção a seus nomes, sob pena de multa de 500.000 reais. Houve ainda outro revés: no ano passado, o Ministério da Justiça reclassificou-o das 6 para as 8 da noite de domingo, em razão de seu apelo erótico. A realidade obrigou os humoristas a domar seu instinto. "Depois de tomar essas pedradas, a gente entendeu que precisava ter cautela. Agora, só brincamos com quem dá abertura", diz Ceará. Na semana passada, VEJA acompanhou uma reunião de pauta da trupe e viu de perto esse "processo de amadurecimento", como eles mesmos propalam. Diante das idéias mais absurdas, Surita cumpre o papel de moderador. Por exemplo: ponderou que era "podre demais" chamar atrizes pornôs para participar de uma versão escrachada do concurso de soletração do Caldeirão do Huck. Melhor seria recorrer a ex-big brothers. O.k.

Scarpa e Ceará juram que se autopoliciam. Mas há evidências de que eles estariam no ponto para ser engolidos pela indústria das celebridades, não fosse a ameaça de entrar no chicote do feitor Surita, que teme que eles amoleçam na hora de investir contra algum famoso com quem tenham intimidade. Ambos são amigos do ator Henri Castelli e estavam à disposição dos paparazzi na festa de casamento dele. Dos dois, Scarpa é o mais festeiro. Circula pela noite com amigos como o músico Junior, irmão de Sandy. O rapaz tem ambição. Ele acha que cumpre a missão de "desconstruir as celebridades". Bordão tirado, pasmem, da orelha de um livro do pós-estruturalista francês Jacques Derrida (que divide espaço em sua cabeceira com os manuais de auto-ajuda O Monge e o Executivo e Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes). E vibra quando o comparam ao comediante inglês Sacha Baron Cohen, criador do hilário Borat. "Até nossos ternos são iguais", diz. Mas que ele se abstenha daquele maiô verde.

 

 

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