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28 de março de 2007
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Saúde
Cobras em vacinas

Parcerias internacionais ajudam o Instituto
Butantan, em São Paulo, a tornar-se um
centro de excelência em imunização


Paula Neiva

 
Fabiano Accorsi
Pesquisadores do Instituto Butantan: a gripe aviária e a dengue estão no alvo deles

Conhecido pela produção de soros antiofídicos e pelas cobras, lagartos e escorpiões que mantém em cativeiro para pesquisa, o Instituto Butantan, em São Paulo, sofreu uma profunda transformação nos últimos cinco anos. O investimento em tecnologia e as parcerias firmadas com governos e instituições estrangeiras, como o Centro de Controle de Doenças, o renomado CDC americano, levaram o instituto a adquirir um grau de excelência incomum no Brasil. Um exemplo é o fato de o Butantan ser a única instituição da América Latina a dispor de amostras do vírus H5N1, causador da gripe aviária. Identificado pela primeira vez na China, em 1996, desde então o H5N1 colocou o mundo de prontidão com a ameaça de uma pandemia. A previsão é que até 2008 o Butantan já esteja apto a fabricar a primeira vacina brasileira contra o H5N1. Além do Butantan, apenas outros quatro laboratórios têm autorização para manejar o vírus. Esses centros estão localizados nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra e na Austrália. "Numa situação de emergência, provavelmente não teríamos como importar doses suficientes para abastecer o país", diz o médico e bioquímico Isaias Raw, presidente da Fundação Butantan. "A fabricação dessa vacina coloca o Brasil numa posição mais confortável e segura."

Ligado ao governo paulista, o Butantan responde por 82% da produção nacional de vacinas – o que equivale à metade do consumo brasileiro, estimado em 300 milhões de doses anuais (veja o quadro). A capacidade de um país de produzir suas próprias vacinas não é importante apenas para situações de emergência, mas também para reduzir os gastos públicos com a imunização em larga escala. Até 2010, o Butantan deve lançar uma dúzia de vacinas. Todas são inéditas no mercado ou apresentam inovações tecnológicas que barateiam seus custos ou amenizam os efeitos adversos tradicionais. Entre essas novidades, está a imunização contra a dengue, uma eterna preocupação para as autoridades sanitárias brasileiras. Desde o início do ano, já foram registrados surtos da doença em Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outros estados. Desenvolvida em conjunto com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), a vacina contra a dengue deve chegar ao mercado em dois anos. Outra inovação do Butantan é a imunização contra o rotavírus, um dos principais responsáveis pela mortalidade infantil por desidratação. O produto atuará contra cinco subtipos do vírus, e não apenas um, como a vacina disponível no mercado brasileiro. Fabricada no Brasil, sairá por um terço do preço – a 2 dólares, em média, a dose, contra os 7 dólares das importadas.

 

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