Parcerias internacionais
ajudam o Instituto Butantan, em São Paulo, a tornar-se um centro
de excelência em imunização
Paula
Neiva
Fabiano
Accorsi
Pesquisadores
do Instituto Butantan: a gripe aviária e a dengue estão no alvo
deles
Conhecido
pela produção de soros antiofídicos e pelas cobras, lagartos
e escorpiões que mantém em cativeiro para pesquisa, o Instituto
Butantan, em São Paulo, sofreu uma profunda transformação
nos últimos cinco anos. O investimento em tecnologia e as parcerias firmadas
com governos e instituições estrangeiras, como o Centro de Controle
de Doenças, o renomado CDC americano, levaram o instituto a adquirir um
grau de excelência incomum no Brasil. Um exemplo é o fato de o Butantan
ser a única instituição da América Latina a dispor
de amostras do vírus H5N1, causador da gripe aviária. Identificado
pela primeira vez na China, em 1996, desde então o H5N1 colocou o mundo
de prontidão com a ameaça de uma pandemia. A previsão é
que até 2008 o Butantan já esteja apto a fabricar a primeira vacina
brasileira contra o H5N1. Além do Butantan, apenas outros quatro laboratórios
têm autorização para manejar o vírus. Esses centros
estão localizados nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra e
na Austrália. "Numa situação de emergência, provavelmente
não teríamos como importar doses suficientes para abastecer o país",
diz o médico e bioquímico Isaias Raw, presidente da Fundação
Butantan. "A fabricação dessa vacina coloca o Brasil numa posição
mais confortável e segura."
Ligado ao governo paulista, o Butantan responde por 82% da produção
nacional de vacinas o que equivale à metade do consumo brasileiro,
estimado em 300 milhões de doses anuais (veja o quadro). A capacidade
de um país de produzir suas próprias vacinas não é
importante apenas para situações de emergência, mas também
para reduzir os gastos públicos com a imunização em larga
escala. Até 2010, o Butantan deve lançar uma dúzia de vacinas.
Todas são inéditas no mercado ou apresentam inovações
tecnológicas que barateiam seus custos ou amenizam os efeitos adversos
tradicionais. Entre essas novidades, está a imunização contra
a dengue, uma eterna preocupação para as autoridades sanitárias
brasileiras. Desde o início do ano, já foram registrados surtos
da doença em Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e São
Paulo, entre outros estados. Desenvolvida em conjunto com os Institutos Nacionais
de Saúde dos Estados Unidos (NIH), a vacina contra a dengue deve chegar
ao mercado em dois anos. Outra inovação do Butantan é a imunização
contra o rotavírus, um dos principais responsáveis pela mortalidade
infantil por desidratação. O produto atuará contra cinco
subtipos do vírus, e não apenas um, como a vacina disponível
no mercado brasileiro. Fabricada no Brasil, sairá por um terço do
preço a 2 dólares, em média, a dose, contra os 7 dólares
das importadas.