O
combate à malária, doença que chega a
atingir um caso por 1 000 habitantes em algumas regiões
da Amazônia, pode ter ganho um valioso aliado. Na semana
passada, uma equipe da universidade americana Johns Hopkins
anunciou a criação de um mosquito geneticamente
modificado que se torna imune ao plasmódio, o parasita
causador da malária. Dessa forma, mesmo que ele sugue
o sangue de animais contaminados com a doença, suas
picadas não a transportam para os seres humanos. Para
erradicar a malária de uma região, a idéia
é introduzir dezenas de milhares deles nas áreas
infestadas pelos mosquitos que transmitem a doença.
Caso se repitam os resultados obtidos em laboratório,
os mosquitos transgênicos, que vivem mais e colocam
maior quantidade de ovos, poderão suplantar em quantidade
a população de mosquitos nocivos. O chefe da
equipe da Johns Hopkins é o cientista brasileiro Marcelo
Jacobs-Lorena, radicado nos Estados Unidos.
O mosquito geneticamente
modificado cujos olhos são verdes fluorescentes
para facilitar a identificação foi apresentado
pela primeira vez por seus criadores há cinco anos,
mas temia-se que ele não fosse resistente o suficiente
para vencer a competição pela sobrevivência
com o transmissor do plasmódio. Experiências
recentes mostram que o projeto evoluiu. Foram colocados 1.200
mosquitos de cada tipo numa estufa com ratos contaminados
pela malária. Em apenas nove gerações,
o mosquito transgênico já representava 70% da
população da estufa. O próximo passo
é testar o novo mosquito a céu aberto.