O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na semana
passada, números atualizados sobre o desempenho econômico na última
década. O resultado confirmou o que muitos economistas e empresários,
brasileiros e estrangeiros, já haviam identificado: a economia do país
é maior e mais dinâmica do que as estatísticas anteriores
faziam crer. O valor total do produto interno bruto (PIB) ficou 11% maior. Isso
ocorreu porque algumas das atividades que mais crescem atualmente, como a telefonia
celular e o crédito financeiro, não entravam no cálculo (veja
o quadro abaixo). Não que houvesse má-fé do IBGE. Simplesmente
não existiam no país, até então, estatísticas
confiáveis para aferir corretamente esses e outros setores. A economia
brasileira permanece rigorosamente a mesma, apenas o termômetro que a mede
se tornou mais eficiente embora ainda bastante impreciso. Foram refeitas
as contas entre 1996 e 2005. Na próxima quarta-feira, será divulgada
a nova taxa de crescimento em 2006, que deverá ficar acima dos 2,9% anunciados
com base no cálculo antigo.
O governo, diante dos números positivos, não se conteve. "O pibinho
virou quase pibão", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Em
breve o Brasil poderá fazer parte do G-8", festejou o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, referindo-se ao grupo das oito maiores economias do planeta. Não
é para tanto. O crescimento médio entre 2000 e 2005, período
para o qual os novos dados são mais precisos, ficou agora em 3% ao ano.
Antes era de 2,5%. Não muda muita coisa. Na América Latina, o Brasil
só vinha crescendo mais que o Haiti. Agora passou também El Salvador.
Os novos cálculos deixaram
o Brasil ligeiramente melhor na fotografia internacional. Mas nem por isso desapareceram
as travas que emperram o desenvolvimento. Ou, pior, como temem alguns analistas,
o governo pode se inebriar com o seu "quase pibão" e enterrar de vez as
reformas sem as quais não haverá como o país entrar em rota
de crescimento duradouro. O "novo PIB" dá a dimensão do drama: a
gastança pública foi maior do que se imaginava. Já a poupança
e os investimentos ficaram menores. E aí não há milagre estatístico:
sem poupança e sem investimentos, o "pibinho" nunca será "pibão".