A nova
equipe do presidente Lula tem menos petistas e a forma de um governo de coalizão
Otávio
Cabral
Montagem
sobre fotos de Elza Fiuza, Marcelo Casal Junior e Valter Campanato/Ag. Brasil;
Gustavo Miranda/Ag. O Globo; Alan Marques, Ruy Baron, Sergio Lima/Folha Imagem;
Alaor Filho, Celso Junior, Dida Sampaio, Ed Ferreira, Joedson Alves, José Paulo
Lacerda, Tasso Marcelo, Tiago Queiroz e Vidal Cavalcante/AE; Antonio Cruz, Fabio
Pozzebom, José Cruz, Lindomar Cruz, Roosewelt Pinheiro e Wilson Dias/ABR
LULA,
EM MONTAGEM COM SEU NOVO MINISTÉRIO:
os ministros que ficaram no cargo os
que entraram agora no governo
os que mudaram de cargo
Em 2003, quando tomou posse como presidente da República, Lula nomeou um
ministério à imagem e semelhança do seu partido. Eram dos
petistas os postos mais importantes, como Educação e Saúde,
os mais sensíveis, como Casa Civil e Fazenda, e os mais endinheirados,
como Cidades e Desenvolvimento Social. O resultado da partidarização
sem critérios, como se viu depois, foi o fracasso administrativo em vários
setores e uma tragédia sob o ponto de vista ético em outros. Na
semana passada, depois de cinco meses de negociações políticas,
Lula praticamente concluiu a montagem de sua equipe para o segundo mandato. Dos
37 cargos com status de ministério, o presidente já escolheu 33.
Os últimos quatro serão definidos nos próximos dias. A primeira
característica marcante que se observa no novo ministério é
que a supremacia petista não existe mais. Numericamente, o partido ainda
ocupa quinze pastas, mas perdeu influência. Ficou tão visível
o afastamento entre o governo e o PT na composição da nova equipe
que para a maior estrela petista no ministério, a ex-prefeita Marta Suplicy,
foi reservada a desimportante pasta do Turismo.
Por mais que se tente, não se pode enxergar nisso um sinal de prestígio
do partido ou da própria Marta Suplicy, ainda mais se se levar em consideração
que ela é uma das aspirantes à sucessão do próprio
Lula. O presidente não quer ver seu governo contaminado por disputas intestinas.
O afastamento entre Lula e o PT, além de conveniente, é resultado
de puro pragmatismo. Na nova composição do governo, o PMDB é
a face mais visível. Dono da maior bancada do Congresso, o partido, com
seu apoio, deve dar tranqüilidade ao presidente e sepultar eventuais problemas
no Parlamento. No comando de cinco ministérios importantes, o partido já
cumpriu sua primeira missão na semana passada ao ajudar a engavetar a proposta
de criação da CPI para investigar a crise do setor aéreo.
Ao mesmo tempo, Lula sentiu rapidamente o gosto amargo do PMDB ao ter de cancelar
a nomeação do enrolado Odílio Balbinotti para o Ministério
da Agricultura. Ainda se viu obrigado a analisar a ficha criminal de meia dúzia
de candidatos, até escolher o nome de Reinhold Stephanes. O critério
foi a honestidade, como se isso fosse uma virtude difícil de encontrar
no Planalto Central. É? Ministro de governos passados, Stephanes vai se
juntar a Geddel Vieira Lima, um peemedebista que passou a amar o presidente Lula
há pouquíssimo tempo mais precisamente quando começou
a vislumbrar a possibilidade de assumir o Ministério da Integração
Nacional. Antes, Geddel gastava boa parte de seu tempo construindo frases de efeito
para espezinhar o presidente e seu governo. Incompetente foi a forma mais educada
como ele já se referiu a Lula. Mas isso ficou no passado. Em nome das alianças
e do bem do Brasil, Geddel, o PMDB e Lula estarão juntos nos próximos
anos.
Para consolidar o arco
de alianças, Lula também reservou o Ministério dos Transportes
para Alfredo Nascimento, senador eleito pelo PL do Amazonas. Partido de mensaleiros,
o PL mudou recentemente de nome agora se chama PR, Partido da República
, mas continua com os mesmos trejeitos do passado. Os "republicanos" elegeram
23 deputados, já aumentaram a bancada para quarenta e querem chegar a cinqüenta
parlamentares até o fim do semestre. Todos mudaram de sigla movidos por
promessas de cargos. A grande estrela do PR é o deputado Valdemar Costa
Neto, aquele que renunciou ao mandato em 2005 por envolvimento no escândalo
do mensalão. Eleito no ano passado, o parlamentar mudou de estratégia.
Por princípios, não negocia mais cargos nem vantagens no governo.
Manda alguém fazer isso por ele.
O presidente ainda não anunciou o ministro da Defesa, mas o futuro ocupante
do cargo será Aldo Rebelo, do PCdoB. Lula também convidou dois jornalistas
para sua nova equipe. Um deles, Miguel Jorge, foi vice-presidente do Banco Santander.
O outro é Franklin Martins, encarregado da área de comunicação
do governo. Ex-diretor da Rede Globo em Brasília, Franklin deixou o cargo
após surgirem suspeitas de seu envolvimento na quebra do sigilo bancário
do caseiro Francenildo Costa, responsável por denúncias que derrubaram
o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na nova equipe de Lula, dezoito
ministros permaneceram no cargo e alguns foram promovidos. Tarso Genro deixou
o Ministério das Relações Institucionais e assumiu o Ministério
da Justiça. Walfrido Mares Guia, que ocupava o Ministério do Turismo,
vai para o lugar de Genro com a missão de cuidar das articulações
políticas do governo no Congresso. É bom articulador. Bom demais,
talvez. Durante o escândalo do mensalão, a CPI descobriu um cheque
de Mares Guia na conta do publicitário Marcos Valério o banco
central da corrupção petista. O ministro explicou que tudo não
passava de um simples pagamento de empréstimo, um negócio particular
entre dois conterrâneos, sem nenhum vínculo com suas funções
públicas. É esse o novo time que está entrando em campo.