García Márquez
mais uma vez foi visitar Fidel.
Com carinho tece-lhe elogios, minuciosos e excessivos.
É isso aí intelectuais não
resistem a um ditador.
Raramente tomam o poder. Mas gostam de
ser valet de chambre criados de quarto.
Adoram um boquete ideológico.
TUDO ÔQUEI. OU
NÃO?
Sempre que surgem
novidades tecnológicas o nível Cultural baixa.
Há repetição de coisas passadas como
se fossem invenções extraordinárias,
velhos lixos culturais como se fossem criações
últimas da humanidade. A Internet, mais especificamente,
o Google (a cultura prêtporter), é
especialista nisso. No E-meu recebo diariamente esse paradoxo
novidades velhas e afirmações definitivas
de coisas não provadas, até mesmo improváveis.
Exemplo: ORIGEM
DO OK.
INFORMAÇÃO
PADRÃO:
Durante a Guerra
de Secessão (que eu achava que era um erro de revisão),
quando as tropas voltavam para o quartel sem nenhuma baixa,
escrevia-se numa placa "0 Killed" (zero mortos). Daí
surgiu a expressão O.K. para indicar que tudo
estava bem.
COMENTÁRIO
DESTE COMENTARISTA:
Etimologia interessante,
mas, como tantas, anedótica. Há uma atribuída
ao General Grant responsável pela vitória
de Lincoln na Guerra de Secessão, de quem outros
generais foram reclamar ao Presidente, pois estava sempre
bêbado. Lincoln teria respondido: "Se é assim
vou mandar distribuir tonéis de bebidas para todos
os outros generais e ver se alcançam os mesmos resultados
que ele".
Grant, depois Presidente,
segundo a lenda subletrado, pensava que all correct
se escrevia Oll Korrect e, portanto, dava aos documentos
o seu aval com um OK. Anedota.
O OK já
existia. Como já havia, também, uma forma matuta
de pronúncia: oll ou orl, korrect.
É possível que Grant soubesse disso e estivesse
gozando a cara dos seus assessores, a exemplo do Dr. Roberto
Marinho, que gostava de bancar de distraído ou até
gagá, pra confundir a suficiência, até
insolência irônica, dos auxiliares mais jovens
(no fim, quem não era?).
Woodrow Wilson
usava Okeh em seu papéis: "Okeh. W.W.".
Indagado por que não usava Ôkei, Wilson
professor universitário respondia: "Porque
está errado. Procure no dicionário". Procuravam
e achavam: "Okeh. Palavra do Choctaw* significando
'É isso'''.
Mas deixo a última
palavra com Eric Partridge (neozelandês morto em 1979,
o maior etimologista que conheço que passou
os 86 anos de sua vida mergulhado no mistério e na
mágica das palavras. Tem pelo menos uma obra-prima,
ORIGINS, e um livro, pra nós, curioso: From
Sanscrit to Brazil).
"OK. Sua
origem não é, como já se acreditou, a
palavra Okeh, variação de hoke,
do Choctaw*, significando 'Sim, é', mas, mais
provavelmente, deriva-se das bandeiras do OK. Clube,
da campanha presidencial de 1840, apoiando Martin van Buren
(presidente dos U.S. 1837-41), apelidado Old Kinderhook,
por ter nascido na cidade desse nome".
Poucos acrogramas
(epa!) tiveram mais sucesso do que OK. Depois da campanha
de 1840 ele rapidamente perdeu o sentido inicial e passou
a ser usado como verbo, advérbio, substantivo e interjeição.
Na Inglaterra o OK americano pegou logo, pois, por
coincidência, vendia-se um molho muito popular chamado
Mason, O. K.
Hoje o OK
tem circulação universal e penetrou até
na linguagem mais formal. No mundo ocidental sua popularidade
só é ameaçada pelo Ciao, italiano.
Ciao,
pra quem não sabe, é corruptela da palavra schiavo
(escravo). Bem, mas isso é coisa pra outra conversa.