Cafeteria Starbucks em São
Paulo: o Brasil quer decolar
O Índice
Big Mac é uma criação da revista inglesa
The Economist para medir, a partir do preço
do sanduíche do McDonald's, se as moedas de diversos
países estão valorizadas ou desvalorizadas em
relação ao dólar. Imaginemos agora um
Índice Starbucks. Seria um indicador baseado no desempenho
das cafeterias da rede americana instalada em quase quarenta
países e serviria para medir a capacidade empreendedora
de cada uma dessas nações, bem como o potencial
de consumo de suas populações. Aonde se quer
chegar? A uma informação publicada na seção
Holofote desta edição.
No espaço de uma simples nota, há uma notícia
que esclarece muito sobre o estado atual da economia brasileira:
as duas primeiras lojas da Starbucks abertas no país
em dezembro, ambas em São Paulo, já ocupam o
topo do ranking de atendimento a clientes das cafeterias da
rede mundial.
O sucesso da incipiente
Starbucks brasileira nasceu da combinação entre
o inegável encanto que a fórmula exerce sobre
os consumidores, a aptidão de seus gerentes e a prontidão
da economia brasileira para crescer. São características
que, ampliadas para um cenário mais abrangente, mostram
que há no país uma demanda reprimida, um potencial
de crescimento que se assoma como um prisioneiro pelas pequenas
frestas que se abrem para ele.
A causa principal
desse travamento é sobejamente conhecida. A energia
criativa brasileira há tempos vem sendo mantida sob
a pata de um estado gigantesco, que suga a maior parte dos
recursos da sociedade em impostos e devolve muito pouco. Como
resultado, muitas empresas não se animam a investir
ou a contratar em larga escala e, em última análise,
priva-se o cidadão de dar vazão não apenas
a suas necessidades básicas de vida, mas a seus desejos
de consumo, esse poderoso motor das economias modernas.
A boa nova é
que os fundamentos para uma revolução capitalista
estão de pé no Brasil. A inflação
está controlada mesmo com o aumento do crédito
e da renda, colocando o país na ante-sala do crescimento
sustentável. Alie-se à estabilidade a enorme
liquidez externa e tem-se o vento favorável para a
decolagem econômica de longo curso. Não poderia
existir momento mais propício para que Brasília
desse um empurrão pondo para andar as reformas tributária,
previdenciária e trabalhista e, assim, arrancar os
grilhões que ainda aprisionam a economia. Isso ajudaria
a levar o Índice Starbucks a todo o parque produtivo
brasileiro com as previsíveis e extraordinárias
conseqüências para a paz social e a elevação
do padrão de vida de todos os brasileiros.