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Quase uma Dolly

Brasileiros produzem o primeiro animal
clonado a partir de células de embriões

Desde que a ovelha Dolly veio ao mundo, na Escócia, em 1996, apenas Japão, Estados Unidos, Nova Zelândia e Canadá conseguiram repetir a complexa experiência de clonar um animal a partir da célula retirada de um espécime adulto. Um procedimento relativamente mais simples, a clonagem com células retiradas de embriões, é realizado em uma dezena de países. Na semana passada, com o nascimento de uma bezerra chamada "Vitória" numa fazenda nos arredores de Brasília, o Brasil passou a fazer parte desse clube seleto. "Não é como a ovelha da Escócia, mas é um marco que mostra que podemos realizar pesquisas complexas, como a clonagem no Brasil", diz Rodolfo Rumpf, coordenador da experiência realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura. O que os pesquisadores fizeram foi dividir em várias células um embrião retirado de uma vaca que geraria um único nascimento. Cada uma dessas células foi implantada num óvulo, que gerou novos embriões e multiplicou as possibilidades de nascimentos. Tecnicamente, isso não significa ter um animal igual ao original, como ocorreu com Dolly, mas algo como a produção em massa de gêmeos. A utilidade prática é que com isso é possível acelerar o processo de cruzamento para a produção de melhores reses.

A experiência da Embrapa ainda não pode ser transferida para os currais. Apenas quatro dos 29 novos embriões vingaram e foram transplantados para o útero de vacas da raça simental, boa produtora de leite. Em três delas, a gestação não passou dos primeiros 45 dias. Finalmente nasceu Vitória. Para ter uso na pecuária, a taxa de acerto precisará ser melhorada, o que deve demorar pelo menos cinco anos. A pesquisa foi realizada com tecnologia desenvolvida no Canadá por Lawrence Smith, cientista brasileiro que fez parte da equipe de Ian Wilmut, criador da ovelha Dolly. O custo total, incluindo a importação de equipamentos, foi de 300.000 reais. Com a experiência de gerar Vitória, os pesquisadores brasileiros acreditam que podem criar a Dolly nacional dentro de dois anos. O objetivo está longe de modesto, pois exigirá o aprendizado de técnicas de reprodução só dominadas por uns poucos cientistas. Nem Ian Wilmut, o pai de Dolly, consegue explicar por que é tão grande o número de abortos de embriões clonados. Ele precisou de 277 para chegar a uma única ovelha.

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