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Hotéis-butique

Eles são pequenos, charmosos, caros
e estão se multiplicando em Nova York

Juliana Saboia

Esqueça os chamados hotéis de design, que faziam furor alguns anos atrás. O modelo de estabelecimento da moda em Manhattan atende pelo rótulo de "hotel-butique". Dos antecessores mantém os objetos de arte escolhidos a dedo espalhados pelos quartos e salões e a ambição de atrair celebridades e outros hóspedes descolados. De novo tem especial cuidado no projeto arquitetônico e no atendimento aos clientes. Para ser um verdadeiro hotel-butique é preciso estar instalado em prédio antigo e ter um projeto temático, de preferência ligado à história do imóvel ou aos arredores. Quanto maior o investimento feito na restauração, maior prestígio terá a casa. Só no ano passado catorze hotéis desse tipo foram inaugurados na ilha que é o coração de Nova York. Outros sete estão em construção e devem começar a receber hóspedes até o fim do ano. São 2.800 quartos de "butique" acrescidos aos 70.000 existentes na cidade, que recebe quase 40 milhões de visitantes por ano.

Os hotéis-butique pretendem ser uma alternativa charmosa às grandes redes hoteleiras internacionais. Os hotelões operam no mesmo espírito das cadeias de fast food, oferecendo atendimento de qualidade, mas padronizado. Já o hotel-butique precisa ser pequeno, com no máximo 200 quartos (ainda que alguns tenham cinco vezes mais), de modo a permitir um relacionamento informal, quase de pousada. Muitos desses hotéis até dispensam o atendimento telefônico automatizado, preferindo que o hóspede se entenda diretamente com a telefonista. Seus restaurantes são igualmente diminutos e dispõem de cardápio pouco convencional. O exemplo perfeito é o 60 Thompson, com 100 quartos no SoHo, cuja cozinha é asiática. "Quem vem a Nova York quer sofisticação, quer algo diferente", diz Lawrence Pomeranc, um dos donos do hotel.

A diária no hotel-butique custa mais que a de um hotelão convencional. Para justificar o preço salgado e atrair freguesia, o estabelecimento depende inteiramente do estilo e da qualidade do serviço. Por isso a decoração precisa ser marcante, de preferência com temática inusitada. O Library, um dos mais insólitos da nova safra, tenta emular a Biblioteca Pública de Nova York, que fica próxima. Não tem leões de mármore na porta, mas foram gastos 85.000 dólares em livros antigos para enfeitar a recepção e os sessenta quartos. Cada andar é identificado como uma área de conhecimento da biblioteca. A numeração dos apartamentos obedece à lógica dos catálogos de livros. O de número 400.001, por exemplo, fica no andar de idiomas estrangeiros e corresponde às línguas eslavas. O hóspede encontra em sua cabeceira obras sobre o assunto garimpadas em sebos. "O hotel-butique é como um restaurante em que o maître reconhece você", diz Henry Kallan, dono do Library e de dois outros hotéis-butique, o Casablanca, em estilo marroquino, e o Giraffe, em estilo africano. As diárias variam entre 300 e 900 dólares.

O Dylan instalou-se num prédio do início do século XX, bem conhecido dos nova-iorquinos como antiga sede de um clube. O prédio foi praticamente reconstruído e consumiu 30 milhões de dólares, 1 milhão só na restauração da fachada. "Preservamos todos os detalhes, dos vitrais das janelas à glamourosa escadaria de mármore em forma de espiral", diz o proprietário Morris Moinian, que aproveitou os amplos espaços do prédio para fazer suítes com quarto e sala. São 108 quartos, alguns deles de pura fantasia, com diária próxima dos 500 dólares. A suíte Alchemy, por exemplo, reproduz um laboratório de alquimia medieval. O responsável pelo cenário foi Jeffrey Beers, o decorador dos restaurantes do Animal Kingdom, um dos parques da Disney World, na Flórida.

Quem está farto da decoração da Disney pode escolher o Bryant Park, com apenas 130 quartos, inaugurado no mês passado. O ambiente é discreto, austero e elegantíssimo. Além de tudo, está instalado numa jóia arquitetônica, o American Radiator Building. O prédio de 26 andares, com suas torres góticas e fachadas de granito negro e detalhes em bronze, é uma atração turística. No subsolo, possui um cinema com 73 lugares para pré-estréias badaladas. O proprietário, Philip Pilevsky, é o mesmo milionário que financiou os dois primeiros hotéis de design, quando o estilo foi inventado pelo marqueteiro Ian Schrager, um dos donos da então badaladíssima discoteca Studio 54. Não é a única conexão entre os dois modismos. A invenção da expressão "hotel-butique" é atribuída a Schrager. Com projeto do designer francês Philippe Starck, ele acaba de inaugurar o Hudson, nas proximidades do Central Park. O hotel mais parece uma loja de departamentos, com 960 apartamentos. Sua estratégia é oferecer a mesma sofisticação dos outros hotéis-butique, mas a preços mais em conta, a partir de 100 dólares por um quarto de solteiro.

 

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