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As crises testam o Brasil

A boa fase da economia brasileira está sendo
desafiada pelos problemas
da Argentina, dos
Estados Unidos
e até do Japão. Até quando a
economia agüenta o tranco?

Eliana Giannella Simonetti

 
AP
O presidente argentino Fernando de la Rúa


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Confira a opinião de dez especialistas sobre a crise argentina e as repercussões sobre a economia brasileira

Juntas, a economia dos Estados Unidos e a do Japão somam 46% de toda a produção mundial. Para o planeta é uma maravilha quando elas estão sadias ou pelo menos não tomadas por doenças contagiosas, como o pânico dos mercados de ações e a retração dos investimentos externos. No ano passado, essas forças econômicas espetaculares impulsionaram o mundo para um crescimento de 5%. Em poucos meses, o cenário mudou e os indicadores apontaram para baixo. Na semana passada, as duas poderosas turbinas da economia mundial falharam de forma preocupante. O Japão fez seus cálculos e descobriu que, com o consumo em queda, ele se tornou o primeiro país industrializado a sofrer do mal da deflação desde a crise de 1929. Essa é uma situação em que as dívidas das pessoas, das empresas e do governo crescem enquanto a riqueza nacional diminui. Nos Estados Unidos, aprofundou-se a desconfiança de que o país pode estar mergulhando num período de retração mais prolongado e profundo do que se imaginava. Em um ano já se evaporaram 5 trilhões de dólares de gordura, envolvendo principalmente papéis ligados a empresas de alta tecnologia, especialmente no campo da internet. Nesse mar revolto, como fica o Brasil?

 

Reuters
Juca Varella/Folha Imagem
AP
CAPITÃES
O ministro Cavallo, da Economia argentina, e os brasileiros Pedro Malan e Armínio Fraga (da esq. para a dir.): luta para evitar que a desestabilização se espalhe pelo continente

"Estamos a um passo da recessão global. O Brasil é uma exceção. Está se movendo na direção oposta", dizia Stephen Roach, economista-chefe do banco Morgan Stanley Dean Witter, em Nova York. O diagnóstico é correto. Mas até quando? Se EUA e Japão, os dois motores globais, estão engasgando, a economia mundial dificilmente escapará ilesa. Para o Brasil, existe um terceiro elemento de preocupação: a Argentina. No garrote da paridade cambial de sua moeda com o dólar, a Argentina enfrenta ainda forte instabilidade política. Passou por troca apressada de ministros em meio a boatos que vão desde a liberação do câmbio até a dolarização definitiva da economia. O Brasil está numa fase de recuperação. Tem suas contas públicas transparentes e organizadas. Privatizou mastodontes estatais, controlou a inflação, modernizou indústrias e bancos e adotou uma política cambial flutuante que lhe permite adaptar-se, sem muitos traumas, a variações no cenário internacional. Recebe uma enxurrada de investimentos externos produtivos. O desemprego vem caindo, e o PIB cresce num ritmo bom. Mas até que ponto, exatamente, a blindagem da economia brasileira resistirá a tanta notícia ruim vinda de fora?

 
AP
AFP

ESTADOS UNIDOS
Recém-eleito, o presidente George W. Bush corta impostos para reaquecer a economia do país

JAPÃO
O primeiro-ministro Yoshiro Mori injeta mais dinheiro na economia mas avisa que os remédios financeiros não estão fazendo efeito: dez anos de paralisia

O temor de que o Brasil possa vir a sofrer não é despropositado. Em 1997, a euforia do Plano Real foi interrompida por uma gripe cambial na Malásia e, no ano seguinte, pelo colapso russo. A idéia que preocupava os analistas brasileiros na semana passada era o perigo colocado pelas panes combinadas nos EUA, no Japão e na Argentina. O fator extra, que contamina ainda mais essa equação, está na crise política dentro do próprio Brasil. Há uma percepção no país de "mar de lama" com a eclosão das denúncias sobre corrupção que vêm agitando Brasília nos últimos meses. E isso tem um efeito poderoso sobre as expectativas de empresários, investidores e do público em geral. As peças da bomba estão espalhadas sobre a mesa. Não precisam necessariamente ser reunidas.

"Nós vamos sobreviver", garantia a VEJA, dias atrás, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Por via das dúvidas, Fraga aumentou os juros básicos na quarta-feira passada em 0,5 ponto porcentual, para 15,75%. Foi um deus-nos-acuda. A bolsa despencou, o dólar bateu em 2,16 reais, sua maior cotação em sete anos, desde a implantação do real. "O Banco Central de Armínio Fraga está enfrentando sua primeira crise real", disse ao jornal Folha de S.Paulo o ex-presidente do BC Gustavo Franco. Bancos e empresários refizeram rapidamente suas contas sobre o desempenho da economia brasileira e, na média, ponderavam na sexta-feira que, em vez de crescer 4,5%, como o previsto, ela poderá crescer apenas 3,5%. Esse era um instantâneo do quadro, feito sob o calor da semana. As coisas podem mudar para melhor, como previa o próprio Armínio Fraga: "Os juros vão voltar a cair, e o crescimento retomará o fôlego inicial".

 
Fotos AFP

ARGENTINA
Quase três anos de recessão, um presidente sem apoio político e três ministros da Economia em menos de um mês provocam revolta popular, greve geral e confusão por todo o país. O retorno de Domingo Cavallo injetou um pouco de ânimo e confiança nos argentinos

O que é preciso ocorrer para que a previsão de Fraga se concretize é uma melhora no cenário mundial. Principalmente Estados Unidos e Argentina terão de deixar de provocar sustos – já que o Japão, bem o Japão, todos consideram um caso perdido, de país com uma economia amarrada mais por forças culturais ancestralmente fortes que por constrangimentos econômicos. Na sexta-feira, Domingo Cavallo, o terceiro ministro da Fazenda da Argentina em menos de um mês, foi a Brasília confabular com o ministro Pedro Malan, da Fazenda, e com Armínio Fraga. Oficialmente falaram sobre o Mercosul, o pobre mercado comum do chifre sul da América, que anda fazendo água. O Chile não quer aderir a ele. O Uruguai não tem convicção alguma sobre os benefícios que o acordo lhe traz, e muitos argentinos de peso acham que a solução é fugir da influência brasileira e correr para a barra da saia dos Estados Unidos, dentro do futuro mercado comum das Américas, a Alca. "O Mercosul não existe mais fora dos documentos oficiais das embaixadas", dizia um diplomata argentino na semana passada. Um dos primeiros atos de Cavallo em sua volta ao poder foi alterar as tarifas de importação no setor de máquinas pesadas, prejudicando os interesses do Brasil na concorrência com os outros produtores mundiais desses equipamentos.

Todas as atenções se focavam em Cavallo na semana passada. Ele voltou ao poder sobre os escombros políticos deixados pelo antecessor, Ricardo López Murphy, o breve. Membro da União Cívica Radical, o mesmo partido do presidente Fernando de la Rúa, Murphy foi ejetado do cargo em questão de horas porque seu tímido pacote de corte de 2 bilhões de dólares provocou uma crise política de tal envergadura que ameaçou dissolver o próprio governo. Com a falta de sensibilidade típica de tecnocrata, Murphy tirou verbas das províncias e, pior, concentrou metade dos cortes justamente na educação. Estudantes e professores foram às ruas, as centrais sindicais aderiram, e o país parou sob o peso de uma greve geral. A volta de Cavallo tem todo um simbolismo. Foi ele o pai da paridade cambial, a emenda constitucional que amarrou o valor do peso ao dólar. Ter uma moeda cuja unidade vale 1 dólar em qualquer situação pareceu uma saída adequada a um país que enfrentava uma hiperinflação perto da qual a brasileira parecia uma simples carestia. Com a adoção da paridade cambial, a inflação foi a zero da noite para o dia, e Cavallo era retratado como um super-homem nas charges dos jornais. Durante os seis anos em que ele comandou a economia argentina, nos anos 90, o PIB do país teve um crescimento acumulado de 42%. A euforia do sucesso inicial impediu que os governos fizessem as reformas fiscais severas que um regime de câmbio fixo exige para funcionar. Com isso, a paridade se tornou uma camisa-de-força, e não mais uma solução. Há 33 meses a Argentina está em recessão. No ano passado a economia do país estagnou.

Domingo Cavallo agora volta como salvador. Ele é um intelectual formado em economia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Tem um estilo que agrada aos investidores internacionais. É amigo pessoal do secretário de Tesouro americano, Paul O'Neill, a quem já pediu um empréstimo de curto prazo de 15 bilhões de dólares, que precisa ser obtido com alguma urgência para que tudo dê certo. Também tem afinidade com o presidente eleito dos Estados Unidos, George W. Bush. Em Wall Street, sua volta ao poder vem sendo chamada de "O retorno de Jedi", nome do terceiro filme da série Guerra nas Estrelas, do americano George Lucas, que conta a história do cavaleiro iluminado que salva o universo da Estrela da Morte.

O novo ministro da Economia também cai nas graças dos platinos. Foi criado no berço peronista e desenvolveu uma personalidade cativante. Hiperativo, já assumiu fazendo reuniões e discursos em tom efusivo que agradou ao povo e aos empresários. Disse o que todo mundo quer ouvir. Seu objetivo final é fazer a economia voltar a crescer em um ritmo forte. Entre outras coisas, prometeu estimular a produção agrícola e industrial e reduzir em 20% os custos, para aumentar a competitividade do país sem mexer no câmbio. Também avisou que estabelecerá uma taxa sobre transações financeiras, uma versão regional da CPMF brasileira, de 0,6%, que dê ao governo caixa para investir, antes de poder cortar impostos. Prometeu ainda guerra à corrupção e à evasão fiscal.

O projeto da CPMF foi aprovado pelos deputados na madrugada de sexta-feira. Nesta semana, os parlamentares discutirão o ponto principal da volta de Cavallo. Ele quer poderes especiais para tomar decisões sem ter de passar pelo crivo do Congresso. Uma pesquisa feita no início da semana passada pelo jornal El Clarín mostrou o efeito do desempenho inicial de Cavallo: 48% dos argentinos aplaudiram sua volta ao governo. "Até quem questiona a cartilha de Cavallo já se conformou. Sabe que ele é a última esperança de recuperação da Argentina", diz Andrea Broda, economista da empresa de consultoria Estudio Broda y Asociados, de Buenos Aires. Talvez o cálculo de Cavallo seja outro. É possível que ele conte com o fato de que a economia mundial esteja muito fraca para que os outros países deixem a Argentina ir pelos ares. Economistas e consultores brasileiros e argentinos ouvidos por VEJA na semana passada apostavam que, aconteça o que acontecer, FMI, Banco Mundial e BID não permitirão que a Argentina se despedace. Já anda complicado o bastante lidar com os desequilíbrios econômicos no Japão e nos Estados Unidos.

O historiador Sérgio Buarque de Holanda descreveu o brasileiro como um povo cordial, no sentido tantas vezes mal entendido mas claramente explicado por ele, o de uma gente cujas ações "são sempre mediadas pelo coração". Ou seja, um povo não necessariamente bonzinho, mas movido pela emoção. Pela mesma medida, o argentino é sanguíneo. E os governantes argentinos mais amados foram aqueles que serviram de estímulo a essa veia nacional. O mais querido de todos, o ditador populista Juan Domingo Perón, nunca teve plano ou estratégia de governo que não fossem derivados da vassalagem ao interesse direto das massas. Na mesma época em que Getúlio Vargas gastava as poucas divisas brasileiras construindo a Siderúrgica de Volta Redonda, de benefícios óbvios para o país mas sem apelo direto para os consumidores, Perón gastava dólares subsidiando a importação de geladeiras e máquinas de lavar americanas – bens que a classe média só desfrutaria no Brasil uma década mais tarde, quando a indústria brasileira passou a produzi-los.

Quando na década de 60 veio o ciclo dos generais, emulação latina das encrencas de americanos e soviéticos na Guerra Fria, Brasil e Argentina tiveram seus governos militares. Ambos lançaram-se na repressão violenta aos opositores. Resultado: ao final do período, o Brasil tinha cerca de 300 mortos e desaparecidos. Os argentinos, com uma população equivalente a um quinto da brasileira, tinham 30.000. Nos anos 80, a Argentina tentou resolver uma pendenga territorial com a Inglaterra em torno de um arquipélago gelado, as Ilhas Malvinas, declarando guerra ao império britânico. A derrota fragorosa encerrou o ciclo militar na Argentina. Na Guerra do Golfo, em 1991, conflito que o Brasil encarou como algo fora de seu círculo de interesses, os argentinos mergulharam de cabeça. Mandaram uma fragata integrar-se à esquadra aliada.

Boa parte do orgulho portenho tem razões materiais concretas. Ao contrário do Brasil, eterno país do futuro, a Argentina realizou a meta de tornar-se um país rico. Estava entre os dez mais ricos do mundo na segunda década do século passado. Enquanto o Brasil mal saía das fumaças do império, Buenos Aires era uma das cidades mais elegantes do mundo. O Brasil importava mão-de-obra braçal da Itália para tocar a lavoura, enquanto os argentinos traziam arquitetos, professores universitários, literatos. A cultura européia gerou nos pampas grandes escritores, como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Adolfo Bioy Casares. Os argentinos ganharam cinco prêmios Nobel. Eles têm mais bibliotecas e lêem mais – 123 jornais por 1.000 habitantes, contra quarenta no poderoso vizinho econômico do norte, o Brasil.

Domingo Cavallo, pela reação que despertou ao ser entronizado como o czar da economia, tocou a alma sanguínea do argentino. Isso será suficiente para vencer a desconfiança? Muito provavelmente sim. Mas será o bastante para desfazer o nó criado pela paridade do peso com o dólar? Muito provavelmente não. Analistas ouvidos por VEJA acreditam que não se mexerá na paridade a curto prazo, mas que cedo ou tarde a complexa operação de volta ao câmbio flutuante terá de ser deflagrada. Por quê? A resposta está justamente na falta de alternativas. Do jeito que está, pagando matérias-primas e salários em dólar, a Argentina não tem como vencer no mercado mundial. Seus empresários exportadores enfrentam concorrentes que têm margens de manobra muito maiores para baixar o preço internacional de seus produtos. Em regimes cambiais flexíveis, os governos podem, por exemplo, desvalorizar a moeda local para aumentar a competitividade das exportações do país. A Argentina está amarrada. Aos empresários argentinos restam duas maneiras de baixar o custo de seus produtos. Uma é aumentar brutalmente a produtividade das fábricas – o que exige altos investimentos. A outra é uma saída emergencial, mas inviável politicamente, que seria reduzir os salários nominais entre 10% e 20%. Não existe carisma político suficiente, nem o de Cavallo, para falar em corte de salários num país em recessão há anos e com 15% de seus trabalhadores desempregados. Portanto, pela ausência de alternativas é que se admite como hipótese o fim da paridade. Ninguém a espera já. Muitos acham até mais provável que a Argentina dolarize formalmente a economia, medida já adotada na América Latina por Equador, El Salvador, Panamá e em estudos na Guatemala (veja quadro).

Para os brasileiros, por mais solidários que sejam com os padecimentos do vizinho, o temor maior é o contágio. A corrente econômica mundial é tão forte quanto seu elo mais fraco. É por isso que a preocupação persiste. A globalização enredou os países numa trama tão intrincada que, embora uma pane possa passar despercebida, a falha concomitante de três ou quatro turbinas representa um risco real de mergulho em parafuso. Tanto que os organismos internacionais já reduziram suas previsões de crescimento da produção mundial para este ano em 1 ponto porcentual. Felizmente o perigo parece bem menor hoje que nas crises que desarrumaram a economia na década passada. Do ponto de vista externo, há várias novidades favoráveis ao Brasil. As últimas crises financeiras internacionais são muito mais improváveis atualmente, pelo menos com o poder devastador que tiveram. Todos, países e investidores, aprenderam com elas. Os que põem seu dinheiro na ciranda financeira mundial são hoje mais cuidadosos na análise dos ambientes onde pretendem depositar seus investimentos. Já não confundem mais Rússia, Brasil e Indonésia. Também investem menos em mercados emergentes. "Comparado ao risco de contágio existente poucos anos atrás, o problema está bastante reduzido", diz Mauro Schneider, estrategista do banco holandês ING Barings especializado em América Latina. José Alexandre Scheinkman, economista brasileiro professor em Princeton, nos Estados Unidos, resume o sentimento predominante entre os especialistas: "De cada visita aos abismos infernais, o capitalismo volta mais fortalecido".

 

O ÚLTIMO RECURSO

AP
Equador: dolarizado e em crise


A dolarização é um sistema pelo qual o país abre mão de emitir sua moeda, de definir juros e de estabelecer quanto dinheiro circula em sua economia. Quando adota o dólar, tem o conforto de lidar com uma moeda forte, mas se torna dependente da política monetária vigente nos Estados Unidos. Quando o banco central americano, o Fed, percebe que seus consumidores estão muito animados e decide esfriar o entusiasmo elevando os juros, um país com economia dolarizada paga o preço. Mesmo que o consumo em seu território esteja baixo, os juros subirão. Dolarização é uma medida extrema de governos que precisam atrair investimentos externos e admitem não ter condições de gerir sua economia.

O Panamá foi o primeiro a entrar nessa. Praticamente nasceu dolarizado, em 1903. Em janeiro de 2000, o então presidente do Equador, Jamil Mahuad, também anunciou a dolarização como forma de salvar a economia e seu emprego. Perdeu o cargo, e a medida ainda não melhorou visivelmente a vida dos equatorianos. A mais recente experiência aconteceu em El Salvador. A falta de credibilidade do colón, a moeda local, obrigou o governo a aderir ao dólar no início do ano. Escolas passaram a ensinar história americana para que as crianças se familiarizassem com a nova moeda. A hipótese de dolarização na Argentina seria um caso inédito. Pela primeira vez um país de porte razoável abandonaria sua moeda. Se isso ocorrer, a crise cambial desaparecerá, mas novas questões se colocarão. E dificilmente o país conseguirá voltar atrás e emitir moeda com credibilidade suficiente para circular ao lado do dólar.

 

DIA DE CÃO

A última quinta-feira foi um dia de queda nas bolsas de todo o planeta. Os problemas econômicos do Japão, dos Estados Unidos e da Argentina somaram-se à perspectiva de crise energética para derrubar os pregões. No Brasil e na Argentina, os papéis despencaram mais de 5%. Na sexta-feira, o dólar atingiu seu valor mais alto desde a adoção do real como moeda nacional. Foi vendido a 2,17 reais

Fotos Reuters
AP
AFP
Fotos AP

Com reportagem de Denise Ramiro,
Cristiana Baptista, Carlos Prieto e Murilo Ramos

 
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