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Edição 1997

28 de fevereiro de 2007
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CINEMA

Vênus (Venus, Inglaterra, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Segundo o crítico David Thomson, uma das moradas regulares de Peter O'Toole é "às portas da morte" – uma referência ao gosto com que o ator de Lawrence da Arábia sempre se entregou aos excessos (uísque, em particular). Em Vênus, O'Toole vive uma encarnação literal dessa imagem: Maurice, um ator dos seus 70 anos, mal de saúde, que trabalha interpretando moribundos e passa o muito tempo livre trocando reminiscências com outro velho colega. Eis que entra em cena a sobrinha-neta deste – Jessie (Jodie Whittaker), uma jovem grosseira, mas muito atraente. Dançando uma coreografia de humilhação e sedução com ela, Maurice sente que seu sangue volta a circular, provavelmente pela última vez. O diretor Roger Michell e o escritor Hanif Kureishi já trataram de tema semelhante em Recomeçar, em que uma viúva sessentona embarcava numa relação carnal com um jovem pedreiro. Aqui, porém, os tons são mais sutis – e, graças à esplêndida atuação de O'Toole, indicado ao Oscar, também mais contundentes. Veja cenas.

 

DVDs

Loucura Americana (American Madness, Estados Unidos, 1932. Sony) – Em comparação a clássicos como A Felicidade Não Se Compra e Aconteceu Naquela Noite, esse é quase que um filme "esquecido" do diretor Frank Capra – cujas lentes róseas idealizaram a América dos anos 30 e 40. Injustamente esquecido, aliás, já que se trata de diversão de primeira. Walter Huston é Tom Dickson, presidente de um banco de Nova York e pivô de uma comoção: em plena Depressão, ele decide que a melhor maneira de recuperar a economia é emprestar dinheiro a torto e a direito. Capra, com sua crença inabalável no modo de vida americano, rodou essa história no calor da hora – em 1932, quando ninguém concederia um empréstimo nem para salvar a própria vida.

Motown: the Funk Brothers (Estados Unidos, 2002. Paramount) – A história da Motown, o principal selo de música negra nos Estados Unidos, já foi contada sob diversos pontos de vista: do seu presidente, Berry Gordy Jr., de artistas como Marvin Gaye e Stevie Wonder e de ex-executivos. Poucas vezes, porém, ela soou tão sincera, emocionante e dramática como nesse documentário. Funk Brothers, que concorreu ao Oscar da categoria, destaca a participação desses músicos na saga da gravadora. Muito mais do que a "banda da casa", eles ajudaram a criar alguns dos seus maiores hits – como I Heard It Through the Grapevine, de Marvin Gaye, cujo processo de gravação é mostrado passo a passo. O documentário ainda reserva várias alfinetadas para Berry Gordy, uma das figuras mais controvertidas da indústria fonográfica americana.

 

DISCO

 
Dave Hogan/Getty Images
Morrison: soul e gospel em voz que impressiona  

Undiscovered, James Morrison (Universal) – A imprensa britânica saudou o cantor de 21 anos como "o novo Otis Redding", e seu disco de estréia foi aclamado como um clássico da música negra. Exageros à parte, a voz de Morrison impressiona, bem como sua biografia. Ele se familiarizou com o rhythm'n'blues por meio da coleção de discos de sua mãe, fã de artistas do quilate de Al Green e Stevie Wonder. Há dois anos, foi descoberto por um olheiro da gravadora Universal, que o colocou em estúdio acompanhado pelos melhores instrumentistas que um artista poderia desejar. Undiscovered mostra um artista de primeira categoria, influenciado não apenas pelo soul, mas também pela música gospel americana. O disco tem muitos pontos altos, mas o destaque fica por conta da bela balada The Pieces Don't Fit Anymore.

 

LIVROS

Desenho Gráfico 1980-2006, de João Baptista da Costa Aguiar (Senac São Paulo; 258 páginas; 90 reais) – O escritor americano Paul Auster ficou admirado com a edição brasileira de seu romance Noite do Oráculo: considerou-a a mais bela de todas as edições internacionais do livro. O responsável pela capa foi o paulista João Baptista da Costa Aguiar, um dos mais destacados profissionais das artes gráficas no Brasil. Nesse livro, Costa Aguiar mostra seus melhores trabalhos na criação de marcas, logotipos, cartazes e capas de livro em mais de vinte anos de carreira. Os trabalhos gráficos são complementados por textos em que o autor explica seu processo de criação. O lançamento virá acompanhado de uma exposição da obra do autor, que será aberta nesta quarta-feira, dia 28, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O Clube Filosófico Dominical, de Alexander McCall Smith (tradução de Alexandre Hubner; Companhia das Letras; 264 páginas; 38 reais) – Nascido na Rodésia (atual Zimbábue) e radicado na Escócia, McCall Smith – um professor de direito especializado em medicina legal – consagrou-se como escritor policial com livros estrelados por Preciosa Ramotswe, a "única detetive de Botsuana". Clube Filosófico inaugura uma nova série, ambientada em Edimburgo. A detetive, desta vez, é a filósofa Isabel Dalhousie, editora de uma revista de ética. No final de um concerto, ela testemunha a queda de um jovem executivo do alto das galerias do teatro. Convencida de que não foi um suicídio, passa a investigar o caso. Leia trecho.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Campinas: Fnac; Rio: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Brasília: Fnac, Laselva, Saraiva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Natal: Laselva; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Fnac, Livrarias Curitiba, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Laselva; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Nobel, Saraiva, Submarino.

 

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