Vênus (Venus, Inglaterra, 2006.
Desde sexta-feira em cartaz no país) Segundo o crítico David
Thomson, uma das moradas regulares de Peter O'Toole é "às portas
da morte" uma referência ao gosto com que o ator de Lawrence da
Arábia sempre se entregou aos excessos (uísque, em particular).
Em Vênus, O'Toole vive uma encarnação literal dessa
imagem: Maurice, um ator dos seus 70 anos, mal de saúde, que trabalha interpretando
moribundos e passa o muito tempo livre trocando reminiscências com outro
velho colega. Eis que entra em cena a sobrinha-neta deste Jessie (Jodie
Whittaker), uma jovem grosseira, mas muito atraente. Dançando uma coreografia
de humilhação e sedução com ela, Maurice sente que
seu sangue volta a circular, provavelmente pela última vez. O diretor Roger
Michell e o escritor Hanif Kureishi já trataram de tema semelhante em Recomeçar,
em que uma viúva sessentona embarcava numa relação carnal
com um jovem pedreiro. Aqui, porém, os tons são mais sutis
e, graças à esplêndida atuação de O'Toole, indicado
ao Oscar, também mais contundentes. Veja
cenas.
DVDs
Loucura
Americana (American Madness, Estados Unidos, 1932. Sony) Em comparação
a clássicos como A Felicidade Não Se Compra e Aconteceu
Naquela Noite, esse é quase que um filme "esquecido" do diretor Frank
Capra cujas lentes róseas idealizaram a América dos anos
30 e 40. Injustamente esquecido, aliás, já que se trata de diversão
de primeira. Walter Huston é Tom Dickson, presidente de um banco de Nova
York e pivô de uma comoção: em plena Depressão, ele
decide que a melhor maneira de recuperar a economia é emprestar dinheiro
a torto e a direito. Capra, com sua crença inabalável no modo de
vida americano, rodou essa história no calor da hora em 1932, quando
ninguém concederia um empréstimo nem para salvar a própria
vida.
Motown: the Funk Brothers
(Estados Unidos, 2002. Paramount) A história da Motown, o principal
selo de música negra nos Estados Unidos, já foi contada sob diversos
pontos de vista: do seu presidente, Berry Gordy Jr., de artistas como Marvin Gaye
e Stevie Wonder e de ex-executivos. Poucas vezes, porém, ela soou tão
sincera, emocionante e dramática como nesse documentário. Funk
Brothers, que concorreu ao Oscar da categoria, destaca a participação
desses músicos na saga da gravadora. Muito mais do que a "banda da casa",
eles ajudaram a criar alguns dos seus maiores hits como I Heard It Through
the Grapevine, de Marvin Gaye, cujo processo de gravação é
mostrado passo a passo. O documentário ainda reserva várias alfinetadas
para Berry Gordy, uma das figuras mais controvertidas da indústria fonográfica
americana.
DISCO
Dave
Hogan/Getty Images
Morrison:
soul e gospel em voz que impressiona
Undiscovered,
James Morrison (Universal) A imprensa britânica saudou o cantor de
21 anos como "o novo Otis Redding", e seu disco de estréia foi aclamado
como um clássico da música negra. Exageros à parte, a voz
de Morrison impressiona, bem como sua biografia. Ele se familiarizou com o rhythm'n'blues
por meio da coleção de discos de sua mãe, fã de artistas
do quilate de Al Green e Stevie Wonder. Há dois anos, foi descoberto por
um olheiro da gravadora Universal, que o colocou em estúdio acompanhado
pelos melhores instrumentistas que um artista poderia desejar. Undiscovered
mostra um artista de primeira categoria, influenciado não apenas pelo soul,
mas também pela música gospel americana. O disco tem muitos pontos
altos, mas o destaque fica por conta da bela balada The Pieces Don't Fit Anymore.
LIVROS
Desenho
Gráfico 1980-2006, de João Baptista da Costa Aguiar (Senac
São Paulo; 258 páginas; 90 reais) O escritor americano Paul
Auster ficou admirado com a edição brasileira de seu romance Noite
do Oráculo: considerou-a a mais bela de todas as edições
internacionais do livro. O responsável pela capa foi o paulista João
Baptista da Costa Aguiar, um dos mais destacados profissionais das artes gráficas
no Brasil. Nesse livro, Costa Aguiar mostra seus melhores trabalhos na criação
de marcas, logotipos, cartazes e capas de livro em mais de vinte anos de carreira.
Os trabalhos gráficos são complementados por textos em que o autor
explica seu processo de criação. O lançamento virá
acompanhado de uma exposição da obra do autor, que será aberta
nesta quarta-feira, dia 28, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
O
Clube Filosófico Dominical, de Alexander McCall Smith (tradução
de Alexandre Hubner; Companhia das Letras; 264 páginas; 38 reais)
Nascido na Rodésia (atual Zimbábue) e radicado na Escócia,
McCall Smith um professor de direito especializado em medicina legal
consagrou-se como escritor policial com livros estrelados por Preciosa Ramotswe,
a "única detetive de Botsuana". Clube Filosófico inaugura
uma nova série, ambientada em Edimburgo. A detetive, desta vez, é
a filósofa Isabel Dalhousie, editora de uma revista de ética. No
final de um concerto, ela testemunha a queda de um jovem executivo do alto das
galerias do teatro. Convencida de que não foi um suicídio, passa
a investigar o caso. Leia
trecho.