O.k., ela é linda,
alta e magra. Mas também impressiona o visual que a atriz criou e segue
com toda a disciplina
Bel
Moherdaui
Frederick
M. Brown/Getty Images
Deslumbrante,
sempre: de branco, preto e tons afins, coque e poucos acessórios, seja em uma
premiação, pré-estréia ou na rua
No
manual de elegância de Angelina Jolie, a receita para o visual estonteante
que virou sua marca registrada é simplíssima: vestido sem frufrus
em preto, branco ou bege; maquiagem básica e natural; penteado discreto,
traduzido em cabelo solto, coque da vovó ou rabo-de-cavalo. Verdade que,
sendo Angelina alta, magra e bem-proporcionada (sem falar no rosto de inacreditável
beleza), não há muito como errar. Mas, formosura à parte,
ela é uma mulher que se fez elegante com a assessoria de stylists,
maquiadores e cabeleireiros e amparada em muita disciplina, criou um estilo, não
se afasta dele e acerta sempre, seja em tapetes vermelhos, em um campo de refugiados,
em uma reunião de negócios ou, de jeans surrado e camiseta, levando
os filhos para a escola. "Toda mulher com personalidade forte costuma saber se
vestir. Angelina tem opiniões fortes e se veste de acordo. Passou por uma
fase provocativa, em que usava roupas de couro e exibia suas tatuagens. Mas cresceu,
amadureceu, tornou-se mãe e embaixadora das Nações Unidas
e assumiu essa imagem", elogiou, em entrevista a VEJA, Nandini D'Souza, editora
de moda e atualidades das revistas americanas W e Women's Wear Daily.
Faz parte do estilo Angelina
ir a poucas e escolhidas festas de gala, em longos sóbrios, com ombros
e colo à mostra e mínimo realce (sobretudo em comparação
com as colegas) a decotes e fendas. Contratada a peso de ouro pela St. John, marca
senhoril que se esforça para ganhar glamour, foi num longo cinza-escuro
da grife americana que desfilou, deslumbrante, ao lado do marido, Brad Pitt, na
entrega do Globo de Ouro, em janeiro. Como acessório, um colar fino de
ouro e brilhante com design indiano tradicional; penteado, o indefectível
coque. "A palavra que define seu estilo é simplicidade. Ela nunca parece
que se esforçou muito para estar daquele jeito. Angelina não gosta
de nada complicado. Sabe o que quer e é linda, o que simplifica muito o
meu trabalho", disse a VEJA o maquiador afegão Matin Maulawizada, que atende
a atriz em Nova York, em Washington e na Europa. Segundo ele, a maquiagem de Angelina,
como as roupas, é restrita a tons de bege, areia, branco e preto "e um
pouco de cor nos lábios". "Você nunca a verá com um olhão
azul ou rosa", garante Maulawizada, que calcula demorar no máximo 45 minutos
para produzir a diva "aí incluindo bate-papo, brincadeiras e telefonemas".
A diretora de marketing da
joalheria H. Stern, Andréa Hansen, lembra como foi convencer a atriz, na
entrega do Oscar de 2004, a usar um colar de 10 milhões de dólares
da marca com um vestido de cetim branco do pouco conhecido sul-africano Marc Bouwer.
"Ela estava numa fase gótica. Eu e a stylist dissemos que um colar daqueles
era um acessório que ninguém esperaria dela, o que ajudou. Aí
veio o desafio de achar o vestido adequado. Ela foi muito objetiva: tinha de ser
cetim bege, branco, areia ou prata, sem manga e sem estampa. Se achássemos
um que combinasse com o colar, ela usaria. Achamos, e ela usou", conta. Acossadas
por emissários de Dior, Chanel, Versace e Valentino, é difícil
encontrar celebridades que não se vestem bem hoje em dia. "É comum
vê-las na primeira fila dos desfiles, e as revistas de moda têm dado
muito espaço para Hollywood. São todas tão bem arrumadas
que chego a sentir saudade daquelas aparições estapafúrdias
da Cher", brinca a editora de moda Nandini. Poucas, no entanto, são capazes
de manter a pose andando de moto no Vietnã, falando a uma platéia
de engravatados no Fórum Econômico de Davos ou simplesmente andando
na rua, de jeans e bota (e o eventual casaco de oncinha). Angelina consegue, sempre.