Uma nova
geração de aparelhos eletrônicos
funciona com apenas um toque na tela
Rosana
Zakabi
Divulgação
A
FICÇÃO VIRA REALIDADE Na
tela do Perceptive Pixel (acima), pode-se movimentar e trocar a posição
de imagens com as mãos. É como no filme Minority Report,
em que o personagem de Tom Cruise manipula imagens em 3D com os dedos
Uma
revolução está em curso no mundo dos aparelhos eletrônicos
de uso pessoal. Na nova era que se anuncia, os botões do celular, do tocador
de MP3 e do controle remoto, e em muitos casos o teclado e o mouse do computador,
serão substituídos por simples toques com os dedos numa tela. Uma
forma rudimentar dessa tecnologia, conhecida em inglês como touch screen,
é utilizada há tempos em caixas eletrônicos de bancos. Agora,
aperfeiçoada em laboratórios de pesquisa, a tecnologia mais se assemelha
àquela usada no telão do filme Minority Report A Nova
Lei, no qual o ator Tom Cruise manipula imagens em 3D com as mãos.
O sistema touch screen promete causar enorme impacto na forma como as pessoas
se relacionam com seus aparelhos. Ele é a grande estrela do iPhone, o telefone
celular apresentado pela Apple um mês atrás. O iPhone, além
de fazer chamadas e acessar a internet, também funciona como tocador de
MP3. Caso fosse dotado de botões convencionais, seria preciso um punhado
deles para ter acesso a essas funções. Com o touch screen, basta
selecionar a tela correspondente à função desejada e efetuar
os comandos com os dedos. Outras funções, como jogos, podem ser
agregadas ao celular através de downloads, e as telas para utilizá-las
virão junto.
O iPhone
não é pioneiro no sistema touch screen, mas o alarde em torno de
seu lançamento ajudou a chamar atenção para uma nova geração
de aparelhos que o utilizam. Também há um mês, a LG lançou
um celular de luxo, que usa o sistema, em parceria com a grife italiana Prada.
O modelo, batizado de KE850, oferece recursos equivalentes aos do iPhone e custa
780 dólares. "Os celulares se tornaram uma espécie de canivete suíço
digital, com inúmeras funções espremidas num espaço
pequeno e confuso. O sistema touch screen soluciona esse problema", diz Robert
Nalesnik, diretor da Broadcom, empresa americana que produz chips. No fim de janeiro,
a Hewlett-Packard iniciou as vendas do computador TouchSmart, que permite executar
tarefas como movimentar fotografias e escrever apenas movendo os dedos na tela.
A empresa vislumbra seu uso como um PC complementar da casa, destinado a ficar
na sala ou na cozinha e servir à comunicação entre os membros
da família. O teclado e o mouse não se tornarão obsoletos
na era do touch screen, mas a nova tecnologia permite que os computadores ofereçam
recursos adicionais.
Até
mesmo o telão futurista do filme de Tom Cruise já se tornou realidade
no laboratório do pesquisador americano Jeff Han, da Universidade de Nova
York. Han desenvolveu uma tecnologia de touch screen que possibilita a manipulação
de imagens, numa tela de 2 metros de comprimento, por várias pessoas
mais de vinte dedos ao mesmo tempo. A um simples toque é possível
ampliar o trecho de um mapa, ou organizar várias fotografias, ampliando
ou reduzindo cada uma delas. O sistema de Han despertou o interesse do Exército
americano, e, há um mês, o pesquisador lançou sua própria
empresa, a Perceptive Pixel, para vender o produto. O pesquisador conta que, depois
do lançamento do iPhone, recebeu ligações de produtores de
Hollywood interessados em seu invento para organizar e editar cenas de filmes.
É questão de tempo para que o touch screen se torne um recurso comum
no dia-a-dia.
AP
O
CELULAR SEM BOTÕES Lançado
há um mês pela Apple, o iPhone abriu caminho para a disseminação
do sistema touch screen. Combina celular, tocador de MP3 e internet. Todos os
controles são feitos através de telas
QUADRO
DE AVISOS DIGITAL O PC TouchSmart da
HP permite gravar mensagens para a família ou acessar uma agenda virtual
de compromissos encostando os dedos na tela de 19 polegadas
Damian Dovarganes/AP
Divulgação
INOVAÇÃO
COM LUXO EUROPEU O celular Prada KE850
é uma espécie de iPhone para ricos, com design assinado pela grife
italiana que lhe dá o nome.