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28 de fevereiro de 2007
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Comportamento
Todas querem ser princesas

As meninas embarcam nos contos de fadas
e muitas mães acabam se divertindo


Duda Teixeira

 
Daniel Arataney
Marcelo Correa
Sofia, 3 anos, e Helena, 1: casa povoada por princesas. À direita, Bruna, 3, no aniversário cujo tema foram as doze princesas bailarinas

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As princesinhas estão por toda parte. De coroa dourada e saias coloridas, elas vão à escola, ao playground e ao dentista. "Quando descem para brincar no prédio, todas as meninas vão com roupa de princesa", diz a carioca Fernanda de Oliveira e Silva, advogada de 34 anos e mãe de Bruna. Em fevereiro, sua filha comemorou o aniversário de 3 anos com um vestido feito sob medida. O tema escolhido da festa foi Barbie em As 12 Princesas Bailarinas, nome de um desenho animado. No bufê infantil Espaço Encantado, na Barra da Tijuca, onde foi comemorado o aniversário, seis de cada dez festas têm as princesas como tema.

A moda princesinha cresce sem parar desde 2001, quando o americano Andy Mooney, o chefe da divisão de produtos de consumo da Disney, notou meninas vestidas de princesa na platéia de um espetáculo de patinação no gelo. Mooney percebeu que havia um público potencial para personagens de contos de fadas e lançou um pacote com oito bonecas de princesas (custam, em média, 75 reais). "O gosto pelas princesas é inerente às meninas", disse Mooney a VEJA. "Elas adoram os finais felizes e pensam que são princesas de verdade." As bonequinhas venderam como mágica. A Disney, que licencia a marca para 25.000 itens, multiplicou por dez o faturamento com o produto. No ano passado, foram 3 bilhões de dólares. A Mattel embarcou na onda também em 2001 e desde então lança a cada ano um filme em que a boneca Barbie "interpreta" uma princesa. No ano passado, Barbie em As 12 Princesas Bailarinas serviu para colocar uma dúzia de modelos diferentes nas lojas. O apelo das princesas decorre de serem brinquedos com conteúdo. Mais do que bonecas bonitinhas, elas fazem parte de uma história tradicional ou vista em DVD. "Elas dão às meninas a oportunidade de vivenciar as narrativas que elas já conhecem", diz Isabel Patrão, gerente de marketing de meninas da Mattel, fabricante da Barbie.

O fascínio é compartilhado pelas mães. "Eu gostava muito das princesas quando era criança, mas não havia todas essas coisas para comprar", diz a empresária paulista Susana Koln, 32 anos, mãe de Helena, 1 ano, e Sofia, 3. Em sua casa há castelos, barracas, pratos, toalhas de banho, mamadeiras, telefone e um aparelho de DVD com as princesas estampadas. A família está agora na Disney World, nos Estados Unidos, para que as meninas possam conhecer as princesas ao vivo. No consultório de Andrea Goldmann, odontopediatra de São Paulo, garotas sentam-se na cadeira de dentista vestidas a caráter e escolhem a fantasia da dentista, que tem seis vestidos de princesa no armário. O tratamento começa quando a paciente agita uma varinha de condão. "As meninas ficam encantadas e esquecem que estão no consultório", diz Andrea.

Daniel Arataney
A dentista Andrea, com sua paciente, a Branca de Neve: varinha de condão

Algumas feministas – americanas, naturalmente – preocupam-se com conceitos retrógrados que possam ser transmitidos pelas bonequinhas. Branca de Neve, em especial, surgiu num desenho animado de 1937. O modelo feminino da época era o da menina prendada, sem grandes iniciativas e cujo principal atributo era a beleza. As meninas deveriam ser guardadas em casa até ser escolhidas por um príncipe encantado. Preocupam-se à toa. No pacote Disney há princesas para todos os gostos e temperamentos. Branca de Neve, Aurora (Bela Adormecida), Cinderela são do tipo tradicional, à espera do Príncipe Encantado. Mas a chinesa Mulan se veste de homem para ir à guerra em defesa do reino e a sereia Ariel tem comportamento independente, tipicamente moderno.

O modismo das princesas se deve, de certa forma, a sua conexão com valores e sentimentos que as mulheres já trazem consigo. "O romantismo e a vaidade são valores femininos, que independem da época ou do lugar em que a mulher vive", diz a psicóloga Sara Kislanov, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A fase princesa começa por volta dos 3 anos. Nessa idade, a criança fica encantada pelo mundo mágico, embora já saiba distinguir a realidade da ficção. "As meninas não se perguntam sobre o que é ser princesa ou acreditam que, se brincarem tantas vezes disso, se tornarão uma", diz a pedagoga Leni Vieira Dornelles, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. "O importante é terem a possibilidade de brincar e interagir com amigos e com a magia que só a brincadeira possui." A fase princesa mais intensa se prolonga até os 6 ou 8 anos, quando os interesses da criança começam a mudar. As princesas então se despedem junto com o Papai Noel e o coelho da Páscoa.

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