As estatísticas
desmentem a crença de que
os bandidos descansam durante o Carnaval
Victor De Martino
Walter de Carvalho/AE
Em Salvador, jovem socorre mulher
ferida: um afoxé de pancadas
A
bandidagem mostrou que não quer saber de trégua
no Carnaval. Em Salvador, um dos destinos mais procurados
pelos turistas, os índices de violência subiram
24% em relação aos do ano passado. Ocorreu um
crime a cada quatro minutos na capital baiana. No circuito
dos trios elétricos e em outros pontos de aglomeração
de Salvador, foram registrados 1.403 roubos. Antes famoso
por lançar seus modismos musicais, o Carnaval baiano
inovou, desta vez, disseminando um novo tipo de assalto: os
arrastões em ônibus. Bandos compostos de até
cinqüenta homens atacaram 59 veículos. Roubaram
cobradores, passageiros e, ao final, depredaram os coletivos.
Os casos de agressão física também se
multiplicaram nos dias de festa. A polícia registrou
444 ocorrências desse tipo, 46% mais do que em 2006.
O governo baiano admite que esses números não
representam toda a violência dos festejos. Pelos registros
de atendimentos nos hospitais, é possível estimar
que os episódios de agressão chegaram a 1.714.
Embora Salvador tenha sido a cidade onde a incidência
de crimes mais cresceu no Carnaval, ela ainda foi menor do
que a do Rio de Janeiro, onde aconteceu um crime a cada três
minutos e vinte segundos. Dos três principais destinos
carnavalescos, apenas o Recife e Olinda apresentaram melhora
em relação ao ano passado. Nos dias de farra,
o consumo exagerado de álcool contribui para aumentar
o número de agressões físicas. Já
os roubos crescem porque as aglomerações são
maiores, o que facilita o trabalho dos gatunos.
A verdade é que sobram fantasias (em todos os sentidos)
e faltam fardas. Para reduzir a criminalidade e não
só durante o Carnaval, enfatize-se , seria necessário
mais policiamento ostensivo. O Brasil, no entanto, continua
longe de ter uma abordagem objetiva quando o assunto é
bandidagem. Apesar das estatísticas preocupantes, os
governos estaduais preferiram alardear que seus Carnavais
foram tranqüilos. Em vez de reconhecer o problema, o
governador Jaques Wagner, da Bahia, acusou a imprensa de desmerecer
sua festa. Foi uma declaração infeliz.