"Não
vemos o bandido, pois ele não tem cara, não tem presença
física e não tem fronteira, mas nos aterroriza de dentro dos presídios." Vilma Nogueira Sousas,
SP
Disque-seqüestro
Em setembro do ano passado fui vítima
desse golpe. Impossível descrever o clima de terror psicológico
durante toda a interminável ligação. Embora esclarecido e
sabendo da grande possibilidade de golpe, fui envolvido e "marchei" com 1.000
reais, entre depósito e custos das tais ligações (fixo e
celular). Parabéns a VEJA pela excelência e destaque dados ao assunto
("Terror pelo telefone", 21 de fevereiro). Roberto Neves Mosmann Porto
Alegre, RS
Muito oportuna
e educativa a reportagem. Graças a ela consegui ter cabeça e sangue-frio
para não cair no golpe. Na madrugada de quarta-feira passada recebi um
telefonema a cobrar e, como estava praticamente dormindo, deixei que a ligação
fosse completada. Ouvi então uma voz impossível de identificar,
muito baixa e abafada, que dizia "mãe, mãe". Desliguei. Embora sabendo
que meus filhos estavam seguros na casa deles, liguei para cada um para ter a
certeza de que estavam bem. Agradeço o alerta da reportagem, pois parece
que sempre somos pegos de surpresa, apesar dos avisos. Regina Baptistella São Paulo, SP
No fim do ano passado, às 2 da manhã, minha cunhada me telefonou
desesperada dizendo que sua filha estava em poder de seqüestradores. Aterrorizada,
ela havia argumentado que recebia um salário mínimo de pensão.
Os seqüestradores ficaram de fazer novo contato. Tentei explicar que se tratava
de um golpe, que eu mesmo já passara por situações semelhantes.
Mas ela tinha certeza de que era a voz da filha. Pouco depois a localizamos com
o namorado. Só no ano passado fomos vítimas de seis ligações
desse gênero, deixando-nos desesperados até localizarmos nossos filhos,
sãos e salvos. Agenor Magalhães Niterói, RJ
Não entendo
como certas pessoas ainda caem nesse golpe! Quase semanalmente recebo uma dessas
ligações, sempre a cobrar, e aqui em casa virou motivo de brincadeira.
Quando toca o telefone e vemos que é a cobrar, há quase uma disputa
para ver quem vai atender. Logo de início damos um nome errado para nosso
suposto filho ou filha "seqüestrado". Em seguida, esticamos o assunto ao
máximo, fazendo voz de apavorados. No final, encerramos dizendo que podem
vir em casa buscar o dinheiro e damos o endereço da delegacia do bairro,
que todos já sabem decorado. Moacir Chaves Filho Petrópolis,
RJ
Com o estado emocional
abalado por meu pai estar à beira da morte, fui "presenteado" com telefonemas
pedindo dinheiro para que minha mãe não fosse executada a tiros.
Por sorte, tinha lido em VEJA a respeito do golpe e, apesar do nervosismo, não
caí na conversa. Como havia anotado o celular do bandido, liguei para o
190 e me disseram que o assunto não era com eles. Corri até uma
delegacia, onde aguardei mais de duas horas para registrar o boletim de ocorrência.
Minha idéia era simples: solicitar o bloqueio do celular para averiguação,
o que o deixaria fora do ar até que roubassem outro aparelho. Tentei descobrir
a concessionária contatando a Anatel. Um insucesso atrás do outro.
Ouvi centenas de mensagens eletrônicas e, quando conseguia falar com alguém,
o diálogo era absurdo. Foram mais de dois dias, durante os quais os pilantras
continuaram "trabalhando" tranqüilos. Fiz a minha parte. O resultado foi
tempo perdido, além de frustração. Antonio Carlos
Rigitano Bauru, SP
Fui vítima desse tipo de telefonema às 3 da madrugada do dia 17
de fevereiro. Ligaram a cobrar, e o número era privado. Uma voz dizia que
era da Polícia Federal. Já informada do golpe, desliguei imediatamente.
No horário em que ligaram, meus dois filhos adolescentes estavam no Carnaval
e não pude me comunicar com eles, pois não haviam levado o celular
para não ser roubados. Claro que, mesmo sabendo que era um golpe, só
consegui dormir quando eles chegaram, sãos e salvos. Que país é
este? Diana Lívia Sá Hage Salvador, BA
Vítima desse malfadado golpe e, passados quinze dias, ainda estou com minha
saúde abalada. Engraçado é que todo mundo a quem contei tinha,
na ponta da língua, respostas como: "você caiu nessa?". Sentia-me
uma idiota, uma incapaz. A reportagem de capa de VEJA não me trouxe alívio
nem me devolveu a auto-estima, pois mostra uma realidade cruel: que nossa sociedade
está doente em estado terminal. A reportagem termina afirmando: "É
o Brasil de joelhos diante do crime". Daí cabe perguntar: até quando
vamos permitir que nossa realidade seja viver sob o signo do medo? Célia
Bernardete Rocha de Andrade Recife, PE
Aconteceu comigo essa situação do jeito como descrito na reportagem.
Lendo os diversos relatos das vítimas e ouvindo trechos das interceptações
telefônicas, consigo compreender a dimensão da pressão psicológica
que as vítimas sofreram. Em Belém, isso se tornou uma prática
corriqueira. Valmir Galdino da Silva Belém, PA
O assassinato de João Hélio
Venho de família pobre, com infinitamente menos recursos do que a família
do bandido citado na reportagem "A falsa questão da pobreza" (21 de fevereiro).
Toda a minha formação escolar, até o 2º grau, foi construída
em escolas públicas. O "pré-vestibular" fiz nos intervalos do trabalho
ou no trem, estudando em revistas e livros comprados em sebos com os trocados
que me restavam depois de ajudar nas despesas da casa dos meus pais. As faculdades,
feitas em estabelecimentos particulares, consumiam tudo o que restava do meu salário.
Apesar de invejar meus colegas de escola bem vestidos com roupas de grife, jamais
me passou pela cabeça furtar algo que eu desejasse muito. Ao contrário,
motivava-me a estudar mais e a me dedicar mais ao trabalho para subir na escala
social. Hoje, a benevolência com que as autoridades e os teóricos
se referem aos bandidos, como se fossem vítimas das "elites", me soa como
deboche. Inverteram-se os valores. Estudar, empreender e trabalhar é motivo
de vergonha. Jorge de Assunção Filho Por e-mail
Li na edição
passada que um leitor de Maputo, em Moçambique, consegue ver uma verdade
que poucos aqui vêem (Cartas, 21 de fevereiro). Sempre que se discute a
questão da violência, fico enojada com a capacidade de "empurrar
com a barriga" de quem poderia fazer o que a mim sempre pareceu óbvio.
Há muito tempo está claríssimo que um crime como ao que assistimos
não tem nada a ver com a pobreza, e sim com a corrupção e
a impunidade. Essa aliança entre impunidade e corrupção está
levando nosso país à barbárie. Lourdes Sueli Miranda
Pinto São José dos Pinhais, PR
Louvável a coragem de VEJA ao abordar o assunto pobreza/criminalidade indo
contra a eterna conversa fiada e ultrapassada da esquerda, que sempre usa a pobreza
e a exclusão social para justificar qualquer barbárie cometida por
"excluídos". Os monstros que mataram fria e cruelmente o pequeno João
cometeriam tal crime mesmo que tivessem estudado em Harvard ou Cambridge, pois
isso não os faria menos cruéis e covardes do que mostraram ser.
Josué Luiz Hentz São João da Boa Vista, SP
John Lennon foi assassinado
em dezembro de 1980. Até hoje o homem que o matou em frente ao Edifício
Dakota está preso. Por duas vezes a Justiça de Nova York lhe negou
a liberdade condicional. Ou seja, o assassino do ex-beatle há 26 anos vê
o sol nascer quadrado. Os Estados Unidos não são um paraíso,
mas um país sério onde as leis funcionam e os direitos do cidadão
de bem são respeitados. Esses exemplos, o Brasil e seus políticos
infelizmente não procuram seguir. Em vez disso, optam pelo discurso hipócrita
e demagógico que poupa a bandidagem e enluta famílias. Sérgio
Luiz Corrêa Santos, SP
Guerra contra o crime
Nada mais intrigante
do que a inoperância dos legisladores em modernizar e atualizar a legislação
em períodos em que, supostamente, os debates estariam sob a égide
da razão. Quando acontecem fatos estarrecedores, como o que vitimou o menino
João Hélio, fingem que finalmente é chegada a hora da tomada
de decisão salvadora tentando tapar o sol com a peneira de mais uma marola
que se desfaz nas espumas da incompetência ("Mais uma marola em Brasília",
21 de fevereiro). Elizio Nilo Caliman Brasília, DF
Sou a favor da redução
da maioridade penal, não para 16, mas para 15 anos. Tenho 14 e sei diferenciar
o certo do errado. Quem mata com essa frieza e crueldade precisa ser exemplarmente
punido, ou nossos governantes se tornarão cúmplices, protegendo
e acobertando crimes hediondos. Maria Fernanda Guida Escobar, 14 anos São Paulo, SP
Quando nosso país fica em estado de choque diante da violência brutal,
devemos fazer uma reflexão profunda sobre o papel de cada um perante a
sociedade. O Legislativo tem uma função importantíssima,
mas somente as leis não serão suficientes para solucionar os nossos
problemas. Ações efetivas nas áreas de educação,
saúde e economia (geração de empregos) são essenciais
para combater a raiz dessas barbáries. O Brasil espera deste Congresso,
em grande parte renovado, uma atitude digna da confiança depositada nas
urnas, e essa deve ser cobrada por toda a população. William
Woo, policial e deputado federal (PSDB/SP) Brasília, DF
Tenho assistido estarrecida
às discussões insossas sobre a violência. A verborréia
dos que mantêm seguranças de plantão, pagos com nosso parco
salário, chega a me causar desânimo. Vai daqui uma sugestão:
dá para pensar em colocar esse bando de parasitas, Ph.Ds. em tirania e
irracionalidade, para trabalhar? Que busquem no trabalho próprio a sobrevivência
e libertem do seu jugo também nosso bolso, cada vez mais minguado. Neide
Machado Pimentel Dell Acqua Sorocaba, SP
Os projetos para mudança de tantas distorções no Estatuto
da Criança e do Adolescente não vão para a frente porque
somos nós e nossos familiares as vítimas desses menores perversos.
Os legisladores e seus familiares estão imunes a eles, pois são
muito bem guardados e protegidos à nossa custa. É lamentável
que grande parte da população precise torcer para que as próximas
vítimas desses bandidos sejam os filhos de parlamentares e outras altas
autoridades para que eles, finalmente, se sensibilizem e resolvam pôr fim
a esse absurdo que não se encontra em nenhum país civilizado. Durval
Macedo Filho Fortaleza, CE
Carta ao leitor
Se VEJA viesse só
com a Carta ao leitor "A arte da cegueira" (21 de fevereiro), eu já estaria
satisfeita, não precisava de mais nada. A síntese foi perfeita!
Ao lê-la, senti a revolta que todos nós, trabalhadores, pessoas decentes,
aposentados e todos os enganados, sentimos ao ouvir a demagogia dos políticos
e do nosso presidente. Já está na hora de nosso país ser
levado a sério. Nós estamos ficando cansados de bancar brinquedo
e cobaia para tanta idiotice vinda do "poder". Olga Maria Negreiros Lyrio
Sessa Por e-mail
Radicada há oito anos na Alemanha, eu sinto profunda tristeza e frustração
ao ver de longe o meu país afundado na lama. A extrema violência
que se tornou regra, políticos e policiais corruptos, prostituição
em níveis alarmantes, o vergonhoso trabalho infantil, as enormes diferenças
sociais, leis que só incentivam o crime etc. Está tudo errado. O
Brasil está com câncer, e já em estado terminal. Só
uma sociedade unida e determinada para exigir profundas mudanças poderá
ressuscitá-lo. Só me resta orar por todos os brasileiros de bem
e esperar por um milagre. Raquel Bronzeado Cleto Riechmann Bensheim,
Alemanha
A cada dia
fica mais fácil perceber por que nós, brasileiros, somos os melhores
do mundo somente no Carnaval. É que entendemos de máscara como ninguém.
Mascaramos a nossa ineficiência na segurança pública, a nossa
incompetência em educar nossos filhos e nossa aversão aos idosos
tudo isso com leis que convencionamos chamar de estatutos. Adalberto
Alves de Matos Barra do Garças, MT
Diogo
Mainardi
Diogo, aquele discurso era
meu ("E ainda fazem Carnaval?", 21 de fevereiro)! Assim que o ato animalesco invadiu
a imprensa, eu logo pensei: alguma atitude de "macho" precisa ser tomada. Não
nome de praça, não discursos políticos, não sensacionalismo.
Atitudes. Atos. E a primeira idéia que me passou foi: que tal se uma escola
de samba se recusasse a entrar na passarela em protesto contra a violência?
Já pensou? Rita de Cássia Baduy Pires Curitiba, PR
Desta vez Diogo Mainardi
se superou, lavou minha alma com água sanitária. Nós também
somos responsáveis por toda essa barbárie. O mínimo que poderia
ser feito era parar o país, mas parece que, desde que haja dinheiro para
a cerveja, para alisar o cabelo, para o futebol, para o Carnaval e mulher oferecendo
tudo de graça, está ótimo! Por que tanto espanto? Liane
Gack Ghelman Rio de Janeiro, RJ
Tal como sugeriu Diogo Mainardi, o governo do Rio de Janeiro deveria ter cancelado
o Carnaval e decretado luto. Seria um impacto extraordinário, mas a perversidade
já está tão banalizada que só causa comoção
de uma semana. Izidro Simões Boa Vista, RR
Todo mundo sabe: o Brasil pára no Carnaval. E o Rio de Janeiro, pára?
A violência, o desespero e o desalento param? Mainardi diz que o Carnaval
deveria ser cancelado, em sinal de luto, diante da barbárie. Concordo,
deveria mesmo, não só em sinal de luto, mas também de protesto,
de indignação, de revolta pela ineficiência do poder público.
Telismara Silvestre Pato Branco, PR
Diogo Mainardi é uma das raras vozes da verdade e do bom senso entre nós.
Um sopro enérgico na hipocrisia e impostura dos "falsos bonzinhos". Ligia
Kogos São Paulo, SP
Assassinato em Salvador
Na reportagem
"Surrado até a morte", que trata do brutal assassinato do funcionário
Neylton Souto da Silveira, faltou dizer que, antes de vir trabalhar em Salvador,
a senhora Tânia Maria Pedrosa também deu consultoria à prefeitura
petista de Santo André (SP), que teve seu prefeito Celso Daniel assassinado
em condições nunca esclarecidas. Em tempo: as duas acusadas presas
por ordem do juiz da 1ª Vara Crime, Cássio Miranda, vão responder
ao processo em liberdade, graças à bondade do desembargador Mário
Alberto Simões Hirs. O secretário de Saúde do município,
Luís Eugênio Portela, continua "prestigiado" pelo prefeito e trabalhando
normalmente. Haja impunidade! Humberto Viana Guimarães Salvador,
BA
Stephen Kanitz
No ponto de vista "Parabéns,
calouros de 2007" (21 de fevereiro), Stephen Kanitz dá uma aula inaugural
não apenas aos acadêmicos de nossos milhares de faculdades, mas principalmente
aos novos ministros do governo Lula. Uns com ideais obsoletos, outros sem saber
o que fazer para enfrentar os reais problemas do país. Para universitários
e ministros, o artigo deveria ser leitura obrigatória, como dever de casa,
para o bem do futuro do país. Antonio Carlos de Abreu Cuiabá,
MT
Admirável,
Stephen Kanitz. Muito obrigada pelas felicitações. Sou uma entre
mais de 1,5 milhão de jovens que ingressaram na faculdade. Agradeço
também os conselhos e escrevo para informá-lo de que "farei a diferença".
Não quero reproduzir, mas produzir. O senhor ainda vai ouvir falar de mim.
Prometo não decepcioná-lo. Cecília Campos Ciências
biológicas (USP-2007) Por e-mail
Dinheiro público
É
muito triste ver que num país com tanta gente pobre como o nosso tira-se
dinheiro de todo o povo para dar a alguns poucos. O cinema, como qualquer outro
entretenimento, deveria ser sustentado pela bilheteria, porque esta premia os
competentes. Cultura? Cultura é aquilo que um povo faz livremente, nunca
o que ele paga compulsoriamente para ser mero espectador. Se nossos governantes
fossem sérios, e se o Congresso Nacional de fato representasse os interesses
da maioria, como nas democracias, a lei que permite essa farra já teria
sido revogada ("Você pagou, mas não vai ver", 21 de fevereiro). Claudio
da Silva Rizo Umuarama, PR
Peter Singer
Imperdível, para
o brasileiro lúcido e consciente do caos em que vivemos, a entrevista com
o filósofo australiano Peter Singer (Amarelas, 21 de fevereiro). Não
há um só ponto de suas muitas afirmativas que se choque com o equilíbrio
de uma análise sensata e livre de influências deletérias.
Arlindo Borba de Oliveira Campinas, SP
Não entendi. Peter Singer diz ser contra a pena de morte e a favor do aborto.
Isto é: pena de morte para bandidos, não; morte para inocentes,
sim. Dá para levar a sério um filósofo com ética tão
confusa? Sergio Cides São Paulo, SP
Parece que o avanço da maturidade fez Peter Singer regredir filosoficamente.
Duas frases em sua última entrevista em VEJA me soaram um tanto quanto
contraditórias. Ser contra a interrupção da vida de um ser
que deseja continuar a viver e não considerar errado matar animais são
duas idéias que não combinam. A filosofia de Singer já foi
mais coerente há 32 anos, com a publicação do livro Libertação
Animal. Silvana Sita Porto Alegre, RS
Quando Peter Singer diz que tanto o aborto quanto a eutanásia não
provocam sofrimento, ele está referindo-se a quem? O aborto pode trazer
alívio para mulheres que não desejam uma gravidez, mas tira a vida
de uma pessoa inocente que teria o direito de viver. Quem disse que um feto não
tem sensações, sentimentos? A eutanásia pode aliviar a dor
dos pacientes, mas será que alivia a dor dos entes queridos? Singer e sua
vã filosofia. Monalize Marta Moreno Santo Antônio
da Platina, PR
Radar
Cumprimento VEJA pela publicação
da nota "Brasileiro ou egípcio?" (Radar, 14 de fevereiro), que trata do
algodão. O algodão a que se refere a nota só era produzido
na região do Seridó e no Egito e se denominava internacionalmente
como "algodão mocó, fibra longa", que tinha sua produção
comprada antecipadamente pelos países europeus e pelos Estados Unidos.
Em determinada época surgiu um besouro chamado bicudo, que destruiu nossa
cultura e levou à falência toda a nossa indústria algodoeira.
Mas nossa vontade e determinação não. Se houvesse uma política
estratégica para a nossa região, esse objetivo seria conseguido.
Hoje, a Coteminas tem uma unidade fabril em nosso estado que poderia envidar esforços
nesse sentido, irmanada com as pesquisas da Embrapa, que atua naquela região.
Manoel Gonçalves de Medeiros Manaus, AM
Nossa Constituição define o Brasil como um "Estado Democrático
de Direito". Um Estado de Direito caracteriza-se, dentre outros aspectos, pela
prevalência da legalidade, mas não do legalismo. Ainda em 1748, Montesquieu,
em seu De l'Esprit des Nations, advertia que "muitas leis, nenhuma lei".
Embora seja inegável a existência de um furor legiferante, é
inequívoco entre os juristas que a revogação de uma norma
legal pode ocorrer de diversas formas, inclusive especialmente no caso
de normas antigas por sua incompatibilidade com o vigente texto constitucional.
Desse modo, considerando que a Constituição Federal, em seu Artigo
19, inciso I, qualifica o Brasil como um Estado laico (leigo, neutro, sem filiação
religiosa oficial), parece-nos que a lei do marechal Deodoro, de 1890, que normatizava
as relações da Igreja Católica com o Estado, foi revogada
pela entrada em vigor da Constituição Federal em 5 de outubro de
1988 (norma-mãe), o que também deve ter ocorrido com significativa
parte das quase 180.000 leis federais supostamente em vigor ("Leis de mais, eficácia
de menos", Radar, 21 de fevereiro). Kelsen Ricardo Rios Professor
de direito constitucional e procurador-geral Divinópolis, MG
Ambiente
Achei muito legal essa moda da neutralização ("A neutralização
da culpa", 21 de fevereiro). É mais um passo para a preservação
do meio ambiente. A coleta seletiva e o consumo de produtos orgânicos também
são métodos eficazes para cuidar do ambiente em que vivemos. João
Paulo Hergesel Alumínio, SP
Previdência
VEJA publicou reportagem sobre os
diferentes rombos da Previdência ("À beira do abismo", 7 de fevereiro),
com dado incorreto. Não é verdade que até 1993 a contribuição
dos servidores públicos, aí incluídos os magistrados federais,
tenha sido de 0% como foi publicado. Desde 1890, quando foi instituído
o embrião do sistema previdenciário desse segmento, o Montepio Civil,
é descontada do contracheque do servidor alíquota referente à
aposentadoria. O porcentual teve diversas alterações até
1991 e, desde então, é de 9% a 12%, de acordo com a faixa salarial.
Uma simples projeção entre fundos oferecidos pelo mercado, tomando
por base o desconto atual para a Previdência Social (11%) de cerca de 2.200
reais durante 35 anos, mostra que um juiz federal teria direito à renda
mensal vitalícia de 35.000. A responsabilidade pelo rombo não pode
ser, portanto, atribuída aos servidores, muito menos aos juízes
federais. Walter Nunes da Silva Júnior Presidente da Associação
dos Juízes Federais do Brasil Brasília, DF
Centenário de Victor Civita
Victor Civita bem merece as homenagens
dos brasileiros, pois foi o empreendedor que produziu o grande salto qualitativo
de nossa indústria gráfica. Durante os nove anos em que dirigi o
Mobral pude testemunhar seu amor ao Brasil e sua seriedade profissional. Parabéns!
Arlindo Lopes Corrêa Rio de Janeiro, RJ
Tenho 43 anos e posso dizer que minha formação cultural nasceu por
causa da Abril. As minhas memórias de infância e adolescência
estão invariavelmente ligadas ao acervo publicado pela editora. Além
das revistas em quadrinhos, publicações da preciosidade de um Manual
do Escoteiro Mirim e os demais manuais Disney que se seguiram; os inesquecíveis
Clássicos da Literatura Juvenil, a coleção Os Cientistas,
um marco na minha adolescência; as enciclopédias em fascículos,
indispensáveis para as pesquisas escolares, e muitas outras publicações
da Abril foram e sempre serão parte das lembranças de minha vida.
George Makita Campo Grande, MS
VEJA
No ano passado presenteei minha
filha Cristiane (17 anos) com a assinatura anual da revista VEJA, uma parceria
essencial para seu enriquecimento intelectual e cultural, que a auxiliou nos vestibulares.
Para alegria da família, ela conseguiu passar em duas universidades estaduais
(Unesp e UEM). Parabéns a todo o Grupo Abril, principalmente aos redatores
da revista VEJA. O futuro é agora. Sérgio Alves de Paula Assinante Barretos, SP
CORREÇÃO:
A leitora Hyrla Moss, de Brasília, corrige a data do desenho publicado
no quadro "Millôr e o Pan" (Cartas, 21 de fevereiro). "O desenho (acima)
foi publicado na edição de VEJA de 24 de novembro de 1976."
MENOS CRIME EM NIQUELÂNDIA
Uma
das medidas sugeridas na reportagem "Sem limites para a barbárie" (14 de
fevereiro) para diminuir a criminalidade falava no estabelecimento de horário-limite
para o funcionamento de bares. O assinante de VEJA Rinaldo Aparecido Barros, juiz
de direito no município de Niquelândia, Goiás, dá um
testemunho. "Quando aqui cheguei, há dois anos, a cidade, com menos de
40 000 habitantes, apresentava índices alarmantes de homicídios
tentados e consumados (média de um por semana). Decidi adotar, em parceria
com o promotor de Justiça Bernardo Boclin Borges e o juiz de direito Alessandro
Pereira Pacheco, que também atuava na cidade, a chamada Lei Seca, que fez
a criminalidade diminuir acima de 80% e os homicídios despencar para um
sexto." As medidas são simples: de domingo a quinta-feira, os bares podem
manter a porta aberta até 1 da manhã. De sexta para sábado
e de sábado para domingo, até as 3 horas. "As mudanças contam
com a aprovação de 97% da população, conforme pesquisa
realizada pela rádio local", diz Barros. Em 2003, ocorreram trinta homicídios
e 24 tentativas em Niquelândia. No ano passado, esses números caíram
para cinco homicídios e cinco tentativas. "Pequenas medidas como as adotadas
em Niquelândia provocam enorme melhora na segurança. Agora, falta
a Câmara Municipal transformar a portaria do Judiciário em lei municipal.
Com a palavra os legisladores municipais", cobra Barros.
O CRIME MEXEU COM OS LEITORES
A reportagem de capa sobre o assassinato
do menino João Hélio, no Rio de Janeiro (14 de fevereiro), mexeu
com os leitores de VEJA. Quase 1 000 deles escreveram à redação
para demonstrar sua indignação e fazer sugestões de como
combater o crime. Essa reação fez da reportagem a segunda mais comentada
da história da revista, só superada por outra, correlata, que tratou
do referendo das armas. Na ocasião, a maioria dos leitores acusou a demagogia
dos que queriam resolver o problema da criminalidade desarmando os cidadãos
honestos. Veja as reportagens mais comentadas da história de VEJA:
1º "REFERENDO DA FUMAÇA" (referendo das armas, 5 de outubro
de 2005): 2 306 cartas
2º
"MORTE DO GAROTO JOÃO HÉLIO FERNANDES" (14 de fevereiro): 979 cartas
3º "RADICAIS DO PT" (23 de outubro de 2002): 964 cartas
4º
"UM ADEUS COM DOR" (morte de João Paulo II, 6 de abril de 2005):
695 cartas
5º "CRISE MORAL NA POLÍTICA NACIONAL" (29 de março
de 2006): 673 cartas
6º "ESTE MUNDO NUNCA MAIS SERÁ O MESMO" (ataque terrorista
aos EUA, 19 de setembro de 2001): 653 cartas
7º "ELE ZOMBA DA LEI" (Fernandinho Beira-Mar, 18 de setembro
de 2002): 647 cartas
8º "A LUTA EM PÚBLICO CONTRA A AIDS" (Cazuza, 26 de abril
de 1989): 625 cartas
9º "APOCALIPSE AO VIVO" (Guerra do Iraque, 26 de março
de 2003): 617 cartas
10º YARA BAUMGART (Amarelas, 20 de outubro de 2004): 602
cartas
DE OLHO NO IOGURTE
O
doutor Mauro Fisberg, pediatra, nutrólogo e coordenador clínico
do centro de adolescentes do departamento de pediatria da Universidade Federal
de São Paulo, leu a reportagem "Os funcionais funcionam?" (Guia, 14 de
fevereiro) e faz três observações importantes a respeito do
iogurte:
• O mecanismo de
ação do iogurte que ajuda no funcionamento do intestino dito preguiçoso
se baseia na ação do microrganismo Bifidobacterium animalis,
que não pertence ao gênero Lactobacillus, os quais somente
ajudam a equilibrar a flora intestinal.
•
Os elementos contidos no iogurte têm mecanismo de ação que
não se baseia no combate às bactérias nocivas e parasitas,
mas em um conjunto complexo de ações que incluem a produção
de metabólitos ativos, a estimulação do movimento intestinal
e a diminuição do pH dentro da luz do intestino.
• Para que o benefício desse produto no tempo
de trânsito intestinal seja percebido, não é necessária
a adição de fibras ao iogurte. As fibras são importantes
componentes que devem ser obtidos em quantidades adequadas em uma dieta equilibrada.
A CONTRIBUIÇÃO
DE VEJA PARA A LUTA CONTRA O CRIME
Por
iniciativa da Editora Abril, todos os deputados federais e senadores estão
recebendo exemplares da edição de VEJA de 10 de janeiro, que trouxe
uma reportagem especial de 41 páginas sobre o crime no Brasil. Trata-se
do levantamento mais completo já feito sobre o tema na imprensa brasileira.
A reportagem desvenda as raízes da criminalidade e as razões da
impunidade e ainda aponta soluções para os diversos problemas nessa
área. A Editora Abril espera que o especial de VEJA seja útil aos
parlamentares na busca de medidas eficazes que contenham a crise de segurança
por que passa o país.