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VEJA
Edição 1997

28 de fevereiro de 2007
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Cartas

 

"Não vemos o bandido, pois ele não tem cara, não tem presença física e não tem fronteira, mas nos aterroriza de dentro dos presídios."
Vilma Nogueira
Sousas, SP

 

Disque-seqüestro

Em setembro do ano passado fui vítima desse golpe. Impossível descrever o clima de terror psicológico durante toda a interminável ligação. Embora esclarecido e sabendo da grande possibilidade de golpe, fui envolvido e "marchei" com 1.000 reais, entre depósito e custos das tais ligações (fixo e celular). Parabéns a VEJA pela excelência e destaque dados ao assunto ("Terror pelo telefone", 21 de fevereiro).
Roberto Neves Mosmann
Porto Alegre, RS  

Muito oportuna e educativa a reportagem. Graças a ela consegui ter cabeça e sangue-frio para não cair no golpe. Na madrugada de quarta-feira passada recebi um telefonema a cobrar e, como estava praticamente dormindo, deixei que a ligação fosse completada. Ouvi então uma voz impossível de identificar, muito baixa e abafada, que dizia "mãe, mãe". Desliguei. Embora sabendo que meus filhos estavam seguros na casa deles, liguei para cada um para ter a certeza de que estavam bem. Agradeço o alerta da reportagem, pois parece que sempre somos pegos de surpresa, apesar dos avisos.
Regina Baptistella
São Paulo, SP  

No fim do ano passado, às 2 da manhã, minha cunhada me telefonou desesperada dizendo que sua filha estava em poder de seqüestradores. Aterrorizada, ela havia argumentado que recebia um salário mínimo de pensão. Os seqüestradores ficaram de fazer novo contato. Tentei explicar que se tratava de um golpe, que eu mesmo já passara por situações semelhantes. Mas ela tinha certeza de que era a voz da filha. Pouco depois a localizamos com o namorado. Só no ano passado fomos vítimas de seis ligações desse gênero, deixando-nos desesperados até localizarmos nossos filhos, sãos e salvos.
Agenor Magalhães
Niterói, RJ  

Não entendo como certas pessoas ainda caem nesse golpe! Quase semanalmente recebo uma dessas ligações, sempre a cobrar, e aqui em casa virou motivo de brincadeira. Quando toca o telefone e vemos que é a cobrar, há quase uma disputa para ver quem vai atender. Logo de início damos um nome errado para nosso suposto filho ou filha "seqüestrado". Em seguida, esticamos o assunto ao máximo, fazendo voz de apavorados. No final, encerramos dizendo que podem vir em casa buscar o dinheiro e damos o endereço da delegacia do bairro, que todos já sabem decorado.
Moacir Chaves Filho
Petrópolis, RJ  

Com o estado emocional abalado por meu pai estar à beira da morte, fui "presenteado" com telefonemas pedindo dinheiro para que minha mãe não fosse executada a tiros. Por sorte, tinha lido em VEJA a respeito do golpe e, apesar do nervosismo, não caí na conversa. Como havia anotado o celular do bandido, liguei para o 190 e me disseram que o assunto não era com eles. Corri até uma delegacia, onde aguardei mais de duas horas para registrar o boletim de ocorrência. Minha idéia era simples: solicitar o bloqueio do celular para averiguação, o que o deixaria fora do ar até que roubassem outro aparelho. Tentei descobrir a concessionária contatando a Anatel. Um insucesso atrás do outro. Ouvi centenas de mensagens eletrônicas e, quando conseguia falar com alguém, o diálogo era absurdo. Foram mais de dois dias, durante os quais os pilantras continuaram "trabalhando" tranqüilos. Fiz a minha parte. O resultado foi tempo perdido, além de frustração.
Antonio Carlos Rigitano
Bauru, SP  

Fui vítima desse tipo de telefonema às 3 da madrugada do dia 17 de fevereiro. Ligaram a cobrar, e o número era privado. Uma voz dizia que era da Polícia Federal. Já informada do golpe, desliguei imediatamente. No horário em que ligaram, meus dois filhos adolescentes estavam no Carnaval e não pude me comunicar com eles, pois não haviam levado o celular para não ser roubados. Claro que, mesmo sabendo que era um golpe, só consegui dormir quando eles chegaram, sãos e salvos. Que país é este?
Diana Lívia Sá Hage
Salvador, BA  

Vítima desse malfadado golpe e, passados quinze dias, ainda estou com minha saúde abalada. Engraçado é que todo mundo a quem contei tinha, na ponta da língua, respostas como: "você caiu nessa?". Sentia-me uma idiota, uma incapaz. A reportagem de capa de VEJA não me trouxe alívio nem me devolveu a auto-estima, pois mostra uma realidade cruel: que nossa sociedade está doente em estado terminal. A reportagem termina afirmando: "É o Brasil de joelhos diante do crime". Daí cabe perguntar: até quando vamos permitir que nossa realidade seja viver sob o signo do medo?
Célia Bernardete Rocha de Andrade
Recife, PE  

Aconteceu comigo essa situação do jeito como descrito na reportagem. Lendo os diversos relatos das vítimas e ouvindo trechos das interceptações telefônicas, consigo compreender a dimensão da pressão psicológica que as vítimas sofreram. Em Belém, isso se tornou uma prática corriqueira.
Valmir Galdino da Silva
Belém, PA

 

O assassinato de João Hélio

Venho de família pobre, com infinitamente menos recursos do que a família do bandido citado na reportagem "A falsa questão da pobreza" (21 de fevereiro). Toda a minha formação escolar, até o 2º grau, foi construída em escolas públicas. O "pré-vestibular" fiz nos intervalos do trabalho ou no trem, estudando em revistas e livros comprados em sebos com os trocados que me restavam depois de ajudar nas despesas da casa dos meus pais. As faculdades, feitas em estabelecimentos particulares, consumiam tudo o que restava do meu salário. Apesar de invejar meus colegas de escola bem vestidos com roupas de grife, jamais me passou pela cabeça furtar algo que eu desejasse muito. Ao contrário, motivava-me a estudar mais e a me dedicar mais ao trabalho para subir na escala social. Hoje, a benevolência com que as autoridades e os teóricos se referem aos bandidos, como se fossem vítimas das "elites", me soa como deboche. Inverteram-se os valores. Estudar, empreender e trabalhar é motivo de vergonha.
Jorge de Assunção Filho
Por e-mail  

Li na edição passada que um leitor de Maputo, em Moçambique, consegue ver uma verdade que poucos aqui vêem (Cartas, 21 de fevereiro). Sempre que se discute a questão da violência, fico enojada com a capacidade de "empurrar com a barriga" de quem poderia fazer o que a mim sempre pareceu óbvio. Há muito tempo está claríssimo que um crime como ao que assistimos não tem nada a ver com a pobreza, e sim com a corrupção e a impunidade. Essa aliança entre impunidade e corrupção está levando nosso país à barbárie.
Lourdes Sueli Miranda Pinto
São José dos Pinhais, PR  

Louvável a coragem de VEJA ao abordar o assunto pobreza/criminalidade indo contra a eterna conversa fiada e ultrapassada da esquerda, que sempre usa a pobreza e a exclusão social para justificar qualquer barbárie cometida por "excluídos". Os monstros que mataram fria e cruelmente o pequeno João cometeriam tal crime mesmo que tivessem estudado em Harvard ou Cambridge, pois isso não os faria menos cruéis e covardes do que mostraram ser.
Josué Luiz Hentz

São João da Boa Vista, SP

John Lennon foi assassinado em dezembro de 1980. Até hoje o homem que o matou em frente ao Edifício Dakota está preso. Por duas vezes a Justiça de Nova York lhe negou a liberdade condicional. Ou seja, o assassino do ex-beatle há 26 anos vê o sol nascer quadrado. Os Estados Unidos não são um paraíso, mas um país sério onde as leis funcionam e os direitos do cidadão de bem são respeitados. Esses exemplos, o Brasil e seus políticos infelizmente não procuram seguir. Em vez disso, optam pelo discurso hipócrita e demagógico que poupa a bandidagem e enluta famílias.
Sérgio Luiz Corrêa
Santos, SP

 

Guerra contra o crime

Nada mais intrigante do que a inoperância dos legisladores em modernizar e atualizar a legislação em períodos em que, supostamente, os debates estariam sob a égide da razão. Quando acontecem fatos estarrecedores, como o que vitimou o menino João Hélio, fingem que finalmente é chegada a hora da tomada de decisão salvadora tentando tapar o sol com a peneira de mais uma marola que se desfaz nas espumas da incompetência ("Mais uma marola em Brasília", 21 de fevereiro).
Elizio Nilo Caliman
Brasília, DF  

Sou a favor da redução da maioridade penal, não para 16, mas para 15 anos. Tenho 14 e sei diferenciar o certo do errado. Quem mata com essa frieza e crueldade precisa ser exemplarmente punido, ou nossos governantes se tornarão cúmplices, protegendo e acobertando crimes hediondos.
Maria Fernanda Guida Escobar, 14 anos
São Paulo, SP  

Quando nosso país fica em estado de choque diante da violência brutal, devemos fazer uma reflexão profunda sobre o papel de cada um perante a sociedade. O Legislativo tem uma função importantíssima, mas somente as leis não serão suficientes para solucionar os nossos problemas. Ações efetivas nas áreas de educação, saúde e economia (geração de empregos) são essenciais para combater a raiz dessas barbáries. O Brasil espera deste Congresso, em grande parte renovado, uma atitude digna da confiança depositada nas urnas, e essa deve ser cobrada por toda a população.
William Woo, policial e deputado federal (PSDB/SP)
Brasília, DF  

Tenho assistido estarrecida às discussões insossas sobre a violência. A verborréia dos que mantêm seguranças de plantão, pagos com nosso parco salário, chega a me causar desânimo. Vai daqui uma sugestão: dá para pensar em colocar esse bando de parasitas, Ph.Ds. em tirania e irracionalidade, para trabalhar? Que busquem no trabalho próprio a sobrevivência e libertem do seu jugo também nosso bolso, cada vez mais minguado.
Neide Machado Pimentel Dell Acqua
Sorocaba, SP  

Os projetos para mudança de tantas distorções no Estatuto da Criança e do Adolescente não vão para a frente porque somos nós e nossos familiares as vítimas desses menores perversos. Os legisladores e seus familiares estão imunes a eles, pois são muito bem guardados e protegidos à nossa custa. É lamentável que grande parte da população precise torcer para que as próximas vítimas desses bandidos sejam os filhos de parlamentares e outras altas autoridades para que eles, finalmente, se sensibilizem e resolvam pôr fim a esse absurdo que não se encontra em nenhum país civilizado.
Durval Macedo Filho
Fortaleza, CE

 

Carta ao leitor

Se VEJA viesse só com a Carta ao leitor "A arte da cegueira" (21 de fevereiro), eu já estaria satisfeita, não precisava de mais nada. A síntese foi perfeita! Ao lê-la, senti a revolta que todos nós, trabalhadores, pessoas decentes, aposentados e todos os enganados, sentimos ao ouvir a demagogia dos políticos e do nosso presidente. Já está na hora de nosso país ser levado a sério. Nós estamos ficando cansados de bancar brinquedo e cobaia para tanta idiotice vinda do "poder".
Olga Maria Negreiros Lyrio Sessa
Por e-mail  

Radicada há oito anos na Alemanha, eu sinto profunda tristeza e frustração ao ver de longe o meu país afundado na lama. A extrema violência que se tornou regra, políticos e policiais corruptos, prostituição em níveis alarmantes, o vergonhoso trabalho infantil, as enormes diferenças sociais, leis que só incentivam o crime etc. Está tudo errado. O Brasil está com câncer, e já em estado terminal. Só uma sociedade unida e determinada para exigir profundas mudanças poderá ressuscitá-lo. Só me resta orar por todos os brasileiros de bem e esperar por um milagre.
Raquel Bronzeado Cleto Riechmann
Bensheim, Alemanha  

A cada dia fica mais fácil perceber por que nós, brasileiros, somos os melhores do mundo somente no Carnaval. É que entendemos de máscara como ninguém. Mascaramos a nossa ineficiência na segurança pública, a nossa incompetência em educar nossos filhos e nossa aversão aos idosos – tudo isso com leis que convencionamos chamar de estatutos.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT

 

Diogo Mainardi

Diogo, aquele discurso era meu ("E ainda fazem Carnaval?", 21 de fevereiro)! Assim que o ato animalesco invadiu a imprensa, eu logo pensei: alguma atitude de "macho" precisa ser tomada. Não nome de praça, não discursos políticos, não sensacionalismo. Atitudes. Atos. E a primeira idéia que me passou foi: que tal se uma escola de samba se recusasse a entrar na passarela em protesto contra a violência? Já pensou?
Rita de Cássia Baduy Pires
Curitiba, PR  

Desta vez Diogo Mainardi se superou, lavou minha alma com água sanitária. Nós também somos responsáveis por toda essa barbárie. O mínimo que poderia ser feito era parar o país, mas parece que, desde que haja dinheiro para a cerveja, para alisar o cabelo, para o futebol, para o Carnaval e mulher oferecendo tudo de graça, está ótimo! Por que tanto espanto?
Liane Gack Ghelman
Rio de Janeiro, RJ  

Tal como sugeriu Diogo Mainardi, o governo do Rio de Janeiro deveria ter cancelado o Carnaval e decretado luto. Seria um impacto extraordinário, mas a perversidade já está tão banalizada que só causa comoção de uma semana.
Izidro Simões
Boa Vista, RR  

Todo mundo sabe: o Brasil pára no Carnaval. E o Rio de Janeiro, pára? A violência, o desespero e o desalento param? Mainardi diz que o Carnaval deveria ser cancelado, em sinal de luto, diante da barbárie. Concordo, deveria mesmo, não só em sinal de luto, mas também de protesto, de indignação, de revolta pela ineficiência do poder público.
Telismara Silvestre
Pato Branco, PR  

Diogo Mainardi é uma das raras vozes da verdade e do bom senso entre nós. Um sopro enérgico na hipocrisia e impostura dos "falsos bonzinhos".
Ligia Kogos
São Paulo, SP

 

Assassinato em Salvador

Na reportagem "Surrado até a morte", que trata do brutal assassinato do funcionário Neylton Souto da Silveira, faltou dizer que, antes de vir trabalhar em Salvador, a senhora Tânia Maria Pedrosa também deu consultoria à prefeitura petista de Santo André (SP), que teve seu prefeito Celso Daniel assassinado em condições nunca esclarecidas. Em tempo: as duas acusadas presas por ordem do juiz da 1ª Vara Crime, Cássio Miranda, vão responder ao processo em liberdade, graças à bondade do desembargador Mário Alberto Simões Hirs. O secretário de Saúde do município, Luís Eugênio Portela, continua "prestigiado" pelo prefeito e trabalhando normalmente. Haja impunidade!
Humberto Viana Guimarães
Salvador, BA

 

Stephen Kanitz

No ponto de vista "Parabéns, calouros de 2007" (21 de fevereiro), Stephen Kanitz dá uma aula inaugural não apenas aos acadêmicos de nossos milhares de faculdades, mas principalmente aos novos ministros do governo Lula. Uns com ideais obsoletos, outros sem saber o que fazer para enfrentar os reais problemas do país. Para universitários e ministros, o artigo deveria ser leitura obrigatória, como dever de casa, para o bem do futuro do país.
Antonio Carlos de Abreu
Cuiabá, MT  

Admirável, Stephen Kanitz. Muito obrigada pelas felicitações. Sou uma entre mais de 1,5 milhão de jovens que ingressaram na faculdade. Agradeço também os conselhos e escrevo para informá-lo de que "farei a diferença". Não quero reproduzir, mas produzir. O senhor ainda vai ouvir falar de mim. Prometo não decepcioná-lo.
Cecília Campos
Ciências biológicas (USP-2007)
Por e-mail

 

Dinheiro público

É muito triste ver que num país com tanta gente pobre como o nosso tira-se dinheiro de todo o povo para dar a alguns poucos. O cinema, como qualquer outro entretenimento, deveria ser sustentado pela bilheteria, porque esta premia os competentes. Cultura? Cultura é aquilo que um povo faz livremente, nunca o que ele paga compulsoriamente para ser mero espectador. Se nossos governantes fossem sérios, e se o Congresso Nacional de fato representasse os interesses da maioria, como nas democracias, a lei que permite essa farra já teria sido revogada ("Você pagou, mas não vai ver", 21 de fevereiro).
Claudio da Silva Rizo
Umuarama, PR

 

Peter Singer

Imperdível, para o brasileiro lúcido e consciente do caos em que vivemos, a entrevista com o filósofo australiano Peter Singer (Amarelas, 21 de fevereiro). Não há um só ponto de suas muitas afirmativas que se choque com o equilíbrio de uma análise sensata e livre de influências deletérias.
Arlindo Borba de Oliveira
Campinas, SP  

Não entendi. Peter Singer diz ser contra a pena de morte e a favor do aborto. Isto é: pena de morte para bandidos, não; morte para inocentes, sim. Dá para levar a sério um filósofo com ética tão confusa?
Sergio Cides
São Paulo, SP  

Parece que o avanço da maturidade fez Peter Singer regredir filosoficamente. Duas frases em sua última entrevista em VEJA me soaram um tanto quanto contraditórias. Ser contra a interrupção da vida de um ser que deseja continuar a viver e não considerar errado matar animais são duas idéias que não combinam. A filosofia de Singer já foi mais coerente há 32 anos, com a publicação do livro Libertação Animal.
Silvana Sita
Porto Alegre, RS

Quando Peter Singer diz que tanto o aborto quanto a eutanásia não provocam sofrimento, ele está referindo-se a quem? O aborto pode trazer alívio para mulheres que não desejam uma gravidez, mas tira a vida de uma pessoa inocente que teria o direito de viver. Quem disse que um feto não tem sensações, sentimentos? A eutanásia pode aliviar a dor dos pacientes, mas será que alivia a dor dos entes queridos? Singer e sua vã filosofia.
Monalize Marta Moreno
Santo Antônio da Platina, PR

 

Radar

Cumprimento VEJA pela publicação da nota "Brasileiro ou egípcio?" (Radar, 14 de fevereiro), que trata do algodão. O algodão a que se refere a nota só era produzido na região do Seridó e no Egito e se denominava internacionalmente como "algodão mocó, fibra longa", que tinha sua produção comprada antecipadamente pelos países europeus e pelos Estados Unidos. Em determinada época surgiu um besouro chamado bicudo, que destruiu nossa cultura e levou à falência toda a nossa indústria algodoeira. Mas nossa vontade e determinação não. Se houvesse uma política estratégica para a nossa região, esse objetivo seria conseguido. Hoje, a Coteminas tem uma unidade fabril em nosso estado que poderia envidar esforços nesse sentido, irmanada com as pesquisas da Embrapa, que atua naquela região.
Manoel Gonçalves de Medeiros
Manaus, AM

Nossa Constituição define o Brasil como um "Estado Democrático de Direito". Um Estado de Direito caracteriza-se, dentre outros aspectos, pela prevalência da legalidade, mas não do legalismo. Ainda em 1748, Montesquieu, em seu De l'Esprit des Nations, advertia que "muitas leis, nenhuma lei". Embora seja inegável a existência de um furor legiferante, é inequívoco entre os juristas que a revogação de uma norma legal pode ocorrer de diversas formas, inclusive – especialmente no caso de normas antigas – por sua incompatibilidade com o vigente texto constitucional. Desse modo, considerando que a Constituição Federal, em seu Artigo 19, inciso I, qualifica o Brasil como um Estado laico (leigo, neutro, sem filiação religiosa oficial), parece-nos que a lei do marechal Deodoro, de 1890, que normatizava as relações da Igreja Católica com o Estado, foi revogada pela entrada em vigor da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988 (norma-mãe), o que também deve ter ocorrido com significativa parte das quase 180.000 leis federais supostamente em vigor ("Leis de mais, eficácia de menos", Radar, 21 de fevereiro).
Kelsen Ricardo Rios
Professor de direito constitucional e procurador-geral
Divinópolis, MG

 

Ambiente

Achei muito legal essa moda da neutralização ("A neutralização da culpa", 21 de fevereiro). É mais um passo para a preservação do meio ambiente. A coleta seletiva e o consumo de produtos orgânicos também são métodos eficazes para cuidar do ambiente em que vivemos.
João Paulo Hergesel
Alumínio, SP  

 

Previdência

VEJA publicou reportagem sobre os diferentes rombos da Previdência ("À beira do abismo", 7 de fevereiro), com dado incorreto. Não é verdade que até 1993 a contribuição dos servidores públicos, aí incluídos os magistrados federais, tenha sido de 0% como foi publicado. Desde 1890, quando foi instituído o embrião do sistema previdenciário desse segmento, o Montepio Civil, é descontada do contracheque do servidor alíquota referente à aposentadoria. O porcentual teve diversas alterações até 1991 e, desde então, é de 9% a 12%, de acordo com a faixa salarial. Uma simples projeção entre fundos oferecidos pelo mercado, tomando por base o desconto atual para a Previdência Social (11%) de cerca de 2.200 reais durante 35 anos, mostra que um juiz federal teria direito à renda mensal vitalícia de 35.000. A responsabilidade pelo rombo não pode ser, portanto, atribuída aos servidores, muito menos aos juízes federais.
Walter Nunes da Silva Júnior
Presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil
Brasília, DF

 

Centenário de Victor Civita

Victor Civita bem merece as homenagens dos brasileiros, pois foi o empreendedor que produziu o grande salto qualitativo de nossa indústria gráfica. Durante os nove anos em que dirigi o Mobral pude testemunhar seu amor ao Brasil e sua seriedade profissional. Parabéns!
Arlindo Lopes Corrêa
Rio de Janeiro, RJ  

Tenho 43 anos e posso dizer que minha formação cultural nasceu por causa da Abril. As minhas memórias de infância e adolescência estão invariavelmente ligadas ao acervo publicado pela editora. Além das revistas em quadrinhos, publicações da preciosidade de um Manual do Escoteiro Mirim – e os demais manuais Disney que se seguiram; os inesquecíveis Clássicos da Literatura Juvenil, a coleção Os Cientistas, um marco na minha adolescência; as enciclopédias em fascículos, indispensáveis para as pesquisas escolares, e muitas outras publicações da Abril foram e sempre serão parte das lembranças de minha vida.
George Makita
Campo Grande, MS

 

VEJA

No ano passado presenteei minha filha Cristiane (17 anos) com a assinatura anual da revista VEJA, uma parceria essencial para seu enriquecimento intelectual e cultural, que a auxiliou nos vestibulares. Para alegria da família, ela conseguiu passar em duas universidades estaduais (Unesp e UEM). Parabéns a todo o Grupo Abril, principalmente aos redatores da revista VEJA. O futuro é agora.
Sérgio Alves de Paula
Assinante
Barretos, SP

 

 

 

 

 

CORREÇÃO: A leitora Hyrla Moss, de Brasília, corrige a data do desenho publicado no quadro "Millôr e o Pan" (Cartas, 21 de fevereiro). "O desenho (acima) foi publicado na edição de VEJA de 24 de novembro de 1976."

 

 

 

 

 

MENOS CRIME EM NIQUELÂNDIA

Uma das medidas sugeridas na reportagem "Sem limites para a barbárie" (14 de fevereiro) para diminuir a criminalidade falava no estabelecimento de horário-limite para o funcionamento de bares. O assinante de VEJA Rinaldo Aparecido Barros, juiz de direito no município de Niquelândia, Goiás, dá um testemunho. "Quando aqui cheguei, há dois anos, a cidade, com menos de 40 000 habitantes, apresentava índices alarmantes de homicídios tentados e consumados (média de um por semana). Decidi adotar, em parceria com o promotor de Justiça Bernardo Boclin Borges e o juiz de direito Alessandro Pereira Pacheco, que também atuava na cidade, a chamada Lei Seca, que fez a criminalidade diminuir acima de 80% e os homicídios despencar para um sexto." As medidas são simples: de domingo a quinta-feira, os bares podem manter a porta aberta até 1 da manhã. De sexta para sábado e de sábado para domingo, até as 3 horas. "As mudanças contam com a aprovação de 97% da população, conforme pesquisa realizada pela rádio local", diz Barros. Em 2003, ocorreram trinta homicídios e 24 tentativas em Niquelândia. No ano passado, esses números caíram para cinco homicídios e cinco tentativas. "Pequenas medidas como as adotadas em Niquelândia provocam enorme melhora na segurança. Agora, falta a Câmara Municipal transformar a portaria do Judiciário em lei municipal. Com a palavra os legisladores municipais", cobra Barros.

 

 

O CRIME MEXEU COM OS LEITORES

A reportagem de capa sobre o assassinato do menino João Hélio, no Rio de Janeiro (14 de fevereiro), mexeu com os leitores de VEJA. Quase 1 000 deles escreveram à redação para demonstrar sua indignação e fazer sugestões de como combater o crime. Essa reação fez da reportagem a segunda mais comentada da história da revista, só superada por outra, correlata, que tratou do referendo das armas. Na ocasião, a maioria dos leitores acusou a demagogia dos que queriam resolver o problema da criminalidade desarmando os cidadãos honestos. Veja as reportagens mais comentadas da história de VEJA:

1º "REFERENDO DA FUMAÇA"
(referendo das armas, 5 de outubro de 2005):
2 306 cartas  

2º "MORTE DO GAROTO JOÃO HÉLIO FERNANDES"
(14 de fevereiro):
979 cartas  

3º "RADICAIS DO PT"
(23 de outubro de 2002):
964 cartas  

4º "UM ADEUS COM DOR"
(morte de João Paulo II, 6 de abril de 2005):
695 cartas  

5º "CRISE MORAL NA POLÍTICA NACIONAL"
(29 de março de 2006):
673 cartas  

6º "ESTE MUNDO NUNCA MAIS SERÁ O MESMO"
(ataque terrorista aos EUA, 19 de setembro de 2001):
653 cartas  

7º "ELE ZOMBA DA LEI"
(Fernandinho Beira-Mar, 18 de setembro de 2002):
647 cartas

8º "A LUTA EM PÚBLICO CONTRA A AIDS"
(Cazuza, 26 de abril de 1989):
625 cartas  

9º "APOCALIPSE AO VIVO"
(Guerra do Iraque, 26 de março de 2003):
617 cartas  

10º YARA BAUMGART
(Amarelas, 20 de outubro de 2004):
602 cartas

 

 

DE OLHO NO IOGURTE

O doutor Mauro Fisberg, pediatra, nutrólogo e coordenador clínico do centro de adolescentes do departamento de pediatria da Universidade Federal de São Paulo, leu a reportagem "Os funcionais funcionam?" (Guia, 14 de fevereiro) e faz três observações importantes a respeito do iogurte:

• O mecanismo de ação do iogurte que ajuda no funcionamento do intestino dito preguiçoso se baseia na ação do microrganismo Bifidobacterium animalis, que não pertence ao gênero Lactobacillus, os quais somente ajudam a equilibrar a flora intestinal.

• Os elementos contidos no iogurte têm mecanismo de ação que não se baseia no combate às bactérias nocivas e parasitas, mas em um conjunto complexo de ações que incluem a produção de metabólitos ativos, a estimulação do movimento intestinal e a diminuição do pH dentro da luz do intestino.

• Para que o benefício desse produto no tempo de trânsito intestinal seja percebido, não é necessária a adição de fibras ao iogurte. As fibras são importantes componentes que devem ser obtidos em quantidades adequadas em uma dieta equilibrada.

 

A CONTRIBUIÇÃO DE VEJA PARA A LUTA CONTRA O CRIME

Por iniciativa da Editora Abril, todos os deputados federais e senadores estão recebendo exemplares da edição de VEJA de 10 de janeiro, que trouxe uma reportagem especial de 41 páginas sobre o crime no Brasil. Trata-se do levantamento mais completo já feito sobre o tema na imprensa brasileira. A reportagem desvenda as raízes da criminalidade e as razões da impunidade e ainda aponta soluções para os diversos problemas nessa área. A Editora Abril espera que o especial de VEJA seja útil aos parlamentares na busca de medidas eficazes que contenham a crise de segurança por que passa o país.

 

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