Comer
e emagrecer
Depois
de anos de ostracismo, os regimes
de baixos carboidratos atraem milhões de
seguidores apesar de ainda enfrentarem
a desconfiança da medicina tradicional
Gabriela
Carelli e Angela Pimenta, de Nova York
Veja
também |
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Nada
é mais frustrante para quem já tentou em vão
emagrecer de todas as formas do que ouvir do médico
a velha recomendação de comer menos e exercitar-se
com freqüência. Com as mais mirabolantes variações
de dietas, a contabilidade feita pelos médicos sempre
foi uma só. Ela pode ser resumida pela fórmula
que segue. Quem gasta menos calorias do que come engorda.
Quem chega ao fim do dia tendo queimado mais calorias do que
as ingeridas emagrece. Até aí estamos no reino
das leis da física. Nada de novo, portanto. A novidade
vem de outra área. Vem do sucesso das dietas que prometem
mexer nos parafusos da bioquímica humana para fazer
a máquina corporal queimar gorduras com muito mais
eficiência. Um levantamento feito no mês passado
por autoridades de saúde dos Estados Unidos encontrou
1.214 títulos nas prateleiras
das livrarias ensinando alguma fórmula para emagrecer.
Desses, os vinte mais vendidos eram justamente sobre dietas
que se dizem capazes de turbinar o metabolismo e liquidar
gorduras. A maioria, lançada há menos de dois
anos, ensina maneiras de evitar ou reduzir ao máximo
a ingestão de um único tipo de ingrediente,
os chamados carboidratos.
Carboidratos? Sim. A ciência do emagrecimento voltou
seus canhões para esses pequenos blocos de energia
presentes no açúcar, nos pães, nos biscoitos,
nas massas e, infelizmente, também em diversos vegetais,
como a cenoura e os brócolis, e em muitas frutas. Sua
presença excessiva no organismo desencadeia processos
químicos que, em última análise, mandam
o corpo humano estocar gordura. Em resumo, carboidrato demais
engorda. Embora as idéias básicas sobre os efeitos
dos carboidratos já tenham sido rascunhadas há
muitos anos, só agora essa linha nada convencional
de ataque à obesidade ganhou credibilidade em parte
da comunidade médica. A nova onda pode ser medida pelo
sucesso dos livros anunciando variações em torno
da disciplina na ingestão de carboidratos. Pode ser
avaliada também pela multidão de adeptos que
está conquistando. São milhões em todo
o mundo. VEJA ouviu mais de uma centena de personalidades
nacionais incomodadas com os números que aparecem no
visor da balança. Quase a metade delas aderiu a algum
tipo de "dieta metabólica", como são chamados
os regimes que, com a diminuição dos carboidratos,
tentam intervir na maneira de o corpo funcionar.
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DIETA
DA RESTAURAÇÃO
O
que se pode comer: proteínas
e gorduras. Carboidratos, só até as 6
da tarde.
O
que não se pode comer: carboidratos de alto
índice glicêmico (pães, massas e
doces) à noite.
Prós:
a perda de peso é rápida e não
há grandes restrições calóricas.
Aumenta a disposição.
Contras:
sem exercícios físicos, pode até
engordar.
André Wanderlei
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Quem
já tentou:
Cristiana Oliveira, atriz: veterana de 22 anos
de dietas. Come pouco e passou a evitar o carboidrato
noturno. Faz duas horas de ginástica por dia.
>>
Emerson
Fittipaldi, empresário: evita carboidratos
à noite. No café da manhã toma
leite de arroz. Malha diariamente.
Fause
Haten, estilista: trocou o manequim 44 pelo 40.
Evita refrigerantes, carnes vermelhas e não come
carboidratos à noite.
Lucélia
Santos, atriz: perdeu 2 quilos. Ganhou massa muscular.
Nada de carboidratos à noite. Toma suplementos
naturais.
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Não
há melhor vitrine dessa nova onda que os corpos delgados
das celebridades internacionais e brasileiras que se dizem
adeptas dos regimes que evitam os carboidratos em todas as
suas formas, especialmente as mais agressivas as farinhas
e o açúcar refinados. Jennifer Aniston, a loira
de pele dourada e barriga de tábua, estrela do seriado
Friends, exibido por canais de TV brasileiros, é
uma delas. O milionário Donald Trump e a atriz cômica
Whoopi Goldberg propagandearam sua adesão à
dieta do baixo carboidrato. Mas o troféu mais vistoso
dos adeptos do regime da moda é a magistral atriz galesa
Catherine Zeta Jones, que voltou à forma original em
poucas semanas depois de dar à luz o filho do ator
Michael Douglas. No Brasil, a estrela Vera Fischer é
a bandeira mais exuberante das qualidades cosméticas
da dieta que permite comer carnes, ovos e bacon desde que
se exilem da mesa os carboidratos.
Os especialistas que seguem essa linha divergem, no entanto,
quanto ao grau de aversão que o candidato a perder
peso deve ter dos carboidratos. A mais branda das receitas
é chamada "dieta da restauração", modismo
de academia, que só proíbe a ingestão
de carboidratos depois das 6 da tarde. A idéia é
que eles são mais nocivos durante o sono, quando afetariam
a liberação do hormônio do crescimento,
substância comprovadamente capaz de, nas pessoas adultas,
induzir a formação de músculos e eliminar
gorduras. Em seguida vem o regime conhecido no Brasil como
"ponto Z", adaptação da famosa dieta americana
The Zone. Em termos de carboidratos ele é muito menos
amigável com os grãos, as massas e os doces
que a tradicional "pirâmide dos alimentos", que os nutricionistas
aprendem nas escolas há décadas e que prescreve
a alimentação saudável com uma média
de 60% de carboidratos, 20% de gordura e apenas 20% de proteínas.
A dieta do ponto Z admite a ingestão de até
40% de carboidratos. Um pouco mais radicais são as
dietas hiperprotéicas, que toleram 60 gramas de carboidratos
por dia o equivalente a duas fatias de pão dietético
ou três colheres de granola. É nada para quem
está acostumado ao arroz-feijão-batata-macarrão.
Finalmente, no extremo mais radical da luta contra o carboidrato
está o médico que popularizou essa linha de
regime, o americano Robert Atkins. Pelo regime preconizado
por Atkins, só se podem comer 20 gramas diárias
de carboidratos nos primeiros dias da dieta, passando depois
a 40 gramas ou um pouco mais. Coma uma maçã
e você já estará ultrapassando o limite.
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PROTÉICAS
O
que se pode comer: carnes, queijos magros, saladas
e frutas
O
que não se pode comer: pães, massas,
doces e gorduras
Prós:
a perda de peso é rápida.
Contras:
o corte de carboidratos pode levar à perda
de líquidos e massa muscular.
Fotos Oscar Cabral
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Quem já tentou:
Mônica
Carvalho, atriz: há quatro meses come só
carnes brancas grelhadas, saladas e frutas. Perdeu 3
quilos. >>
Leandra
Leal, atriz: quer baixar seu porcentual de gordura
corporal de 24% para 15%. Suas refeições
têm de ter carnes, verduras e frutas.
Carlos
Velloso, presidente do STF: aveia e bolacha cream
cracker no café da manhã são as
únicas porções de carboidratos
que ingere. Desde dezembro perdeu 1 quilo e meio. Quer
livrar-se de outros 4.
Antonio
Carlos Magalhães, senador: perdeu 2 quilos
em três semanas eliminando totalmente o açúcar.
Come proteínas, legumes e frutas. Toma
Xenical e caminha uma hora todos os dias.
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Dono
de uma fome insaciável por leitores, ouvintes e consumidores
de seus produtos dietéticos, além de um igual
apetite para polemizar com quem se opõe a suas idéias,
o cardiologista americano Robert Atkins chega aos 70 anos
como o papa da dieta. "Sou o primeiro e até hoje o
único profissional de saúde de toda a América
a combater a obesidade com um método tão consistente
quanto seguro", disse ele a Ângela Pimenta, de VEJA,
que o entrevistou em sua clínica, que ocupa um prédio
em Nova York. Na guerra santa e milionária
que há mais de trinta anos trava contra a obesidade,
Atkins ostenta cifras gordas. Em todo o planeta, seus livros
já venderam cerca de 15 milhões de exemplares
pregando um regime que libera a ingestão irrestrita
de gorduras e proteínas, mas combate furiosamente os
carboidratos. A marca Atkins também vende milhões
de dólares em vitaminas, shakes e barras de cereais.
Assíduo convidado dos mais populares programas de TV
dos Estados Unidos, o doutor dieta tem um faro apurado para
o marketing. Além de estrelar um programa de rádio
semanal e de publicar uma revista que leva seu nome, três
vezes por ano ele despacha cerca de 500 gordinhos para um
cruzeiro no Caribe. Lá eles se bronzeiam, detonam toneladas
de bacon com ovos e aprendem os truques do regime que há
29 anos divide radicalmente os médicos.
Lançada em 1972, a dieta Atkins ainda hoje é
o mais popular e mais controvertido método de perda
de peso nos Estados Unidos. Não sem oposição.
Ele despertou ondas de protesto quando pela primeira vez sintetizou
um método fácil e muito agradável
de ser seguido para perder peso. Com a dieta Atkins,
come-se muito. Não existe fome. O médico foi
tão atacado que sua dieta se tornou quase uma seita,
ou melhor, um cisma, que esteve no limbo por quase três
décadas. Ressurgiu como sucesso de público há
alguns anos, em parte porque os estudos recentes sobre o metabolismo
humano mostraram que, com os parcos conhecimentos existentes
sobre o metabolismo nos anos 70, Atkins já sabia ler
os sinais que observava em seus clientes. O médico
coleciona milhares de relatos atestando que, após os
catorze dias daquilo que ele batizou de "fase de indução",
seus seguidores perdem até 10 quilos. Atkins sustenta
também que a maioria de seus adeptos não volta
a recuperar o peso perdido. Ao todo, mais de 25 000 pacientes
já passaram por sua clínica em Nova York. Privado
de carboidratos, o corpo humano, segundo Atkins, viraria uma
usina, passando a queimar freneticamente a gordura acumulada.
O resultado é uma verdadeira revolução
metabólica dentro do organismo. O tecido adiposo é
"derretido" e vai parar na corrente sanguínea na forma
de cetonas, pequenos fragmentos à base de carbono.
Atkins afirma que a maioria de seus pacientes descreve sensações
prazerosas nessa fase do regime, que ele chama de "cetose
benigna".
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HIPERPROTÉICAS
O
que se pode comer: Na versão radical de Atkins,
carnes, ovos, queijos, bacon e alguns poucos vegetais.
São permitidos de 20 a 40 gramas de carboidratos
por dia.
O
que não se pode comer: arroz, pães,
doces e raízes. Prós:
a perda de peso é rápida e a dieta é
fácil de ser seguida.
Contras:
pode haver aumento no colesterol e sobrecarga na
função hepática. Há perda
de massa muscular.
Quem
já tentou:
Luiza
Tomé, atriz: teve náuseas e vontade
louca de comer carboidrato. Sucumbiu a uma macarronada.
Venceu a crise. Continuou só nas verdurinhas
e grelhados e perdeu os 4 quilos que precisava em um
mês. Está com 53 quilos. >>
Vera
Fischer, atriz: por três meses, seguiu
à
risca uma dieta que permitia até 40 gramas de
carboidrato, o que equivale a duas saladas por dia.
Perdeu 15 quilos. Hoje seu médico libera duas
torradas de glúten e duas frutas.
Ney
Suassuna, senador: perdeu 15 quilos em três
meses. Segue o método Atkins e toma Xenical.
Faz 500 abdominais diárias. Quer perder mais
5 quilos.
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O
governo americano e as principais entidades médicas
do país ainda condenam veementemente a dieta Atkins,
afirmando que ela representa sérios riscos à
saúde. "Não é possível endossar
um regime como esse, que proíbe a ingestão de
alimentos saudáveis, como frutas e vegetais, e prega
o consumo de gorduras saturadas, que podem causar câncer
e doenças do coração", diz a nutricionista
Sheah Rarback, porta-voz da Associação Dietética
Americana (ADA). Para a Associação Médica
Americana (AMA), a privação de carboidratos
é altamente prejudicial ao organismo, já que
junto com as cetonas o corpo acaba eliminando também
sais minerais, como sódio e potássio, expondo
o indivíduo ao risco de desidratação
e arritmia cardíaca. Uma comissão de médicos
filiados à AMA, assustados com o sucesso de Atkins,
chegou a propor que os livros dele viessem com um selo do
governo americano, como aquele alerta que vem nos maços
de cigarro. Outro estudo oficial afirma que o corpo humano
necessita de pelo menos 150 gramas de carboidratos por dia.
De acordo com ele, o consumo abaixo dessa quantidade é
uma violência contra o metabolismo. "O cérebro
necessita de energia rápida, na forma de glicose, para
poder funcionar com eficiência, e acontece que leva
muito tempo para que um organismo consiga produzir energia
a partir de proteína e de gordura e transportá-la
até o cérebro", diz Sheah Rarback.
"Isso
tudo é uma grande besteira", rebate Atkins. "Você
acha que se isso fosse verdade eu estaria vivo depois de 38
anos seguindo minha própria dieta?" De fato, o doutor
Atkins parece estar em forma. Com 1,83 metro de altura e 89
quilos, ele é ativo e lúcido. Garante também
que sua pressão arterial, níveis de açúcar
e gordura do sangue estão estáveis. Best-seller
no mundo inteiro, Atkins amealhou boa parte de sua fortuna,
estimada em cerca de 200 milhões de dólares,
em direitos autorais. Nos Estados Unidos, seus livros não
costumam ter tiragens inferiores a 700.000
exemplares, rendendo adiantamentos que chegam à casa
de pelo menos 1 milhão de dólares ao autor.
Lançado há três anos, A Nova Dieta
Revolucionária do Dr. Atkins vendeu cerca de 6
milhões de exemplares. No Brasil, já foram vendidos
perto de 6.000 livros em dois meses.
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BODY
FOR
LIFE
João Raposo
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O que se pode comer: seis refeições
diárias, com porções de proteína
e carboidrato. O que não se pode comer: gorduras.
Prós:
o programa une exercícios com dieta e promove
reeducação. Tem um dia de folga semanal.
Contra:
é
rígido e estimula desistências.
Quem
já tentou:
Flávio
e Gustavo Mendonça, gêmeos do SuperPositivo:
perderam 20 e 22 quilos. De manhã comem claras
de ovo, ricota e batata cozida. No almoço e no
jantar, proteínas, verduras, carboidratos e shakes
protéicos. Treinam pesado seis vezes por semana.
>>
|
A
legião de 10.000 pacientes
que a cada ano se tratam no Atkins Center discorda frontalmente
dos críticos. É fácil entender a pressa
e a ansiedade que os americanos, mais que qualquer povo do
planeta, têm para emagrecer. Pesquisas oficiais mostram
que hoje a gordura virou uma epidemia no país: 60%
dos americanos adultos estão acima do peso. Só
os obesos são 25% desse contingente. Estudos complementares
afirmam que os gordos têm menos chances que os magros
de entrar na faculdade, conseguir empregos e até mesmo
de se casarem. Só no ano passado essa multidão
aflita gastou cerca de 50 bilhões de dólares
com regimes e alimentos dietéticos. Erguido em Manhattan,
a cinco quarteirões da loja de departamentos Bloomingdale's,
o quartel-general do doutor Atkins promete alívio rápido
para os gordos. Aliás, a própria sede do Atkins
Center é a tradução perfeita do método
de emagrecimento de seu fundador. Nada ali lembra uma clínica
de medicina convencional, dessas em que os tons de cinza e
bege dominam o mobiliário, jalecos ou gravatas. Já
da fachada, o letreiro azulão do Atkins Center anuncia
o estilo do dono.
"Sempre
acreditei que a saúde é inimiga da depressão",
diz Atkins, refestelado em sua poltrona violeta, num consultório
povoado de obras de arte modernosas. Comandando diariamente
um batalhão de oitenta empregados, entre médicos,
enfermeiros e nutricionistas, ele cobra entre 1.400
e 2.500 dólares por pacotes
de tratamentos que incluem consultas, exames e sessões
de fisioterapia. Os preços variam de acordo com o número
de consultas e exames prescritos. A maioria da clientela do
Atkins Center é composta por americanos de classe média
cujos seguros de saúde cobrem o custo do atendimento.
"Eu me cansei de tratar esse pessoal de Hollywood", diz Atkins.
"Eles aparecem a primeira vez e depois começam a fugir
dos regimes e faltar às consultas."
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EQUILIBRADAS
O
que se pode comer: um pouco de tudo, desde que não
ultrapasse a quantidade diária permitida de calorias.
As mais conhecidas são a dieta dos pontos e a
dos Vigilantes do Peso.
O
que não se pode comer: a príncipio
nada é proibido.
Prós:
a dieta leva à reeducação alimentar.
O paciente dificilmente sente fome.
Contras:
na dieta dos pontos, os pacientes acabam preferindo
alimentos pouco saudáveis. Nos Vigilantes do
Peso, pode ficar muito dependente das reuniões
semanais.
Quem
já tentou:
Marlos Bakker
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Ivete Sangalo, cantora: ela perdeu 5 quilos em três
meses malhando com personal trainer e comendo de tudo
um pouco. Ficam de fora de seu cardápio só
chocolates, frituras e doces. >>
Lucília
Diniz, empresária: perdeu 30 dos 100 quilos
em um ano seguindo um método próprio.
Hoje tem sua própria linha de produtos light.
Angélica,
apresentadora: dois anos num programa de reeducação
alimentar. Perdeu 8 quilos comendo bem no café
da manhã e pouquísismo à noite.
Frituras e doces, nem pensar. Malha quatro vezes por
semana.
Carla
Perez, dançarina: a ex-loira do Tchan vivia
de sanduíches. Foi ao médico, detectou
o colesterol elevado. Consome quantidades pequenas de
pães, sucos, água-de-coco, feijão,
arroz e carne. Perdeu 4 quilos.
Costanza
Pascolato, consultora de moda: segue a dieta dos
Vigilantes do Peso. Freqüentou reuniões
de grupo, aprendeu a comer moderadamente e perdeu 8
quilos. Está em manutenção.
Luciano
do Valle, comentarista esportivo: perdeu 10 quilos
em dez meses com reeducação alimentar.
Aboliu o açúcar e anda na praia todos
os dias.
Danielle
Winits, atriz: desde que começou sua
reeducação alimentar perdeu 10 quilos.
Aprendeu a escolher melhor o que come e evita
consumir muito leite. Faz exercícios diários.
Alexandre
Herchcovitch, estilista:
perdeu 12 quilos em seis meses com a dieta
dos pontos. Voltou a engordar e começou o
regime outra vez. Já perdeu 8 novos quilos.
Antonio
Calloni, ator:
baixou de 104 quilos para 92 quilos
em cinco meses. Segue a dieta dos pontos e
caminha na orla carioca.
Toma vinho todas as noites.
Suzy
Rêgo, atriz: há dez anos abandonou
as dietas radicais e aderiu à reeducação
alimentar. Faz exercícios diariamente e abre
exceções para compromissos sociais. Perdeu
10 quilos.
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No
Brasil, o sucesso evidente do regime de Vera Fischer aumentou
o número de clientes do badalado consultório
do nutrólogo Alberto Serfaty na Zona Sul do Rio de
Janeiro. Serfaty é um dos maiores entusiastas brasileiros
da dieta de baixo carboidrato. Seguindo suas recomendações,
a ex-modelo Monique Evans recorreu a esse tipo de regime e
perdeu 15 quilos. A atriz Luiza Tomé livrou-se de 4
quilos. "É errada a crítica de que a comida
rica em proteínas e gorduras vai aumentar a concentração
de lipídios no sangue. Com o emagrecimento, cai naturalmente
o índice de colesterol e de outras gorduras circulantes",
diz Serfaty. Um dos mais atualizados médicos brasileiros,
o endocrinologista paulista Geraldo Medeiros acha razoável
a argumentação científica que embasa
as dietas metabólicas. "A ingestão de proteínas
é correta. Mas os médicos americanos que seguem
essa linha são excessivamente permissivos com as gorduras",
diz Medeiros.
O americano Morrison Bethea, autor de uma dieta metabólica
quase tão radical quanto a de Atkins, lembra que apenas
a restrição calórica e exercícios,
em geral, são insuficientes para acertar o alvo em
que os pacientes miram. As pesquisas mostram que nove em cada
dez pessoas que fazem dieta querem perder pelo menos 30% da
massa corporal. Do ponto de vista puramente médico,
perder 5% e manter-se assim por um ano já é
o bastante. "As pessoas querem emagrecimento rápido
e duradouro, essa é a verdade", diz ele. Bethea é
autor do livro Sugar Busters (Exterminadores do Açúcar),
que condena os carboidratos, dos quais o açúcar
refinado é o representante mais agressivo. Ele diz
que, no caso de alguns pacientes com predisposição
genética para obesidade, cerca de 20% de todos os gordos,
a dieta de alta proteína e baixo carboidrato é
a única saída para emagrecer.
Outra ala dos inimigos dos carboidratos sustenta que privar-se
deles traz até benefício adicional à
saúde: a regularização hormonal. "Com
uma alimentação adequada é possível
obter a liberação máxima de hormônio
do crescimento", diz o geriatra Eduardo Gomes de Azevedo.
Ele aconselha seus pacientes a cortar totalmente a ingestão
de carboidratos depois das 6 da tarde, de modo a não
interferir na síntese desse hormônio que ajuda
o corpo a criar músculos em vez de gorduras. "Desde
que iniciei a dieta de indução do hormônio
do crescimento ganhei músculos e emagreci e me sinto
muito disposta para praticar esporte", comemora a apresentadora
Cléo Brandão, que perdeu 5 indesejáveis
quilos em um único mês. Lucélia Santos
e Emerson Fittipaldi também adotaram a dieta que promete
induzir a liberação de hormônio do crescimento
pelo corte dos carboidratos na dieta vespertina.
Mesmo diante dos formidáveis resultados práticos
obtidos pelas dietas que mantêm os carboidratos longe
do prato, as autoridades de saúde acham que é
preciso ainda muita investigação científica
para dar-lhe uma chancela oficial. Muitos dos mecanismos citados
por Robert Atkins para explicar o sucesso de sua dieta ainda
são rejeitados. Como tudo o mais que altera o metabolismo
humano, as dietas que mexem com a síntese de hormônios
e mudam a química corporal não oferecem certezas.
A única certeza, aliás, que cruzou a fronteira
do século XXI junto com a endocrinologia é que
cada caso é um caso. Muitos pacientes gordinhos vão
beneficiar-se das dietas tradicionais que visam apenas racionalizar
a alimentação, evitando excessos. Outros vão
ter de recorrer a métodos mais drásticos. Cabe
aos médicos dizer quem se encaixa em cada um dos casos.
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ALTERNATIVAS
O
que se pode comer: depende da dieta. Geralmente
são regimes de baixas calorias.
Prós:
a perda de peso é constante.
Contra:
a pessoa volta a engordar em pouco tempo.
Ronaldo Ceravolo
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Quem
já tentou:
Xuxa,
apresentadora: não come carne vermelha desde
os 13 anos. Faz duas refeições por dia,
evita sal e bebidas alcóolicas. Segue a orientação
do livro sobre a dieta do sangue.
Yeda
Crusius, deputada federal: no café da manhã
e no almoço só ingere um composto à
base de produtos naturais diuréticos. No jantar,
come verduras, grelhados e legumes.
Galvão
Bueno, comentarista esportivo: perdeu 14 quilos
seguindo uma dieta própria. Deixou de lado as
bebidas alcoólicas, toma só vinho. Nos
restaurantes fez da entrada seu prato principal. Corre,
anda e joga golfe.
Simone,
cantora: trocou alimentos gordurosos por refeições
leves. Duas vezes por semana passa cinco horas fazendo
massagem redutora. Em dois meses, perdeu 6 centímetros
de cintura.
Emmanuel
Bassoleil, chef: a cada três meses passa uma
temporada de sete dias num spa naturista onde são
proibidas carne vermelha e comida com conservantes.
Já perdeu 10 quilos.
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