Cabeça
a prêmio
É
incrível! Os presidentes das principais
empresas dos Estados Unidos estão sendo demitidos numa velocidade
jamais vista
Photodisk
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Quem trabalha numa empresa privada se acostumou com a idéia
de que, tirando o "homem", como muitos se referem ao presidente
da empresa, ninguém está seguro no emprego.
Pois agora nem os "homens" estão a salvo da demissão.
Nos últimos cinco anos, dois terços das grandes
companhias do mundo trocaram seus executivos pelo menos uma
vez. Somente nos Estados Unidos, mais de 1.000
presidentes de empresa foram demitidos no ano passado. Um
terço deles recebeu o bilhete azul de setembro para
cá. Os dados fazem parte de uma pesquisa preparada
pela firma de consultoria Drake Beam Morin. Outro levantamento
sobre o assunto demonstrou que, quanto maior a empresa, maior
é o risco de a cabeça do chefe ser cortada:
39 presidentes das 200 principais companhias do país
perderam o emprego no ano 2000, contra 23 em 1999 60%
a mais.
O presidente da empresa, ou chief executive officer, ou ainda
CEO, é o personagem em torno de quem gravita a organização.
Cabe a ele direcionar o negócio, num jogo que se assemelha
a um cabo-de-guerra. De um lado, precisa agradar ao consumidor,
que quer produtos de qualidade e preço baixo. De outro,
precisa atender os acionistas, interessados em auferir dividendos
elevados. Assegurar que os dois lados sejam contemplados é
uma mágica. É por essa razão que o CEO,
quando realiza seu trabalho com talento, recebe em troca rendimentos
milionários. O lendário Jack Welch, da General
Electric, ganhou 68 milhões de dólares em 1998.
Esse "salário" impensável faz sentido num negócio
que precisava de uma faxina sem precedentes e que hoje fatura
91 bilhões de dólares por ano. Michael Eisner,
responsável por aumentar o faturamento da Disney de
1 bilhão para 22 bilhões de dólares,
recebeu inimagináveis 589 milhões de dólares
em 1998. Nos casos em que a remuneração dos
presidentes é muito alta, a diferença entre
o salário mais baixo da firma e o rendimento do CEO
chega em média a 500 vezes e pode atingir, numa situação
como a de Eisner, distância superior a 20.000.
Esse é o lado bom (para eles, claro). O lado ruim da
função é que, de um tempo para cá,
diante de tanto dinheiro, os acionistas deixaram de ser tolerantes
com os executivos quando o desempenho fica aquém do
esperado. Contratado em 1995 para comandar os negócios
das sopas Campbell, o badalado executivo Dale Morrison implementou
um ambicioso plano de reestruturação da empresa.
Ele prometeu aos sócios taxas espetaculares de retorno.
Num primeiro momento, o valor dos papéis da Campbell
em Wall Street triplicou. Passado o entusiasmo inicial, vieram
os balanços com números negativos e os acionistas
decidiram demitir Morrison. No total, ele ficou dois anos
e sete meses no cargo. Atualmente, é CEO de uma pequena
empresa de tecnologia.
Outros pesos-pesados do mundo dos CEOs foram catapultados
por motivos semelhantes. Douglas Ivester, que assumiu a Coca-Cola
em outubro de 1997, sobreviveu menos de três anos no
cargo. Ele cometeu o pecado mortal de deixar o valor das ações
da companhia despencar pela metade. Numa era em que o crescimento
da economia americana bateu todos os recordes, o apetite dos
investidores de Wall Street tornou-se voraz além
de não tolerar prejuízos, pune aqueles que se
revelam incapazes de atingir os lucros projetados. Eckhard
Pfeiffer, ex-CEO da Compaq, foi degolado por esse motivo.
Ele foi demitido em abril de 1999, mesmo depois de ter comandado
o maior período de crescimento da empresa na década
de 90. Não foi o suficiente. Os acionistas esperavam
ainda mais. O resultado dessa paranóia é a alta
rotatividade. "Talvez estejamos procurando qualidades heróicas
e recordes inatingíveis", afirma John Challenger, presidente
de uma das principais firmas de recolocação
de executivos de Chicago. A cada dia torna-se mais improvável
alguém bater o recorde de Jack Welch, que completará
em dezembro vinte anos à frente da General Electric.
"A responsabilidade é tão grande que os CEOs
tremem a cada divulgação de balanço",
diz David Ivy, vice-presidente da consultoria Korn/ Ferry
International.
É
evidente que, nesse nível profissional, os demitidos
não perdem tempo em descobrir quanto tinham no fundo
de garantia. Quando são dispensados, os CEOs levam
para casa uma fortuna de indenização e, em geral,
conseguem reposicionar-se rapidamente no mercado. Recuperar
o prestígio abalado, no entanto, é uma tarefa
muito mais difícil. O Brasil ainda está longe
de ser comandado pelo que os especialistas chamam de "lei
da bolsa de valores". Aqui, a maior parte dos CEOs são
os próprios donos das companhias e, por essa razão,
jamais serão demitidos. Com o aumento na quantidade
de empresas de capital aberto e o fortalecimento da bolsa
de valores, a tendência é que o país venha
a conhecer esse troca-troca no médio prazo.
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