Edição 1838 . 28 de janeiro de 2004

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Grito...: suspense genuíno, monstros hilariantes


Grito de Horror
(The Howling, Estados Unidos, 1981. Cinemagia) – Uma repórter de TV (Dee Wallace, a mãe da meninada de E.T.) tem um encontro tão assustador com um assassino serial que bloqueia suas lembranças do episódio. Tudo o que fica é a sensação de pavor e mal-estar, da qual ela procura se recuperar durante uma temporada numa clínica conhecida como "A Colônia", nas florestas do norte da Califórnia. O que a jornalista não sabe é que todos os pacientes ali são lobisomens, e que estão envolvidos num experimento psiquiátrico de métodos e resultados duvidosos. O filme que tornou o diretor Joe Dante (Gremlins) conhecido é, como se vê, trash total – mas um clássico do gênero, em que o suspense é genuíno e os monstros, hilariantes.


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Face Oculta: o submundo de Los Angeles


A Face Oculta da Lei
(Dark Blue, Estados Unidos/Alemanha, 2002. Europa) – O que se tem aqui, de início, é uma fórmula: um policial corrupto (Kurt Russell, em atuação bem acima de sua média) treina um parceiro jovem e inexperiente no seu ofício e nos métodos ilegais para exercê-lo. Mas se está em 1992 e, enquanto a dupla faz suas rondas, Los Angeles pega em armas para acompanhar o julgamento dos policiais brancos que espancaram o negro Rodney King. No tumulto que se segue à absolvição dos réus, o veterano vai descobrir que não passa de um joguete nas mãos do chefe de polícia. Qualquer semelhança com Los Angeles – Cidade Proibida não é mera coincidência: esse filme honesto e vigoroso também é adaptado de uma obra de James Ellroy, o cronista maior do submundo angeleno.

 

LIVROS

Tu Carregas Meu Nome, de Norbert e Stephan Lebert (tradução de Kristina Michahelles; Record; 206 páginas; 30 reais) – Até que ponto os laços de família determinam o destino dos indivíduos? Esse livro aborda a questão de maneira dramática, ao focalizar os descendentes de altos oficiais nazistas, como Rudolf Hess e Hermann Göring. A maioria carregou o nome do pai como uma maldição, que obrigou a gestos radicais de revolta ou a uma vida de silêncio e sentimentos reprimidos. No primeiro caso encontra-se Klaus Frank, filho de Hans Frank, o chefe de Auschwitz. Jornalista, ele expôs seu ódio ao pai em público. No segundo caso encontra-se Gudrun Himmler, filha do chefe da terrível polícia secreta de Hitler. Ela viveu no anonimato, cultivando em segredo a memória do pai e tecendo uma rede de contatos com velhos nazistas. Os autores de Tu Carregas Meu Nome são também pai e filho. Norbert abordou o tema do livro numa série de reportagens em 1959 e Stephan retomou o trabalho quarenta anos depois. Leia trecho do livro.

Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, de António Lobo Antunes (Objetiva; 565 páginas; 64,90 reais) – Durante muitos anos, José Saramago e António Lobo Antunes protagonizaram uma espécie de Fla-Flu literário. A conquista do Prêmio Nobel pôs Saramago em vantagem na disputa pelo posto de maior ficcionista português contemporâneo, mas os fãs de Lobo Antunes acreditam que ele vai se recuperar do prejuízo. Seu nome, de fato, continua nas listas de candidatos ao Nobel. A prosa de Lobo Antunes é intransigentemente experimental, com sua ausência de pontos finais, seus parágrafos entrecortados e seus parênteses. Seus temas em geral são políticos. Este romance se passa em Angola no período pós-colônia e fala de três agentes secretos que, sucessivamente, tentam contrabandear diamantes do país africano para a antiga metrópole, Portugal.

 
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Yolanda, em tela de Di Cavalcanti

 

Yolanda, de Antonio Bivar (A Girafa; 430 páginas; 53 reais) – Interpretada pela atriz Ana Paula Arosio na minissérie Um Só Coração, Yolanda Penteado (1903-1983) foi uma das mulheres mais notáveis do Brasil do século XX. Ela teve a independência como uma de suas marcas, que se observa na maneira como administrou os negócios que herdou da família quatrocentona. Mas seu nome ficou marcado, acima de tudo, como mecenas das artes plásticas. Juntamente com seu marido, o industrial Ciccillo Matarazzo, ela fundou o Museu de Arte Moderna, o Museu de Arte Contemporânea e a Bienal de São Paulo. Além de traçar um perfil apurado de Yolanda, o escritor Antonio Bivar ajuda a reviver, nesse livro, a atmosfera paulistana das décadas de 20 a 60.

 

DISCOS

Lost Dogs, Pearl Jam (Sony) – Graças ao vozeirão marcante do cantor Eddie Vedder, o Pearl Jam firmou-se como um dos principais expoentes do rock grunge surgido na cidade americana de Seattle nos anos 90. As gravações ao vivo do grupo sempre foram muito pirateadas – o que os fez tomar, em 2000, a decisão extrema de lançar 25 discos ao mesmo tempo, cada qual contendo o registro de um show diferente da mesma turnê. Essa compilação, em forma de CD duplo, revela um outro lado da banda. Ela é composta de raridades do início de carreira, sobras de estúdio e lados B – material que, em boa parte, só era conhecido dos fãs também por meio da pirataria. Das trinta faixas, onze são inéditas. Trata-se de gravações despojadas e bem-humoradas, que captam o grupo em seu melhor rock'n'roll. Ouça a faixa Sad.

Estrela da Manhã, Olga Kopylova (CDA) – A russa Olga Kopylova, de 24 anos, é um novo talento do piano. Formada no Conservatório de Moscou, um dos mais prestigiosos do mundo, ela ocupa desde 1999 o posto de titular de seu instrumento na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp. O primeiro disco da artista constitui uma bela amostra de sua técnica. O repertório é dedicado a compositores russos do final do século XIX e da primeira metade do século XX. Olga executa com maestria três movimentos da Sonata Nº 7, de Prokofiev, peça modernista que é considerada um desafio para os pianistas. Ela também se sai bem na interpretação de autores como Rachmaninoff e Nicolai Medtner, este último pouco conhecido fora da Rússia.

Dirty Hits, Primal Scream (Sony) – No final dos anos 80 e ao longo de toda a década seguinte, o grupo Primal Scream foi um dos mais influentes do pop independente britânico. Liderada pelo cantor Bobby Gillespie, uma figura das mais debochadas, a banda produziu bem-sucedidos cruzamentos do rock com batidas dançantes eletrônicas. Essa coletânea de hits fornece um panorama do que o Primal Scream produziu de melhor ao longo de sua carreira. De Screamadelica, o álbum que os consagrou em 1991, há músicas como Loaded – que estourou nas rádios na época – e Higher Than the Sun. Faixas mais recentes, como Swastika Eyes e Some Velvet Morning, são a prova de que Gillespie e companhia não perderam a mão.

 


Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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