Edição 1838 . 28 de janeiro de 2004

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Radar

GOVERNO

Prêmio de consolação 1
O destino de José Graziano, um dos amigões do peito que Lula demitiu na semana passada, pode ser Washington. Mais precisamente a diretoria do Brasil no Banco Mundial. Já houve uma conversa telefônica entre Lula e James Wolfensohn sobre o assunto. Graziano cai como uma luva no cargo – o mote do Banco Mundial é justamente combater a pobreza. O salário até que não é ruim, 16.000 dólares líquidos mensais.

Prêmio de consolação 2
Há, porém, uma barreira delicada a ser transposta. O atual ocupante do posto, Otaviano Canuto, ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, está lá faz apenas dois meses. Bem, depois de tantas frituras e até demissão de ministro por telefone talvez nada mais seja tão embaraçoso assim.

Eu também quero
José Sarney quer nomear o presidente da Eletrobrás, que está na cota do PMDB. Mas o comando do partido – ou seja, Michel Temer, Renan Calheiros e Eunício Oliveira – quer discutir mais a questão.

Tudo como dantes
Alguns dos ex-parlamentares que viraram ministros na semana passada já decidiram: vão continuar com o salário que recebiam no Legislativo. É mais ou menos o dobro do vencimento de um ministro.

Na ponta da língua
Em seu jantar com Lula na semana passada, na Granja do Torto, Zeca Pagodinho presenteou o presidente com um kit contendo seus novos CD e DVD e sua recém-lançada biografia, A Vida que Se Deixa Levar (Editora Relume-Dumará). Lula pegou o livro, olhou a capa e disparou: "Zeca, não sabia que você estava escrevendo agora também". Pagodinho esclareceu que é apenas o biografado, mas sem constrangimento. Afinal, como se sabe, nem ele escreveu nem o presidente vai ler.

"Canta, canta"
Na última semana de 2003, Gilberto Gil tomou uma decisão – a de não cantar mais nas cerimônias de que participa como ministro. A idéia era separar o cantor do ministro. Não deu certo. Já em sua primeira viagem oficial, para São Francisco do Sul (SC), populares pediram, e ele, claro, mandou ver. A mesma coisa aconteceu em Belém e Manaus. Na Índia, onde desembarcou na semana passada, Gil relaxou: viajou na companhia de seu violão.

 

O dinheiro para o Airbus ainda não existe


Divulgação
O novo Airbus presidencial: de onde virá a grana?

O governo anunciou que comprará um Airbus ACJ para servir à Presidência da República por 56,7 milhões de dólares. Beleza, o velho Sucatão presidencial fazia mesmo jus ao nome. Mas de onde vai sair o dinheiro? O deputado Geddel Vieira Lima escarafunchou o Orçamento do Ministério da Defesa e descobriu que não há dotação orçamentária para tal gasto. Existe, é verdade, a rubrica "aquisição de aeronaves", mas com grana insuficiente para bancar os quase 50 milhões de dólares que deverão ser amortizados neste ano na compra do Airbus. Para tapar o buraco, só uma solução: terá de ser enviado ao Congresso um projeto de lei realocando as verbas do Orçamento da Defesa. Ou seja, algum projeto vai dançar...

 

ECONOMIA

União capital-trabalho
Michel Klein e Paulo Pereira da Silva estão finalizando negociações para lançar um cartão de fidelidade das Casas Bahia com a Força Sindical.

Chocolate ao leite
O Cade iniciou sob sigilo o julgamento do primeiro caso de concentração econômica na era Lula – a compra da Garoto pela Nestlé. O julgamento acontece no momento da crise do leite. Coincidentemente, dos laticínios instalados no Brasil o que tem mais recursos para adquirir uma operação como a Parmalat é a DPA, da qual uma das duas controladoras é justamente a Nestlé.

 

MERCOSUL

Fim da obscuridade
O presidente do Mercosul, Eduardo Duhalde, encomendou ao marqueteiro João Santana a criação de uma política de comunicação do órgão. Partem de um princípio incontestável – à exceção das elites dos países-membros, ninguém tem a menor idéia do que é o Mercosul. A médio prazo devem vir por aí a rádio e a TV (a cabo) Mercosul.

 

FORÇAS ARMADAS

Um carinho no Exército
Há sinais de que a pindaíba do Exército está menor. Ou então de que Lula quer adoçar um pouquinho a boca dos militares: o Exército está fechando a compra de 500 unidades do Defender, da Land Rover, que serão usadas para o patrulhamento da fronteira brasileira e eventualmente para combate. É um negócio que gira em torno dos 40 milhões de reais.

 

CIDADES

Espionagem industrial
O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, não tira o olho da grama do vizinho enquanto cuida de seu quintal. Ele tem um servidor em São Paulo encarregado da leitura do Diário Oficial do Município. Qualquer lei ou decisão de governo que considere relevante, Cesar Maia manda esmiuçar. É a profissionalização da velha rivalidade.

 

GENTE

Tyson quer grana
Mike Tyson desembarca no Rio de Janeiro no dia 22 para sua primeira visita ao Brasil, trazido pela SMS Marketing Esportivo. Foi só sair a notícia da vinda do ex-boxeador para surgir convites para o Sambódromo. O fortão, porém, já avisou que não vestirá camiseta de ninguém de graça. Quem quiser levar Tyson para ver o Carnaval em algum camarote terá de desembolsar o cachê de 350.000 reais. E é bom não discutir com ele.

 

Reais em jogo

O técnico da seleção sub-23, Ricardo Gomes, passou a semana com a corda no pescoço, tenso na luta pela classificação do Brasil para as Olimpíadas de Atenas. Entre outras coisas, estava em jogo para ele um invejável salário: 50 000 reais mensais, com carteira assinada. São vencimentos polpudos, mas a léguas de distância de Carlos Alberto Parreira, que recebe 165 000 reais por mês para treinar a seleção brasileira.

 

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
Colaborou Ronaldo França

 





 
 
 
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