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Arte
Senhor
modernismo
Mostra
em São Paulo reúne 125 obras
de Pablo Picasso, o mais festejado pintor
do século XX

Marcelo Marthe
Reproduções
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roduções
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A
tela O Beijo (acima, à esq.), o retrato de Jacqueline
(acima) e o estudo para Les Demoiselles d'Avignon
(à esq.): o pintor produziu 36 000 obras e já
era milionário em 1914 |
O pintor
espanhol Pablo Picasso (1881-1973) foi a personificação
do modernismo nas artes plásticas. Surgida no começo
do século XX, sua pintura cubista representou uma ruptura
com a arte feita até então e teve enorme influência
sobre as gerações posteriores. Com suas relações
amorosas agitadas e seu talento para a autopromoção,
Picasso se tornou um mito ainda em vida e desde cedo exerceu fascínio
sobre multidões. Um dos artistas mais prolíficos de
todos os tempos, ele produziu nada menos do que 36.000
trabalhos. Em 1914, já era milionário e, ao morrer,
tinha mais dinheiro do que qualquer outro pintor jamais teve. Hoje,
suas telas alcançam cifras de dezenas de milhões de
dólares nos leilões e até mesmo os críticos
que vêem sua obra com reservas, como o inglês Paul Johnson,
reconhecem que ele é um referencial inescapável. "Picasso
levanta questões de apreciação que são
únicas na história da arte. Diante dele, todos somos
obrigados a formar opinião", pondera Johnson num livro recém-lançado
no exterior, Arte: uma Nova História. Daí a
relevância da mostra devotada ao artista que será inaugurada
nesta quarta-feira na Oca, em São Paulo. Pertencentes ao
Museu Picasso, de Paris, as 125 obras entre pinturas, esculturas,
obras em papel e cerâmicas compõem um panorama
abrangente de sua produção. Ordenada de forma cronológica,
a exposição vai da tela Garota com Pés Nus,
feita por Picasso aos 14 anos, até trabalhos datados
de 1972, quando ele era nonagenário.
Na
primeira vez que o público brasileiro viu uma grande mostra
de Picasso durante a Bienal paulistana de 1953, que teve
o célebre painel Guernica como atração
, o pintor ainda ocupava o centro da cena artística.
Suas telas eram a própria imagem da transgressão.
Mas agora os tempos são outros: a arte vive a era que os
críticos costumam chamar de pós-moderna, e o modernismo
já se tornou artigo de museu. À distância das
polêmicas que cercavam o movimento, tem-se a chance de entender
e avaliar a obra de Picasso com maior serenidade. Trata-se de um
artista de muitas fases e a exposição na Oca
cobre a maioria delas. Da fase azul de seu início de carreira
pode-se ver somente uma tela menor, Retrato de um Homem (1902-1903),
além de alguns desenhos. A mostra está bem servida
de obras que cobrem o auge da produção do artista,
do advento do cubismo, sem dúvida o movimento mais influente
do modernismo, até o fim dos anos 30. Há dois estudos
para um dos quadros mais importantes de Picasso, Les Demoiselles
d'Avignon (1907), marco inicial do cubismo. A fase metamórfica,
em que o pintor exprimiu seus fantasmas e instintos em imagens dilacerantes,
tem uma representante à altura na tela O Beijo (1925).
Também não falta uma obra de caráter político
marcante. Assim como Guernica, A Mulher Chorando (1937) é
uma denúncia das atrocidades cometidas pelos partidários
do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola.
Dos
anos 40 até sua morte, Picasso continuou a produzir arte
em escala impressionante, mas suas obras não mais ostentavam
o vigor das três primeiras décadas do século
XX. Há exceções, é verdade. Num retrato
de Jacqueline Roque, a última de suas sete mulheres, datado
de 1954, o equilíbrio entre concepção original
e técnica impecável remete ao Picasso dos tempos áureos.
A maioria dos críticos concorda, entretanto, que nessa época
o artista já começava a se repetir, produzindo telas
que às vezes mais pareciam uma paródia do cubismo.
Se
na arte as realizações de Picasso são quase
uma unanimidade, o mesmo não se pode dizer de sua conduta
na vida pessoal. Não foram poucos os contemporâneos
que descreveram o artista como uma figura cínica e manipuladora.
Embora sua pintura fosse condenada na Alemanha nazista, durante
a II Guerra Mundial ele teria trabalhado sem problemas na França
ocupada, graças à amizade com um dos artistas prediletos
de Hitler e à tática de presentear poderosos com suas
obras. Sedutor incansável, Picasso inspirou-se nas mulheres
com quem se relacionou para conceber algumas de suas principais
criações. Seus romances quase sempre terminaram de
forma escandalosa e traumática. A má fama nessa área
foi alimentada pela sanha sensacionalista dos próprios familiares.
Sua neta Marina Picasso, por exemplo, lançou um livro de
memórias em que o avô é descrito como um monstro
com as mulheres. Na arte, ele também foi um monstro
mas dos sagrados.
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