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Esporte
A
legião africana
Clube
da Bélgica escala dez atletas
da Costa do Marfim e acaba acusado
até de tráfico negreiro
Divulgação
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| O
time importado do Beveren: nos círculos, jogadores da
Costa do Marfim que são titulares da equipe |
Um
modesto time da primeira divisão belga, o KSK Beveren, levou
ao limite a tendência dos clubes europeus de importar jogadores
africanos: dez de seus titulares, nesta temporada, são da
Costa do Marfim. Com isso, o time faz sua melhor campanha em uma
década no campeonato belga e já sonha em conquistar
vaga para uma das copas européias de clubes.
A
idéia de buscar praticamente um time inteiro na África
é do ex-jogador francês Jean-Marc Guillou. Ele se instalou
há dez anos na Costa do Marfim, ex-colônia francesa,
para dirigir uma equipe local. Peneirando talentos, montou um time
que conquistou a Copa da África de clubes. Três anos
atrás, exportou seu modelo para a Europa, injetando dinheiro
no Beveren, então à beira da falência. Como
o regulamento local não limita o número de estrangeiros
por time, começou a contratar atletas descobertos em Abidjã.
As
partidas do Beveren tornaram-se uma atração. Com média
de 21 anos, cinco a menos que a de outras agremiações,
mas 10 quilos mais leves e 10 centímetros mais baixos, os
jovens africanos compensam a desvantagem física com um estilo
driblador que leva a torcida local a gritar "Brasil, Brasil" em
alguns momentos. "Para mim, o futebol é uma forma de arte",
diz Guillou.
Quando
começaram a ganhar jogos, os marfinenses entraram para o
debate político. Com 40.000 habitantes,
Beveren, nos arredores de Antuérpia, vota maciçamente
no Vlaams Blok, o partido ultradireitista que combate a imigração.
Os críticos dizem que o excesso de estrangeiros prejudica
a formação de novos jogadores belgas. "Isso é
uma vergonha para nosso futebol", disse o presidente de um clube
depois de uma derrota para o time afro. Guillou também é
acusado de promover uma espécie de tráfico negreiro
moderno, ao que ele rebate assegurando se preocupar com o desempenho
escolar de seus atletas.
Titulares
africanos e reservas europeus pouco se falam fora de campo. Os jogadores
negros andam pela cidade com guarda-costas. Não ajuda o fato
de a pequena Bélgica, pouco maior que Sergipe, ter um passado
mal resolvido com a África. Suas antigas colônias,
que se transformaram em Ruanda, Burundi e República Democrática
do Congo, conquistaram independência à custa de muita
carnificina.
Ainda
que nenhum se iguale ao Beveren, é raro um grande clube europeu
que não tenha pelo menos um africano entre os contratados.
Dos 352 jogadores que estão disputando a Copa da África
de seleções neste mês na Tunísia, 200
atuam na Europa. Para os africanos, trata-se de uma oportunidade
de conquistar a independência financeira. Para os times, eles
são uma solução para alcançar melhores
resultados, como tem provado o Beveren.
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