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Moda
Da
cor do inverno
Na temporada em que o escuro
é padrão,
as coleções se curvam
ao branco ou melhor, off-white

Bel Moherdaui
Fotos Sacha Hochstetter
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| Deu
branco: a cor do inverno está em túnicas esvoaçantes,
capa "cigana", tricôs, cortes assimétricos, recortes
e casacos e flores de algodão cru |
Que
preto, que nada. Neste inverno muitos estilistas estão com
a cabeça nas nuvens ou na neve. Só pensam em
branco, uma das tendências marcantes das coleções
apresentadas na semana de moda do Rio de Janeiro (21 a 24 de janeiro)
e das que estarão na de São Paulo (28 de janeiro a
3 de fevereiro). O branco aparece nas grifes grandes (Zoomp, Forum),
médias (G, Patachou, Huis Clos) e menores (Eduardo Suppes,
Carlota Joakina). "A cor combina com nossa pele, com nosso clima",
diz Tufi Duek, da Forum, que mostrará no segundo dia de desfiles
em São Paulo vestidos, saias, tops, calças e ternos
femininos brancos. Opção óbvia no calor, o
branco chega para enfrentar as temperaturas baixas com seus diferentes
tons isso mesmo, branco tem tom: gelo, marfim, areia e o
moderno off-white, muito conhecido da turma da tesoura e agulha,
mas, segundo ela mesma, "mal compreendido" pelo público em
geral. "Off-white é um branco quebrado, saindo para o marfim",
arrisca a estilista Clô Orozco, da Huis Clos, grife que volta
às passarelas nesta temporada. "Off-white é um tom
diferente do branco óptico. Ele está fora do branco",
tenta a estilista Gloria Coelho, da G, que o usou em modelos em
neoprene com recortes. Mais simplificadamente, o off-white é
o "branco-sujo" do comercial de sabão em pó. Ou algo
parecido.
Na Huis Clos, ele vem nas peças leves. "Optei por colocá-lo
não em roupas básicas e pesadas, como casacos, mas
sim em peças mais conceituais, assimétricas, com tecidos
texturizados e saias com volume", diz Clô. Na Zoomp, o tema
"ciganos do asfalto" tem branco para todo lado: da capa de sarja
com detalhes de zíper e cinto ao cachecol e às saias.
A mineira Terezinha Santos, da Patachou, salpicou o tom em seus
tradicionais tricôs. "O branco tem versatilidade para combinar
os coloridos e neutros e traz uma atmosfera de leveza e sofisticação",
diz a estilista. Vinda de Pernambuco, Lourdinha Noyama, que fará
uma participação especial nesta edição
da São Paulo Fashion Week, caprichou no algodão no
tom cru, que dá um ar etéreo ao casacão enfeitado
pela original echarpe de flores (na foto maior, à direita).
"Tomei o algodão como base de tudo para homenagear meu Estado,
onde ele já foi um produto importante. Uso até nas
roupas de noite", diz ela. A força atribuída ao branco
vem do Hemisfério Norte, onde o inverno atual é o
mais branco dos últimos tempos tanto pelas baixíssimas
temperaturas quanto pelas roupas e peles nas vitrines e nas ruas.
Já aqui, é sinal de um inverno light, com mais cara
de verão, pontilhado por minissaias, decotes e alguns poucos
casacos. O que não é branco em geral é estridentemente
colorido. O estilista Walter Rodrigues, que há um ano ousou
com um inverno inteirinho preto, na semana passada mostrou na Fashion
Rio roupas só em tons vibrantes. "É a coleção
mais verão que eu já fiz. Até porque, para
nós, inverno está mais para uma estação
de transição", diz ele. A orientação,
confessa, veio de fora. "O colorido foi quase uma exigência
do escritório que vende minha marca no exterior, para dar
a idéia de cor e sensualidade que define o Brasil lá
fora", diz o estilista.
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