Edição 1838 . 28 de janeiro de 2004

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Moda
Da cor do inverno

Na temporada em que o escuro
é padrão,
as coleções se curvam
ao branco – ou melhor, off-white


Bel Moherdaui

 
Fotos Sacha Hochstetter
Deu branco: a cor do inverno está em túnicas esvoaçantes, capa "cigana", tricôs, cortes assimétricos, recortes e casacos e flores de algodão cru

Que preto, que nada. Neste inverno muitos estilistas estão com a cabeça nas nuvens – ou na neve. Só pensam em branco, uma das tendências marcantes das coleções apresentadas na semana de moda do Rio de Janeiro (21 a 24 de janeiro) e das que estarão na de São Paulo (28 de janeiro a 3 de fevereiro). O branco aparece nas grifes grandes (Zoomp, Forum), médias (G, Patachou, Huis Clos) e menores (Eduardo Suppes, Carlota Joakina). "A cor combina com nossa pele, com nosso clima", diz Tufi Duek, da Forum, que mostrará no segundo dia de desfiles em São Paulo vestidos, saias, tops, calças e ternos femininos brancos. Opção óbvia no calor, o branco chega para enfrentar as temperaturas baixas com seus diferentes tons – isso mesmo, branco tem tom: gelo, marfim, areia e o moderno off-white, muito conhecido da turma da tesoura e agulha, mas, segundo ela mesma, "mal compreendido" pelo público em geral. "Off-white é um branco quebrado, saindo para o marfim", arrisca a estilista Clô Orozco, da Huis Clos, grife que volta às passarelas nesta temporada. "Off-white é um tom diferente do branco óptico. Ele está fora do branco", tenta a estilista Gloria Coelho, da G, que o usou em modelos em neoprene com recortes. Mais simplificadamente, o off-white é o "branco-sujo" do comercial de sabão em pó. Ou algo parecido.

Na Huis Clos, ele vem nas peças leves. "Optei por colocá-lo não em roupas básicas e pesadas, como casacos, mas sim em peças mais conceituais, assimétricas, com tecidos texturizados e saias com volume", diz Clô. Na Zoomp, o tema "ciganos do asfalto" tem branco para todo lado: da capa de sarja com detalhes de zíper e cinto ao cachecol e às saias. A mineira Terezinha Santos, da Patachou, salpicou o tom em seus tradicionais tricôs. "O branco tem versatilidade para combinar os coloridos e neutros e traz uma atmosfera de leveza e sofisticação", diz a estilista. Vinda de Pernambuco, Lourdinha Noyama, que fará uma participação especial nesta edição da São Paulo Fashion Week, caprichou no algodão no tom cru, que dá um ar etéreo ao casacão enfeitado pela original echarpe de flores (na foto maior, à direita). "Tomei o algodão como base de tudo para homenagear meu Estado, onde ele já foi um produto importante. Uso até nas roupas de noite", diz ela. A força atribuída ao branco vem do Hemisfério Norte, onde o inverno atual é o mais branco dos últimos tempos – tanto pelas baixíssimas temperaturas quanto pelas roupas e peles nas vitrines e nas ruas. Já aqui, é sinal de um inverno light, com mais cara de verão, pontilhado por minissaias, decotes e alguns poucos casacos. O que não é branco em geral é estridentemente colorido. O estilista Walter Rodrigues, que há um ano ousou com um inverno inteirinho preto, na semana passada mostrou na Fashion Rio roupas só em tons vibrantes. "É a coleção mais verão que eu já fiz. Até porque, para nós, inverno está mais para uma estação de transição", diz ele. A orientação, confessa, veio de fora. "O colorido foi quase uma exigência do escritório que vende minha marca no exterior, para dar a idéia de cor e sensualidade que define o Brasil lá fora", diz o estilista.

 
 
 
 
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