Edição 1838 . 28 de janeiro de 2004

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Sexo
Viva o tornozelo

É nessa região, acredite, que deve ser
ligado um aparelho criado para facilitar
o orgasmo feminino


Paula Neiva

Parece mais uma charlatanice das Organizações Tabajara, a empresa de televendas fictícia dos humoristas do Casseta & Planeta. Mas o aparelho Slightest Touch ("o toque mais suave", em inglês) existe. Desenvolvido pela empresa americana Stimulation Systems (pois é, também existe uma), a engenhoca promete deixar as mulheres em estado pré-orgásmico e, com isso, proporcionar-lhes relações sexuais mais prazerosas – orgasmos mais rápidos, mais intensos e mais longos e, em alguns casos, múltiplos. Lançada há sete meses e vendida apenas pela internet, a máquina já é um pequeno sucesso comercial nos Estados Unidos. Cerca de quarenta unidades são desovadas por dia, ao preço de 140 dólares cada uma.

Do tamanho de um controle remoto de televisão e movido a bateria, o Slightest Touch estimula, por intermédio de eletrodos fixados nos tornozelos, a região pélvica da mulher (veja quadro abaixo). São necessários quarenta minutos para que a usuária chegue a um nível de excitação adequado. Conselho: levando-se em conta o gosto dos machos brasileiros por transmissões de futebol, a saída é ligar a geringonça no começo do segundo tempo, para que depois do final do jogo o Ricardão tente marcar um gol.

Metade das mulheres brasileiras está insatisfeita com a sua vida sexual. Delas, cerca de 30% não conseguem chegar ao orgasmo. "Muitas vezes, a insatisfação sexual da mulher é fruto da falta de diálogo e da falta de estímulos sensoriais suficientes", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. Máquina nenhuma resolve isso. Ao que tudo indica, o Slightest Touch serviria apenas para incrementar a vida sexual de mulheres sem problemas com sexo. Algumas brasileiras já testaram o aparelho e aprovaram. Ele não é recomendado para mulheres grávidas, hipertensas ou que estejam sob medicação antidepressiva.

O Slightest Touch foi inventado por um comerciante com especial apreço por massagear os pés e adjacências das namoradas. Ele constatou que toques nessa região costumavam causar maravilhas nas moças. Com mais três amigos, criou, então, o aparelho – testado inicialmente por namoradas, amigas e irmãs (pode-se imaginar que o círculo de amizades femininas tenha crescido bastante nesse período). No estilo "satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta", clientes que desaprovem o produto têm o prazo de um mês para pedir reembolso. Já com o Ricardão, tudo fica mais difícil.

 



 
 
 
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