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Espaço
A
morte lenta do Hubble
Com
o cancelamento das missões de
manutenção, o telescópio vai funcionar,
no máximo, mais quatro anos

Carlos
Rydlewski
O presidente
americano George W. Bush contou seu plano de enviar um homem a Marte,
o planeta vermelho ou marrom, como revelou no início
do ano a sonda Spirit. A descrença foi geral e não
ajudou em nada a encobrir a insatisfação com o anúncio
da desativação do telescópio orbital Hubble.
De todos os instrumentos lançados ao espaço para desvendar
os mistérios do cosmo, nenhum foi tão produtivo quanto
o Hubble. Foi justamente por isso que causou comoção
entre cientistas de todo o mundo o anúncio de que o governo
americano vai encerrar as missões tripuladas encarregadas
de fazer a manutenção do telescópio. O motivo
apresentado pela Nasa, a agência espacial americana, para
a súbita decisão é a crescente preocupação
com a segurança dos astronautas, o que vai limitar as missões
tripuladas ao mínimo necessário. Desde que o ônibus
espacial Columbia explodiu a 63 quilômetros da Terra, em fevereiro
de 2003, os procedimentos de aprovação das viagens
orbitais com passageiros tornaram-se muito mais estritos. Sem manutenção,
o Hubble acabará perdendo sua capacidade de navegação
e não poderá mais atender aos comandos remotos enviados
da Terra. As previsões indicam que, sem os reparos, o telescópio
funcionará no máximo até 2008.
O
equipamento, de 13,3 metros de comprimento, do tamanho de um ônibus,
e peso correspondente ao de dois elefantes, é responsável
pelas mais espetaculares imagens do espaço feitas na última
década. Graças às fotografias tiradas pelo
Hubble, os cientistas conseguiram precisar o cálculo da idade
do universo, estimada em 13,7 bilhões de anos. Outra façanha
do telescópio foi permitir a identificação
de 1.500 galáxias. A riqueza de
detalhes das imagens do Hubble ajudou os cientistas a enxergar diversos
fenômenos cuja existência era apenas aventada pela ciência
teórica. É o caso principalmente dos buracos negros,
estruturas previstas pela teoria da relatividade de Einstein. O
Hubble produziu as melhores imagens de regiões remotas em
cujas vizinhanças provavelmente estejam buracos negros.
"Os
feitos do Hubble são tão espetaculares para a ciência
e a astronomia que só se comparam ao aperfeiçoamento
do telescópio por Galileu Galilei no século XVII",
diz o astrônomo Ronaldo Mourão, do Observatório
Nacional. Os cientistas lamentam, sobretudo, o fato de que o substituto
do equipamento, o telescópio batizado de James Webb, só
chegará ao espaço por volta de 2011.
| Cinco
grandes feitos do Hubble |
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1.
Registrou as mais profundas imagens do espaço
2.
Revelou as mais nítidas imagens dos berçários
de estrelas
3.
Ajudou a desvendar o processo que leva à morte
das estrelas
4.
Detectou o mais antigo planeta de nossa galáxia,
com 13 bilhões de anos
5.
Flagrou
o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 na superfície
do planeta Júpiter
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