Edição 1838 . 28 de janeiro de 2004

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Espaço
A morte lenta do Hubble

Com o cancelamento das missões de
manutenção, o telescópio vai funcionar,
no máximo, mais quatro anos


Carlos Rydlewski

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O presidente americano George W. Bush contou seu plano de enviar um homem a Marte, o planeta vermelho – ou marrom, como revelou no início do ano a sonda Spirit. A descrença foi geral e não ajudou em nada a encobrir a insatisfação com o anúncio da desativação do telescópio orbital Hubble. De todos os instrumentos lançados ao espaço para desvendar os mistérios do cosmo, nenhum foi tão produtivo quanto o Hubble. Foi justamente por isso que causou comoção entre cientistas de todo o mundo o anúncio de que o governo americano vai encerrar as missões tripuladas encarregadas de fazer a manutenção do telescópio. O motivo apresentado pela Nasa, a agência espacial americana, para a súbita decisão é a crescente preocupação com a segurança dos astronautas, o que vai limitar as missões tripuladas ao mínimo necessário. Desde que o ônibus espacial Columbia explodiu a 63 quilômetros da Terra, em fevereiro de 2003, os procedimentos de aprovação das viagens orbitais com passageiros tornaram-se muito mais estritos. Sem manutenção, o Hubble acabará perdendo sua capacidade de navegação e não poderá mais atender aos comandos remotos enviados da Terra. As previsões indicam que, sem os reparos, o telescópio funcionará no máximo até 2008.

O equipamento, de 13,3 metros de comprimento, do tamanho de um ônibus, e peso correspondente ao de dois elefantes, é responsável pelas mais espetaculares imagens do espaço feitas na última década. Graças às fotografias tiradas pelo Hubble, os cientistas conseguiram precisar o cálculo da idade do universo, estimada em 13,7 bilhões de anos. Outra façanha do telescópio foi permitir a identificação de 1.500 galáxias. A riqueza de detalhes das imagens do Hubble ajudou os cientistas a enxergar diversos fenômenos cuja existência era apenas aventada pela ciência teórica. É o caso principalmente dos buracos negros, estruturas previstas pela teoria da relatividade de Einstein. O Hubble produziu as melhores imagens de regiões remotas em cujas vizinhanças provavelmente estejam buracos negros.

"Os feitos do Hubble são tão espetaculares para a ciência e a astronomia que só se comparam ao aperfeiçoamento do telescópio por Galileu Galilei no século XVII", diz o astrônomo Ronaldo Mourão, do Observatório Nacional. Os cientistas lamentam, sobretudo, o fato de que o substituto do equipamento, o telescópio batizado de James Webb, só chegará ao espaço por volta de 2011.

 
Cinco grandes feitos do Hubble

1. Registrou as mais profundas imagens do espaço

2. Revelou as mais nítidas imagens dos berçários de estrelas

3. Ajudou a desvendar o processo que leva à morte das estrelas

4. Detectou o mais antigo planeta de nossa galáxia, com 13 bilhões de anos

5. Flagrou o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 na superfície do planeta Júpiter

 

 
 
 
 
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