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Turcomenistão
O pior país do mundo
É
o Turcomenistão, uma ex-república
soviética governada por um herdeiro
direto do comunismo
Fotos Reuters
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| Niazov:
de painéis a rótulos de vodca, só dá ele |
O pior
lugar do mundo para viver não é o Afeganistão.
Nem a Coréia do Norte. Também não é
nenhuma nação maltrapilha da África. É
a ex-república soviética do Turcomenistão.
A eleição foi feita por especialistas da revista inglesa
The Economist. O país deve essa desonra a seu presidente,
Saparmurad Niazov, de 63 anos, que prefere ser chamado de "Turkmenbashi",
o Grande, Pai dos Turcomenos. Ele segue à risca o figurino
de ditador maluco. Para onde quer que olhe, um turcomeno depara
com uma imagem de Niazov. Pode ser num painel gigantesco, na moeda
local ou nos rótulos de vodca. Uma das estátuas que
o homenageiam em Ashgabat, a capital, fica sobre um pedestal giratório
que realiza uma volta completa a cada 24 horas. Niazov teve uma
boa escola: o stalinismo. Antes do fim da União Soviética,
encabeçava o Partido Comunista Turcomeno, hoje transformado
em Democrático. Evidentemente, o partido de Niazov é
o único permitido. Seus opositores são perseguidos,
torturados e mortos pela polícia secreta, a KNB. Niazov às
vezes obriga seus adversários a protagonizar pantomimas judiciárias,
em que eles confessam seus "crimes" e pedem perdão ao Turkmenbashi.
AP
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| Uma
das estátuas do tirano: há também aquela com pedestal giratório
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Teatro é atividade proibida, mas não o de Niazov,
que desgoverna o Turcomenistão desde 1992. Ele foi "eleito"
num pleito-comédia que lhe deu 99,5% dos votos. Seu mandato,
por assim dizer, é como prestação de pobre:
a perder de vista. Livre como uma raposa no galinheiro, o Turkmenbashi
faz de tudo para transformar a vida da população num
inferno. Os moradores de Ashgabat são obrigados a comunicar
às autoridades a participação em casamentos
e enterros. O capítulo matrimônio, aliás, merece
atenção especial de Niazov estrangeiros que
queiram se casar com mulheres turcomenas têm de pagar 50.000
dólares ao governo.
O
Turcomenistão de Niazov mantinha estreitas relações
com o regime do Talibã. A dedetização promovida
pelos Estados Unidos no Afeganistão fez com que o ditador
passasse a condenar o terrorismo. A mudança oportunista serve
para manter Niazov longe do porrete americano e lhe dá pretexto
para aumentar a perseguição aos muçulmanos,
um de seus esportes preferidos. O Turcomenistão tem a quinta
maior reserva de gás natural do mundo. O dinheiro auferido
com a exportação do produto vai, em sua maior parte,
para o cofrão do tirano. Enquanto isso, um trabalhador turcomeno
é obrigado a viver com o equivalente a 30 dólares
por mês, em média. O Turkmenbashi não é
pai, é padrasto.
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