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Turismo
Garotos de Ipanema
Sol,
praia, ambiente liberal e bons preços,
além da beleza nativa, fazem o turismo gay
internacional explodir no verão carioca

Roberta
Salomone
Fotos Oscar Cabral
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O
francês Frederick Russet (ao centro) e sua turma:
"Não paramos um segundo"
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A
garota de Ipanema já era. Nas areias da praia que serviu
de passarela para a musa de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, agora
quem ocupa espaço e também desfila o corpinho
são os turistas gays. Vindos de várias partes
do mundo, eles tomaram conta de um quarteirão inteiro da
mais badalada praia do Rio de Janeiro e estão transformando
a cidade numa espécie de São Francisco da América
do Sul. Até o ano passado, eles se concentravam numa faixa
de areia bem mais estreita em Ipanema, num bar na Praia de Copacabana,
sugestivamente batizado de Rainbow (o arco-íris é
o símbolo dos homossexuais), e, para cair na balada, na boate
Le Boy, o marco zero da noite gay carioca. Neste verão, na
praia e em dezenas de bares e boates da Zona Sul carioca, incorporaram-se
à paisagem grupos de homens em geral bem-apessoados, bronzeados
e musculosos, muitos formando duplas românticas. "Estar aqui
é um sonho. As pessoas são alegres e os homens têm
o corpo mais bonito que já vi", garante, entre dois goles
de caipirinha na praia, o relações-públicas
americano David Pollick, 41 anos, que pretende ficar na cidade até
o Carnaval. Os atributos físicos dos brasileiros somados
a vantagens universais, como os preços baratíssimos
para quem tem moeda forte e o sol de verão, em contraposição
ao inverno no Hemisfério Norte são um dos agentes
propagadores da fama do Rio no circuito gay mundo afora.
Não há estatísticas oficiais sobre esse público.
Mas, além do que se observa facilmente nas ruas, algumas
evidências confirmam um fenômeno que só deve
crescer até o Carnaval. Especializada nesse tipo de turista,
a agência Álibi, de São Paulo, aumentou em 30%
o número de estrangeiros que mandou para o Rio no último
réveillon. Em alguns dos principais hotéis de Ipanema,
o público homossexual chegou a impressionantes 80% dos hóspedes
na virada do ano. Os principais sites gays internacionais destacam
a cidade como um lugar acolhedor e livre de preconceitos. "Não
perca nem mais um dia no frio. O dólar está forte
e os meninos, quentes", resume o site americano Gay Travel. Na internet,
o turista também encontra o Rio Gay Guide, criado por um
carioca e indicado por guias do mundo todo. Ali, há dicas
do que fazer em todos os dias da semana e um mapa detalhado dos
lugares mais badalados. Nem precisava. Na Zona Sul, boates, bares
e lugares nas praias foram identificados com bandeiras multicoloridas.
O publicitário francês Frederick Russet, de 33 anos,
chegou com três amigos e um roteiro extenso. A programação
começa no fim da manhã, na Praia de Ipanema, e termina
numa das muitas boates da cidade. "Não paramos um segundo",
conta Frederick. "Estava contando os dias para chegar. Todos os
meus amigos já tinham vindo para cá", emenda Cassius
Armitage, consultor financeiro australiano de 32 anos.
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| Pollick,
o americano, em Ipanema, e o australiano Armitage numa boate
em Copacabana: estréia no Rio de Janeiro |
Com
um mercado comprovadamente rentável em expansão
há pesquisas que atribuem ao turista homossexual um consumo
40% superior ao dos demais , empresários do setor se
animam. Para atender os visitantes, funcionários de hotéis
já começaram a receber orientações especiais.
Comentários maliciosos ou risadinhas são terminantemente
proibidos. A rede de Hotéis Othon, credenciada pela International
Gay and Lesbian Travel Association, contratou um treinamento específico
para lidar com esse público. "Se dois rapazes pedirem uma
cama de casal, serão atendidos sem nenhum constrangimento",
informa Carlos Nascimento, gerente nacional de vendas da rede.
A intenção é desenvolver um turismo GLS nos
padrões do americano. Segundo a International Gay and Lesbian
Travel Association, o segmento específico faturou 54 bilhões
de dólares em 2002 10% do bolo total da indústria
de turismo dos EUA. Dono da boate Le Boy, em Copacabana, o francês
Gilles Lascar aumentou seus negócios em velocidade relâmpago.
O empresário orgulha-se de ter sido anfitrião do inglês
Peter Mandelson, ex-ministro da Indústria e Comércio
do governo de Tony Blair, que virou fofoca mundial depois de uma
noite na Le Boy, em 1998. No ano seguinte, Lascar fez uma grande
reforma na boate e em 2002 inaugurou a La Girl versão
só para meninas e o Boy Bar. Depois, vieram uma academia,
uma sauna e uma loja de roupas. "O Rio é um paraíso
gay", diz.
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