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São
Paulo
Cesar
quer Serra contra Marta
Para
o prefeito do Rio, vitória do PSDB em
São Paulo é chave para barrar o poder do PT

Ronaldo
França
Ana Araujo
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| Cesar
Maia: aposta em Serra para manter PFL e PSDB no páreo nacional
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O prefeito
do Rio de Janeiro, Cesar Maia, do PFL, entrou, na semana passada,
no gramado das eleições municipais. Seu pontapé
inicial não foi na disputa pelo comando da capital fluminense,
na qual, por enquanto, ele próprio é o favorito. Maia,
com a bagagem de um êxito eleitoral que já dura doze
anos, lançou o nome do ex-ministro da Saúde e presidente
do PSDB, José Serra, no caldeirão da corrida pela
prefeitura de São Paulo. Em sua avaliação,
Serra é o único candidato dos partidos de oposição
com chances de derrotar Marta Suplicy. Com isso, o prefeito carioca
não está, evidentemente, preocupado com a vida dos
paulistanos nos próximos anos. A proposta tem caráter
mais abrangente. Parte do pressuposto de que a vitória em
São Paulo é o único caminho para deter o crescimento
nacional do partido de Lula. "Caso ganhe, o PT se fortalecerá
ainda mais politicamente", diz Cesar. Nessa situação,
além de vencer a eleição presidencial de 2006,
o partido ganharia fôlego para ocupar o poder por muito mais
tempo. É isso que Cesar Maia acha bom impedir. Em sua avaliação,
como na do alto tucanato, José Serra é o nome mais
forte para essa disputa. É um administrador capaz, como demonstrou
à frente do Ministério da Saúde no governo
FHC, e carrega os dividendos da última campanha à
Presidência da República, em que teve 39% dos votos
válidos no segundo turno. Seria o candidato perfeito para
desalojar Marta Suplicy da prefeitura paulistana.
No
tabuleiro político brasileiro, a prefeitura de São
Paulo ocupa lugar de destaque. Não apenas porque detém
o sexto maior orçamento público do Brasil, mas porque
uma vitória eleitoral na maior capital do país assegura
ao vencedor a atenção da mídia nacional e,
portanto, uma exposição pública superior à
que boa parte dos governadores pode alcançar. Quem pilotar
essa máquina terá nas mãos ferramenta capaz
de ajudar até na eleição presidencial. O prefeito
do Rio investiu-se, nas últimas semanas, da missão
de demonstrar a seus companheiros de partido e aliados a necessidade
de jogar pesado na capital paulista. "É minoritária
no PFL e majoritária no PSDB a corrente que acredita que
2006 seja uma eleição já perdida. Isso é
um erro que não se pode cometer", avalia. A solução
passa por uma estratégia de enxadrista. O nome do presidente
do PSDB, acredita Maia, é capaz de mobilizar as atenções
nacionais. Daria à disputa um ar de revanche. Seria novamente
o PT contra o PSDB e, na projeção, "Lula contra Serra",
uma vez que o governo federal está claramente empenhado na
reeleição de Marta. Assim, mais do que uma vitória
do PSDB, o êxito de Serra significaria a derrota de Lula sob
holofotes vigorosos. "A percepção será a de
que ele terá perdido as eleições como um todo,
mesmo que ganhe em outras capitais", afirma.
Epitácio Pessoa/Agência Estado/AE
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Ana Araujo
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| Marta:
obras e propaganda melhoram as chances da prefeita à reeleição
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Serra:
atenção às pesquisas de opinião e possibilidade de entrar na
disputa |
Toda
essa arquitetura esbarra numa parede: é preciso que Serra
esteja de acordo. E o ex-ministro já declarou publicamente
que não concorrerá à prefeitura de São
Paulo. Mas, nas últimas semanas, passou a admitir, em círculos
restritos, a possibilidade de pensar no assunto. Poderá até
seguir esse caminho, desde que as pesquisas indiquem chance de êxito.
Serra tem acompanhado de perto as avaliações de intenção
de voto em São Paulo e deverá decidir seu futuro em
maio. É uma escolha difícil. Aos 61 anos, o ex-ministro
da Saúde nunca venceu uma eleição majoritária.
Perdeu duas vezes a disputa pela prefeitura e uma para a Presidência
da República. "Uma nova derrota seria o fim", avalia o presidente
do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Segundo a última pesquisa
do instituto Datafolha na capital paulista, realizada há
pouco mais de um mês, Serra, com 20% das intenções
de voto, empata com Paulo Maluf (PP). E os dois estão tecnicamente
empatados com Marta, que tem 18% das preferências. Mas, quando
o nome de Maluf é retirado, Serra aparece isolado em primeiro
lugar, com 28% dos votos. A entrada de Maluf no jogo é, portanto,
providencial para o governo.
Nas
pesquisas sobre o desempenho de seu governo, Marta esteve muito
mal no primeiro ano do mandato. No momento, cerca de 30% da população
diz que seu governo é "bom" ou "ótimo" índice
considerado por especialistas bastante satisfatório numa
metrópole complexa como São Paulo. A tendência
é de crescimento da aprovação. Segundo as pesquisas
qualitativas do Ibope, os eleitores pobres adoram o estilo "perua-chique-na-favela"
com que a prefeita desfila seus modelitos por ruas poeirentas. Marta
tem um dos maiores e mais caros guarda-roupas da República,
provavelmente de todas as repúblicas latino-americanas. Esse
é outro dos paradoxos petistas. Nos últimos meses,
seu desempenho foi turbinado por uma forma de populismo de betoneira.
Um programa de obras públicas digno de pós-guerra
combinado com investimentos pesados em propaganda. "A prefeita tem
um governo Suplicy e um totalmente Marta", diz Maia, em referência
ao que considera duas apostas eleitorais da petista. No primeiro
ano de governo, a prefeita instituiu um programa de renda mínima
obsessão de seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy.
Seu índice de aprovação não saiu do
lugar. Então, ela passou a investir suas fichas na dobradinha
obras públicas e marketing. De acordo com um levantamento
do ex-deputado federal José Aníbal, do PSDB, Marta
utilizou 165% do que estava previsto no orçamento em propaganda
para o ano de 2003 enquanto áreas como saúde
e educação receberam menos de 40%. Resultado: melhora
nas pesquisas. É justamente porque a prefeita tem chances
no jogo que Cesar Maia quer entrar de sola no esburacado campo da
cidade de São Paulo.
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