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VEJA Recomenda DVDs
Blade Runner Versão Original do Diretor
(Estados Unidos, 1992. Warner) O inglês Ridley Scott nunca escondeu
sua irritação com a forma como o estúdio o obrigou a lançar
sua ficção científica nos cinemas. O diretor odiou a narração
em off de Harrison Ford e se revoltou com a exigência por um final
mais ou menos feliz no qual o caçador de andróides interpretado
por Ford escapa em companhia da replicante Rachael (Sean Young). Em 1992, portanto,
Scott remontou o filme de acordo com suas convicções, aparando a
narração e mudando o desfecho. Esse é o Blade Runner
que se tem aqui remasterizado, e que é um clássico por seu próprio
direito. Os espectadores mais econômicos, porém, talvez prefiram
aguardar a nova e supostamente definitiva montagem que o cineasta prepara para
2007. Grease Rockin' Edition (Estados
Unidos, 1978. Paramount) A mocinha australiana Sandy (Olivia Newton-John)
vai passar uma temporada numa escola americana, nos anos 50. Seguem-se: um vendaval
de paixões envolvendo Sandy e o bad boy Danny Zuko (John Travolta); e vários
números musicais tornados eternos pelas coreografias animadas e canções
grudentas, como You're the One that I Want. Adaptado de um musical da Broadway
e interpretado por um elenco de "adolescentes" entre os 20 e os 30 anos, Grease
é uma lição acerca da futilidade de arriscar previsões
sobre quais aspectos da cultura pop resistirão ou não ao teste da
história. No fim da década de 70, ele foi visto como uma febre passageira.
Quem diria que essa confecção kitsch e ligeira teria um apelo tão
duradouro quanto Taxi Driver ou O Poderoso Chefão? Divulgação
 | | Carros:
uma ode ao tempo perdido |
Carros
(Cars, Estados Unidos,
2006. Buena Vista) John Lasseter, o cérebro genial que impulsiona
a Pixar, decidiu voltar à direção de um desenho com Carros:
é um apaixonado por automóveis, pelas velhas estradas que cortavam
o interior americano, como a Rota 66, e tem algo em comum com seu protagonista
Relâmpago McQueen, um impaciente carro de corrida que se vê
extraviado numa cidadezinha onde tempo é o único artigo que existe
em abundância. Como é hábito em se tratando de desenhos animados,
o lançamento vem repleto de extras que mostram a criatividade e o trabalho
insano exigido dos animadores. A jóia da coroa, porém, é
o curta One Man Band, em que dois homens-banda disputam a esmola de uma
garotinha incrivelmente brava.
Chris
Large/AP
 | | Rastro
Perdido: choque cultural no Velho Oeste |
Rastro
Perdido (Broken Trail, Canadá, 2006. Sony) Na década
de 1890, dois vaqueiros, tio e sobrinho (Robert Duvall e Thomas Haden Church),
empenham tudo o que têm para atravessar o Oeste levando uma manada de cavalos.
Mal se põem na trilha, eles se vêem transformados nos galantes (e
involuntários) salvadores de cinco moças chinesas compradas para
trabalhar como prostitutas. Elas não falam uma palavra de inglês,
e eles, obviamente, também não entendem uma palavra de chinês.
Desse entrecho, o diretor Walter Hill, infelizmente um dos últimos entusiastas
do faroeste, tira um filme excelente forte na compreensão da violência,
belo na admiração pela natureza e delicado no trato com as diferenças
entre os americanos rudes e suas protegidas.
Coleção
Marlon Brando (Warner) O discurso de Marco Antônio aos pés
do recém-assassinado imperador é o ponto alto do Júlio
César de William Shakespeare e não é pouca coisa,
então, que Marlon Brando faça jus a ele sílaba por sílaba.
Só um momento como esse, registrado na adaptação cinematográfica
do diretor Joseph L. Mankiewicz, já valeria uma coleção inteira.
Essa caixa com três DVDs, entretanto, inclui ainda outro trabalho soberbo
de Brando. Em O Pecado de Todos Nós, dirigido por John Huston em
1967, ele faz um militar que sai dos trilhos à medida que sua homossexualidade
aflora. Completa a coleção uma daquelas extravagâncias dramáticas
de Brando um pequeno papel como um tenebroso magnata do petróleo
em A Fórmula, um thriller decente, mas não exatamente memorável.
Terry
O'Neill/Hulton Archive/Getty Images
 | | Stones:
glória e embaraços |
The
Rolling Stones Truth and Lies (Estados Unidos,
2005. ST2) O quarteto liderado pelo vocalista Mick Jagger e pelo guitarrista
Keith Richards possui memória seletiva. A dupla se lembra de cada momento
de glória dos Rolling Stones, mas encontra dificuldade em recordar as situações
embaraçosas de sua carreira. O mérito dessa biografia não
autorizada é trazer uma história detalhada do grupo: de sua criação,
em 1963, à turnê Four Licks, de 2003. Jagger e Richards não
liberaram o uso das canções dos Rolling Stones, mas essa lacuna
não chega a prejudicar o documentário. Há fartas cenas de
arquivo as melhores são as entrevistas coletivas, em que Jagger
destila sua ironia , uma explicação minuciosa do impacto que
eles causaram e uma recapitulação das numerosas confusões
do grupo com a lei.
Herman
Leonard/Getty Images
 | | Art
Blakey: cenas raras de mestres do jazz |
Jazz
Icons, vários intérpretes (Estados
Unidos, 2006. TDK Video) O grupo liderado pelo baterista Art Blakey executa
Moanin' logo depois de tê-la gravado em estúdio; Thelonious
Monk, um dos pais do bebop, mostra seu poder de improvisação em
duas versões de Lulu's Back in Town; o baterista Buddy Rich quebra
tudo no solo de Channel One Suite. Essas e outras imagens raras são
o atrativo de Jazz Icons, coleção de nove DVDs importados,
que podem ser adquiridos separadamente ou numa caixa especial. O desfile de astros
do gênero, que inclui também nomes como Ella Fitzgerald e Chet Baker,
torna-se ainda mais saboroso graças à boa qualidade das imagens
e ao cuidado com a edição.
DISCOS
Erich
Auerbach/Getty Images  | Pedro
Rubens
 | | Haitink:
segredo bem guardado |
Beethoven:
Symphonies 1-9, Bernard Haitink e Orquestra
Sinfônica de Londres (LSO Live) O regente holandês Bernard
Haitink é um dos segredos mais bem guardados da música erudita.
Ele não tem o dom para o marketing de Lorin Maazel (atual diretor artístico
da Filarmônica de Nova York) nem a vaidade de um Riccardo Muti (ex-Scala
de Milão). Mas sabe como poucos acertar uma orquestra. É o que se
verifica nesse ciclo de sinfonias de Beethoven, gravado com a Sinfônica
de Londres. O maestro consegue imprimir seu estilo ao grupo como na Sexta
Sinfonia (também conhecida como Pastoral), em que o andamento
cadenciado faz com que o ouvinte perceba cada detalhe da natureza imaginada por
Beethoven e também dá atenção devotada a obras
menos badaladas, como a Quarta e a Oitava sinfonias. Choro
Carioca: Música do Brasil, vários intérpretes (Acari
Records) A caixa de nove CDs dá continuidade ao projeto Princípios
do Choro, lançado cinco anos atrás. O trabalho anterior continha
quinze CDs, com músicas de compositores nascidos entre 1830 e 1880. Já
Choro Carioca traz 74 músicas de autores nascidos até 1910.
Um grupo encabeçado pelos instrumentistas Mauricio Carrilho e Luciana Rabello,
também mentores do projeto, recuperou as partituras originais e registrou-as
em estúdio. O que chama atenção na caixa é a mudança
gradual do choro para o que mais tarde se tornaria conhecido como samba
não é à toa que Donga, autor do primeiro samba da história,
comparece com três composições.
Kevork
Djansezian/AP  |  | | Salonen:
agora, em versão eletrônica |
Deutsche
Grammophon Recomposed, de Jimi Tenor (Universal Classics) Respeitado
entre os fãs de música eletrônica, o DJ finlandês Jimi
Tenor embarcou num projeto ousado. Ele foi convidado a pesquisar o acervo de música
moderna e contemporânea do selo alemão Deutsche Grammophon, um dos
mais tradicionais do mundo erudito, e dar seu toque pessoal às composições.
Tenor inseriu percussão e teclados nas obras, tornando-as propícias
para a execução numa pista de dança. Se isso parece improvável,
basta conferir Repóns, de Pierre Boulez, e Ionisation, tema
de percussão de Edgar Varèse. O DJ, porém, não tirou
o caráter inovador dessas obras. A faixa Wing on Wing, por exemplo,
possui o mesmo clima etéreo imaginado por seu autor, o maestro finlandês
Esa-Pekka Salonen. LIVROS
Rebelião
em Nova York, de Kevin Baker (tradução
de Vitoria Mantovani; Record; 700 páginas; 69,90 reais) Em 1863,
Nova York foi abalada por violentos tumultos populares. A população
da cidade, em especial os imigrantes irlandeses, revoltava-se contra as leis de
alistamento obrigatório para a guerra civil. O episódio já
foi retratado por Martin Scorsese em Gangues de Nova York, um de seus filmes
mais irregulares. O dublê de historiador e romancista Kevin Baker conseguiu
resultados bem melhores nesse romance. Ele se centra na perspectiva de Ruth, Deirdre
e Maddy, três mulheres pobres que tentam sobreviver durante os dias da conflagração.
A galeria de personagens se completa com um boxeador, um jornalista e um escravo
fugitivo, para compor um retrato minucioso da Nova York do século XIX.
Alguns
Poemas, de Emily Dickinson (tradução
de José Lira; Iluminuras; 320 páginas; 44 reais) Figura solitária
e reclusa, a americana Emily Dickinson (1830-1886) publicou uns poucos versos
anônimos em jornais da região de Boston, onde vivia. Foi só
depois de sua morte que se descobriram as centenas de poemas breves e contidos
que a colocaram entre os maiores nomes da poesia em língua inglesa. Essa
edição bilíngüe traz uma seleção extensa
dos melhores versos de Emily. "Não nos atraem os Enigmas / Que pouco nos
escondem. / Nenhuma coisa está mais morta / Que a surpresa de ontem", diz
um dos textos. Emily, ao contrário, é um enigma que continua a surpreender.
 |  | | Kafka
garoto, na visão de Crumb: singular |
Kafka
de Crumb, de Robert Crumb e David Zane Mairowitz
(tradução de José Gradel; 176 páginas; 34,90 reais)
Criador de personagens como o libidinoso gato Fritz e o guru picareta Mr.
Natural, o cartunista americano Robert Crumb é um herói da contracultura
dos anos 60 e 70. Nesse livro, porém, ele visita o universo perturbador
de um dos autores mais influentes do século XX: o checo Franz Kafka. Com
texto do crítico David Zane Mairowitz, os quadrinhos de Crumb são
um passeio pela vida, pela época e pela obra de Kafka. Com seu pendor para
o grotesco, o traço do cartunista americano alcança excelentes traduções
visuais para os clássicos kafkianos com destaque para os desenhos
da máquina de tortura de Na Colônia Penal e do inseto monstruoso
de A Metamorfose. Dicionário
Amoroso da América Latina, de Mario
Vargas Llosa (tradução de Wladir Dupont e Hortencia Lancastre; Ediouro;
366 páginas; 59,90 reais) O peruano Vargas Llosa teve presença
assídua nas livrarias brasileiras em 2006. Foram lançados o ensaio
Cartas a um Jovem Escritor, o romance Travessuras da Menina Má
e agora esse compêndio de 142 textos, escritos ao longo de décadas.
O mais antigo é de 1952, o mais recente, de 2005. Tomados isoladamente,
são instantâneos de pensamento. Por exemplo: o Llosa que escrevia
sobre Cuba em 1976, ainda com algum apego a velhas ilusões de esquerda,
não é o mesmo liberal de hoje. Em conjunto, eles dão testemunho
do interesse de fato "amoroso" que o escritor dedicou à região e
ajudam a traçar o perfil intelectual de um dos grandes nomes da ficção
contemporânea.
Guia
de Música Clássica, de John Burrows
(tradução de André Telles; Jorge Zahar Editor; 512 páginas;
69 reais) Para quem começou a se interessar por música erudita
mas não consegue diferenciar Bach de Bax, esse livro vem a calhar. Editado
à maneira de um guia de viagens, ele traz detalhes de cada escola musical,
bem como a biografia de 300 compositores e uma análise caprichada de quarenta
obras definitivas. Outro destaque está no cuidado para explicar cada termo
da música erudita. O mais leigo dos leitores poderá entender o que
é uma sonata, as características de uma sinfonia e as diferenças
entre os períodos clássico, romântico e afins. Ah, sim. Johann
Sebastian Bach foi o mestre do período barroco e ganhou uma bela biografia
na página 116. Bax, por sua vez, pertence à escola nacionalista
britânica e surge na página 335.
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