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Comportamento Com
a ajuda dos meus amigos Pesquisas mostram que a
amizade turbina carreiras, melhora a saúde e até prolonga
a vida  Daniela
Pinheiro
Lailson
Santos
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"Amizades
e contatos pessoais são essenciais para o sucesso profissional. É
um erro imaginar que uma pessoa é contratada só por ser amiga de
alguém, mas isso abre portas, sem dúvida. Já fui indicado
pelo marido da sócia da minha mulher. De outra vez, o presidente da empresa
era o melhor amigo do meu cunhado. Recentemente, recebi uma proposta de uma multinacional.
Desde que comecei minha carreira, há catorze anos, foi a primeira vez que
me submeti a uma entrevista de trabalho." Eduardo
Cardoso, 34 anos, administrador de empresas |
| Uma das obras-primas do escritor
americano John Steinbeck (1902-1968), o livro Ratos e Homens é uma
saga sobre a luta de dois sujeitos em busca do sonho americano, mas acima de tudo
é um relato contundente sobre a necessidade atávica do ser humano
de ter amigos. É o exemplo acabado de como a amizade pode ser uma das mais
poderosas forças de transformação de uma sociedade. Ela é
capaz de mudar trajetórias, encorajar decisões e iluminar pensamentos.
É com os amigos que se espera comemorar um sucesso ou lamentar um fracasso.
É com eles que valores, experiências e interesses são compartilhados
sem cobrança ou obrigação. Com o apoio dos amigos, diz-se,
tudo dá certo. O que sempre inspirou escritores, pensadores e filósofos
passou a ser medido por estatísticas. Dezenas de estudos dos mais respeitados
centros de pesquisa do mundo constatam que a amizade influencia de maneira ainda
mais decisiva do que se supunha a vida pessoal e profissional de cada um. Está
provado que um sólido círculo social é capaz de evitar doenças,
amenizar o sofrimento, prolongar a vida, catapultar carreiras e até mesmo
melhorar a forma física. Um dos maiores
levantamentos já feitos sobre o efeito das amizades na vida prática
é do pesquisador americano Tom Rath, coordenador de pesquisas da Gallup
Organization, um dos maiores institutos de pesquisas do mundo. Rath se valeu de
parte do banco de dados da instituição foram cerca de 9 milhões
de entrevistas feitas em 114 países para identificar a relação
entre amizade e satisfação profissional. O resultado está
no livro O Poder da Amizade, lançado no fim do mês passado
no Brasil pela Editora Sextante. Segundo ele, quem tem um grande amigo no trabalho
é sete vezes mais produtivo, mais criativo e mais engajado nas propostas
da empresa do que aquele funcionário que não consegue se relacionar
com os colegas. Quem tem três bons amigos apresenta 88% de chance de ser
mais feliz na vida pessoal do que o sujeito isolado ou tímido. Só
o fato de ter amizades sólidas com os colegas de escritório aumenta
em 50% a satisfação do empregado. A
maioria das pessoas passa no trabalho 70% do tempo em que estão acordadas.
Quem trabalha fora costuma conviver mais com os colegas e com o chefe do que com
a própria família. Portanto, ter alguém com quem conversar,
trocar confidências, pedir conselhos ou mesmo partilhar um olhar de cumplicidade
faz toda a diferença. "Um amigo verdadeiro faz do trabalho um lugar
muito mais tolerável", disse Rath a VEJA. Amigos têm a capacidade
de inspirar e instigar o outro, seja para desenvolver talentos pessoais seja para
fazê-los perceber as próprias habilidades. Estudos relevantes mostram
que o chamado "efeito bebedouro", o ato de trocar opiniões com
o colega fora da sala, é um grande manancial de idéias. Pesquisadores
do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em um estudo com engenheiros,
descobriram que 80% das novas sugestões são resultado de um contato
ao vivo. A situação oposta tem efeitos negativos. A chance de quem
não tem amigos no escritório se empenhar em um projeto é
de uma em doze. Quando fala em "grande
amigo", Rath se refere a alguém com quem realmente se possa contar.
Não é apenas o sujeito com quem se toma um café ou se faz
uma piadinha sobre o chefe. É aquela pessoa para quem se pode telefonar
e perguntar: "O que você faria nessa situação?".
E que, com certeza, vai responder com sinceridade, mesmo que a opinião
desagrade ao interlocutor. Essa ligação cria uma aura de segurança
essencial para suportar as pressões profissionais. O amigo pode até
desconhecer detalhes da vida íntima do outro, mas é um porto seguro
para enfrentar intempéries da carreira. É o que a americana Jan
Yager, que já escreveu uma dezena de livros sobre o assunto, chama de workship
(neologismo criado a partir das palavras trabalho e amizade), uma relação
que significa mais do que um contato social, porém menos do que um amigo
de infância. "É um fenômeno novo. Estabelece limites seguros
em relações profundas. Acredito ser ainda melhor do que uma amizade
tradicional, pois existe uma tênue distância que preserva o relacionamento
das confusões trazidas pela intimidade completa", disse ela a VEJA.
Foi Santo Agostinho quem disse ser a amizade
"tão verdadeira e tão vital que nada mais santo e vantajoso
se pode desejar no mundo". Em sua Ética a Nicômaco, Aristóteles,
que discorreu longamente sobre o tema há mais de 2 000 anos, a define como
essencial a uma boa vida e a distingue em três tipos: a baseada na utilidade,
no prazer ou, de forma mais perfeita, na virtude, que é a amizade entre
os sábios. Uma visão mais radical foi proposta por Sigmund Freud
(1856-1939), criador da psicanálise, que acreditava haver uma energia sexual
permeando todos os relacionamentos amigáveis. O fato é que a história,
tanto na ficção como na vida real, está repleta de exemplos
famosos ilustrando diversos aspectos da amizade. Dos Três Mosqueteiros (leais)
a Jules e Jim (amantes), de Batman e Robin (cúmplices) a Picasso e Matisse
(rivais), relações firmes e constantes reafirmam a máxima
de que o poder da amizade é capaz de superar dificuldades e aprimorar a
vida pessoal de cada um. Nos últimos anos,
houve uma visível mudança em relação aos laços
amistosos. Especialistas afirmam que a amizade passa por uma tremenda crise de
identidade. No passado, a diversão se dava na companhia da família
em aniversários, casamentos, festas de Natal e almoços de domingo.
Hoje, os parentes têm seus próprios problemas e os casamentos já
não duram tanto tempo. O afeto dos amigos se tornou uma espécie
de refúgio. Assim, ampliou-se o conceito de amizade. Amigos para se divertir,
para fazer coisas juntos, trocar experiências e conselhos, sem que haja
um pacto de sangue envolvido, tornou-se algo extremamente desejável. "Eles
são importantes porque funcionam como uma válvula de escape. Lidar
com coisas profundas o tempo todo é pesado demais. É ótimo
ter alguém para pedir conselhos, mas não precisar convidá-lo
para jantar", afirma a psicanalista Magdalena Ramos, da Pontifícia
Universidade Católica, em São Paulo. Assim,
certas amizades nem tão íntimas ou intensas passaram a ter papel
relevante no que se refere à ascensão profissional. É o que
no jargão corporativo se chama de networking. É uma maneira de as
pessoas se ajudarem como ocorre em tantas outras esferas da vida. Contatos assim
são fundamentais. Uma pesquisa da Catho com 18.000 profissionais mostra
que 48% das contratações foram acertadas por meio da indicação
de um conhecido. Outro levantamento, feito pela consultoria Lens & Minarelli,
apontou que 70% das recolocações de executivos se dão pela
mesma via. "Entre duas pessoas com o mesmo currículo e competência,
certamente quem veio indicado leva vantagem", afirma Luiz Carlos Cabrera,
diretor da consultoria de recursos humanos PMC Amrop International. O networking
é diferente da amizade, mas também é oposto ao velho "QI"
("quem indica"), muito popular no passado, quando a burocracia sobrevivia
à custa do apadrinhamento. Antes, bastava ter QI para conseguir um bom
emprego. Hoje, tempos difíceis obrigam empresas a só contratar profissionais
dentro do perfil adequado. É curioso notar
como o conceito de amizade no Brasil difere do dos países mais poderosos
do Ocidente. A diferença cultural pode ser percebida na maneira como cada
país encara as relações no trabalho. A antropóloga
Claudia Barcellos Rezende, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, comparou
as relações de amizade de trabalho no Brasil e na Inglaterra. No
livro Os Significados da Amizade (Editora FGV), ela mostra que a dificuldade
dos ingleses em se abrir com colegas se deve ao fato de que, para eles, é
impossível relaxar diante de pessoas com quem se mantém uma relação
profissional. No Brasil, ocorre o inverso. Aqui, a aproximação se
dá muito rapidamente, mas arrefece com a mesma velocidade. "Para o
brasileiro, a amizade é um termo elástico. Ela pode designar carinho
e afeto, uma relação de confiança e até mesmo uma
relação de simpatia apenas, como chamar o garçom de amigo,
por exemplo", completa. É o que o historiador Sérgio Buarque
de Holanda, ainda nos anos 30, já havia notado: o brasileiro tende a levar
o comportamento privado para a esfera pública. Trata o chefe como se fosse
um primo, e lida com um sistema de contatos em que impera o parentesco, o compadrio
ou qualquer ligação pessoal que se sobreponha à lei. É
o conhecido "Você sabe com quem está falando?", percebido
anos depois pelo antropólogo Roberto DaMatta. Mas sua fidelidade a esses
contatos é baixa. As pesquisas mostram
que, ao longo da vida, colecionam-se 400 amigos, mas mantém-se contato
com menos de 10% deles. Em média, vive-se rodeado por trinta pessoas. Dessas,
apenas seis são tidas como verdadeiros amigos. Adultos passam menos de
10% do tempo com os amigos. Crianças e adolescentes, cerca de um terço.
Para a criança, os amigos da rua, do colégio ou do bairro são
tão fundamentais na formação do caráter quanto a escola
ou a família. Eles funcionam como um ponto de referência importante
quando se está formulando uma maneira própria de ver o mundo ou
de enfrentar situações novas. De acordo com a psicóloga e
consultora educacional Rosely Sayão, toda criança ou adolescente
chegam a uma fase em que é preciso se libertar um pouco da influência
direta dos pais e estabelecer diálogos com seus pares. Nesse período
de busca pela autonomia, os amigos passam a ser o principal ponto de apoio. Jovens
costumam viver em grupos, compartilhar penteados, opiniões ou a maneira
de se vestir. Essa influência horizontal é conhecida nos Estados
Unidos como peer pressure, um tipo de aprendizagem pela imitação.
Claro que dependendo do grupo ela pode até se desvirtuar para uma má
influência, mas de forma geral é saudável na estruturação
da personalidade de um futuro adulto. Em qualquer
idade, a amizade é tida como coisa seriíssima. Cerca de 60% das
pessoas respondem que ter amigos é mais importante do que carreira, dinheiro
ou família. Ainda assim, amizades verdadeiras estão cada vez mais
difíceis. Um estudo publicado em junho pela Universidade Duke, nos Estados
Unidos, mostrou que os americanos têm menos amigos hoje do que há
25 anos. Um em cada quatro afirma não ter alguém para conversar
sobre assuntos pessoais. O isolamento pode ter conseqüências terríveis
para a saúde física e mental. Está provado que ter a companhia
de amigos reduz drasticamente o risco de depressão, ansiedade, stress e
mesmo os sintomas degenerativos de doenças graves como Alzheimer. As pesquisas
são explícitas ao mostrar como essas pessoas, sobretudo as mais
velhas, se recuperam melhor de lesões, ficam menos doentes e até
vivem mais do que as solitárias. Uma
das pesquisas mais reveladoras é a que estabelece uma relação
direta entre ter amigos e viver mais. Como parte do trabalho denominado Estudo
Longitudinal do Envelhecimento na Austrália, feito com 1.500 pessoas, idosos
foram questionados sobre sua atividade social: quanto tempo passavam com filhos,
netos e parentes, quantos amigos tinham e que tipo de atividade social exerciam.
Nos anos seguintes, após as pessoas serem submetidas a diversas avaliações,
os cientistas observaram que estatisticamente aquelas que tinham uma rede maior
de amigos viveram mais. O contato com a família teve pouco impacto na longevidade.
Outra novidade trata dos benefícios da amizade sobre males degenerativos,
como o Alzheimer. Um estudo feito pelo Rush Alzheimers Disease Center mostrou,
pela primeira vez, como pacientes diagnosticados com a doença e que viviam
rodeados por amigos tiveram os sintomas amenizados. A avaliação
dos autores da pesquisa é que as amizades formam uma espécie de
"cápsula protetora" que retarda as manifestações
da enfermidade. "É o que chamamos de a mágica da amizade,
porque ninguém sabe exatamente como ela funciona", diz o médico
Wayne Matthews, da Universidade do Estado da Carolina do Norte. E
por que isso acontece? Cientistas sugerem dois mecanismos. O primeiro é
comportamental: família e amigos estimulam a comer melhor, beber e fumar
menos, exercitar-se mais e procurar médicos com mais freqüência.
É o que aponta outro dado do estudo do Gallup: se seu melhor amigo segue
uma dieta saudável, a chance de você fazer o mesmo é cinco
vezes maior. Além disso, o círculo social eleva a auto-estima, melhora
o bem-estar e reforça os mecanismos de defesa em tempos difíceis.
Em seguidos experimentos científicos, a presença de um amigo ao
lado do voluntário diminuía o stress psicológico na hora
de resolver questões que requeriam maior habilidade mental. Para
as mulheres, os efeitos da amizade parecem ainda mais visíveis. Mulheres
costumam valorizá-la mais e ter mais amigas do que os homens. Segundo pesquisas,
elas cultivam, em média, cinco grandes amigos. Homens, quatro. A cada estudo,
foi sendo demonstrado que os laços emocionais que existem entre as mulheres
que são amigas reais e leais contribuem para reduzir os riscos de enfermidades
ao baixar a pressão arterial e o colesterol. Acredita-se que essa pode
ser uma das razões pelas quais as mulheres vivem mais tempo do que os homens.
Mulheres que confiam em suas amigas, diz pesquisa da Faculdade de Medicina de
Harvard, superam mais facilmente momentos difíceis, como a morte do cônjuge.
Um ditado popular é freqüentemente evocado para explicar a teoria
de que é possível nos reconhecer através de nossas amizades.
"Diga-me com quem andas..." Na história recente do país,
ele ilustra bem a situação do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva diante dos escândalos protagonizados por seus amigos pessoais,
nomeados para funções de confiança no governo. Como dizia
o cientista americano Benjamin Franklin (1706-1790), "só existem três
amigos fiéis: uma velha esposa, um velho cão e dinheiro na mão".
No caso, nada mais claro do que a terceira opção.
Roberto
Setton
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"Tenho
pelo menos cinco amigos do trabalho com quem posso tratar qualquer assunto da
minha vida. Confio neles para tudo, inclusive para decisões profissionais.
Sinto que isso faz toda a diferença. Construir esse tipo de relação
na empresa fortalece o sentimento de grupo, de equipe, de união. Não
tenho dúvida de que esse salário ambiente é algo
altamente recompensador e influencia na minha satisfação pessoal
com meu emprego." Heloísa Campos
Mello, 39 anos, advogada |
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Oscar
Cabral
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"Nós
nos conhecemos desde os 12 anos. Trabalhamos, almoçamos, saímos
juntos. Nossa ligação é tão intensa que, sem querer,
um acaba namorando a namorada do outro. Já aconteceu três vezes.
Nunca brigamos. Costumamos brincar que nossa relação é melhor
do que qualquer casamento. Poder contar com a cumplicidade de um amigo no trabalho
é algo essencial. Tenho certeza de que nossa sólida parceria influencia
positivamente nossos negócios." André
Albuquerque, 31 anos, sócio do
amigo de infância Francisco Uzeda, 33 anos | |
Tarcisio
Mattos/Tempo
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"Minha
melhor amiga, a quem eu me referia como irmã, fez o impensável:
roubou meu namorado. Você se sente idiota, enganada, trapaceada, mas numa
intensidade ainda maior. Toda mulher sabe que existe uma regra inviolável:
nunca, jamais, sequer encoste no sujeito com quem a outra já teve uma história.
Mesmo que ela não goste mais dele. A impressão é que todas
as suas confidências foram usadas contra você. É uma sensação
horrível." Maristela Brites,
43 anos, jornalista | |
A força real da amizade
virtual Há poucos anos, no alvorecer da internet,
temeu-se que as relações virtuais iriam suplantar o contato real.
A idéia era a de que cada um se encerraria no mundo virtual, sem abrir
espaço para amizades verdadeiras. Não foi o que ocorreu. Ferramentas
on-line como sites de relacionamento, blogs, fotologs e chats se mostraram poderosos
mecanismos de ampliação dos contatos sociais e laços de amizade.
A possibilidade de conhecer novas pessoas na
rede é um ponto importante. Mas não é só isso. A internet
se tornou um espaço público de exposição, onde é
possível publicar idéias ou detalhes da sua vida pessoal que de
outra maneira ficariam restritos a um círculo fechado. "É uma
forma de ampliar alguns aspectos da vida para uma dimensão mais visível.
Esta é a moeda de troca nos sites de
relacionamento: você expõe um pouco sua intimidade, eu exponho a
minha, e assim se criam vínculos", diz Fernanda Bruno, especialista
em tecnologia da comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa
é uma das explicações para o sucesso do Orkut, criado em
2004 por Orkut Buyukkokten, então com 29 anos, analista de sistemas do
site americano de busca Google. Sua idéia: criar uma comunidade para amigos
de confiança, à qual só se tem acesso quando convidado por
um dos participantes. O site pertence a uma categoria de serviços de comunicação
que só faz crescer e possibilita ao usuário criar uma página
personalizada com fotos e informações, abrindo dessa forma uma janela
para ter acesso à intimidade do outro. A receptividade foi impressionante.
Menos de seis meses depois de lançado, o Orkut já contava com mais
de 2 milhões de usuários em torno do planeta. No Brasil, disseminou-se
rapidamente. Hoje o país responde por 62% dos participantes da comunidade.
Além de ampliar o universo das relações e aprofundar vínculos,
a criação de redes de contatos virtuais facilita a circulação
de informações e o acesso a novas oportunidades. Não é
de hoje que empresas divulgam oportunidades de trabalho através dessas
redes restritas. Ou seja, bons amigos virtuais podem ser de grande valia para
a ascensão profissional. | |
Amigos para sempre Em
todos os tempos, entre jovens e idosos e entre pessoas da mesma idade, na ficção
e na realidade, a amizade é o fio condutor de muitas histórias. LEVI-CIVITA
E ALBERT EINSTEIN No início do século XX, quando Einstein
estava esboçando a sua teoria da relatividade, o matemático italiano
Levi-Civita desenvolveu uma série de cálculos que foram fundamentais
para o trabalho do físico alemão. Depois disso eles passaram a se
corresponder e se tornaram grandes amigos. Hulton
Archives/Getty Images
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SÓCRATES
E PLATÃO Os dois filósofos gregos viveram no século
V antes de Cristo e sua amizade deixou marcas até os dias de hoje na cultura
ocidental. Platão foi o principal porta-voz das idéias de Sócrates,
que era quarenta anos mais velho do que ele e não deixou nenhuma obra escrita.
BILL GATES E STEVE BALLMER Os dois
americanos ficaram amigos na década de 70, quando ainda eram calouros na
Universidade Harvard. Bill Gates largou os estudos para fundar a Microsoft e,
mais tarde, convidou Ballmer para trabalhar com ele. Ballmer tornou-se seu braço-direito
na companhia, que hoje fatura 40 bilhões de dólares por ano. STEVE
JOBS E STEVE WOZNIAK Há trinta anos os dois amigos construíram,
no fundo de uma garagem, o primeiro computador doméstico do mundo. Era
o início da Apple. O equipamento, barato e fácil de usar, fez sucesso.
Nos anos 80, os dois estavam milionários. A amizade durou pouco. Alguns
anos depois, a Apple entrou em decadência e os sócios se desentenderam BOUVARD
E PÉCUCHET Amigos na literatura, esses dois personagens de Gustave
Flaubert simbolizam a afinidade possível entre seres antagônicos.
Bouvard era expansivo, falante. Pécuchet, melancólico e meditativo.
As diferenças não impediram que os dois parisienses se entendessem
e viajassem pelo mundo. Fernando
Vivas
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CAPITÃES
DA AREIA Os heróis do romance de Jorge Amado são crianças
abandonadas, que vivem pelas ruas de Salvador e contam apenas consigo mesmas para
sobreviver. Sozinhos no mundo, esses amigos tinham de vencer o desprezo da sociedade
e enfrentar o mundo de forma corajosa para atingir seus sonhos e ideais de vida.
Metro
Goldwin Mayer
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THELMA
E LOUISE O filme de Ridley Scott acabou virando símbolo da amizade
verdadeira entre duas mulheres. Para fugir da rotina maçante, elas programam
uma viagem de carro juntas, mas acabam se envolvendo num assassinato. A partir
daí, ambas provam o valor de uma amizade até a morte.

OS
MENINOS DA RUA PAULO Clássico da literatura infanto-juvenil, o livro
do húngaro Ferenc Molnár aborda a amizade construída em torno
da disputa de um terreno baldio por dois grupos rivais de meninos. O autor mostra
que o caráter do homem se revela em horas extremas, e é nesses momentos
que se conhecem os verdadeiros amigos. DOM
QUIXOTE E SANCHO PANÇA A dupla de protagonistas do clássico
de Miguel de Cervantes é o símbolo da convivência entre sonho
e pragmatismo. Dom Quixote luta contra moinhos de vento para libertar sua amada
imaginária Dulcinéia e Sancho Pança, seu fiel escudeiro,
o acompanha, apesar de saber que o amigo delira. Ricardo
Chaves
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O
ENCONTRO MARCADO O livro de Fernando Sabino trata de um pacto de amizade
feito por quatro adolescentes, narrado por Eduardo Marciano, que tem traços
do próprio Sabino. Os outros três também são ancorados
em personagens reais Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo
Mendes Campos amigos até a morte.
Divulgação
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FRIENDS A
série, produzida pela Warner, foi um dos maiores sucessos da televisão
mundial justamente por abordar de forma singela o tema universal da amizade. Por
meio de histórias cotidianas, com as quais qualquer espectador se identificava,
o programa mostrava a vida de seis amigos de Nova York.
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