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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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LIVROS

A Linguagem da Paixão, de Mario Vargas Llosa (tradução de Wladir Dupont; ARX; 343 páginas; 39 reais) – Entre 1992 e 2000, o escritor peruano manteve uma coluna quinzenal de opinião no jornal espanhol El País. Dali foram selecionados os 46 textos (mais um prólogo) que compõem esse volume. Aquele que dá nome ao livro é uma homenagem ao poeta mexicano Octavio Paz, morto em 1998. Llosa o descreve como "um formidável agitador intelectual, aberto a todos os ventos do espírito" – palavras que se aplicam a ele mesmo. Escritos com eloqüência, seus artigos falam de arte, de política, de assuntos do cotidiano. Discutem a legalização do aborto e os excessos da mídia sensacionalista, as trajetórias do megaespeculador George Soros e do líder sul-africano Nelson Mandela, o reggae e a pintura de Claude Monet. A defesa da liberdade política contra os radicais de esquerda e de direita e a denúncia do charlatanismo na cultura são temas constantes de Llosa. Um de seus artigos foi escrito no Brasil, em 1999. Chama-se "A Ereção Permanente" e é um elogio ao Carnaval carioca.

O Dom de Gabriel, de Hanif Kureishi (tradução de Otacílio Nunes Jr.; Companhia das Letras; 242 páginas; 32 reais) – O inglês de origem paquistanesa Hanif Kureishi ganhou notoriedade com comédias cinematográficas (Minha Adorável Lavanderia) e literárias (O Buda do Subúrbio). Suas obras mostravam a Londres dos imigrantes e da fervente cultura pop. No meio dos anos 90, já quarentão, Kureishi entrou num período melancólico. Ele culminou, em 1998, na novela autobiográfica Intimidade – cujo pano de fundo era o seu recente divórcio. O Dom de Gabriel marca um retorno aos temas e à leveza de sua primeira fase. O protagonista é um garoto de 15 anos que tenta se equilibrar enquanto o casamento dos pais naufraga. Os dois são filhos da esbórnia dos anos 70. Ela fez algum sucesso criando roupas para artistas. Ele foi guitarrista do conjunto de Lester Jones (um David Bowie fictício), até cair dos sapatos plataforma e arrebentar-se. As armas de Gabriel são uma imaginação exuberante, os conselhos sussurrados pelo fantasma de seu irmão morto e uma determinação capaz de levá-lo – e aqueles ao seu redor – a um final feliz.

 

TELEVISÃO

Rank Filmes

Noites Brancas: adaptação de Dostoievski


Especial Luchino Visconti
(quinta-feira 28, no Eurochannel) – Nesse miniciclo, dois clássicos de Luchino Visconti (1906-1976), um dos maiores cineastas italianos, serão exibidos de uma só tacada. O primeiro deles, programado para ir ao ar às 22h30, é o drama Noites Brancas (1957), uma primorosa adaptação do romance homônimo do escritor russo Fiodor Dostoievski. A fita traz no elenco Marcello Mastroianni, como um dos vértices de um triângulo amoroso, na primeira de suas duas participações em filmes de Visconti. A segunda atração do especial, com exibição prevista para 0h30, é Sedução da Carne (1954). O drama aborda a paixão proibida de uma aristocrata veneziana por um militar austríaco, durante a ocupação da Itália pela Áustria.

 

DISCOS

Don't Give up on Me, Solomon Burke (Sum) – Depois de fazer muito sucesso nos anos 60, na mesma gravadora Atlantic que lançava Aretha Franklin e Ray Charles, o cantor americano Solomon Burke caiu no semi-esquecimento. Até que o romancista inglês Nick Hornby resolveu falar dele no best-seller Alta Fidelidade, de 1996. No livro, o principal hit de Burke, Got to Get You off My Mind, embala os namoros do protagonista. Com o interesse em sua carreira novamente despertado, veio a idéia de relançá-lo em grande estilo. E não faltou quem estivesse disposto a colaborar. Bob Dylan, Van Morrison e Tom Waits são três compositores de primeira linha que fizeram questão de oferecer canções a Burke. O cantor, que tem ganhado a vida como pastor batista, continua com um vozeirão e tanto. Mostra isso em blues como Fast Train e baladas como Only a Dream. No novo CD, Burke fez questão de contar com o organista da igreja onde prega.

 

Tribalistas: parceria alto-astral

Tribalistas, Tribalistas (EMI) – Esqueça o falatório pretensioso que precedeu o lançamento desse CD. Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown não estão revolucionando a MPB, e o seu "tribalismo" não vai entrar para a história como o tropicalismo entrou. Esqueça também a cançoneta de Natal Mary Cristo e a letra de Passe em Casa. Isso feito, você terá em mãos um disco dos mais bonitinhos. Tribalistas foi gravado durante sessões informais na casa de Marisa Monte e nos estúdios de Brown, em Salvador. Há poucos músicos convidados: Dadi no baixo, Cézar Mendes no violão, a cantora Margareth Menezes nos vocais de apoio. O resto foi feito pelos três artistas, que se entendem muito bem, como já demonstraram em outros projetos. O alto-astral da parceria transparece em várias faixas, como Já Sei Namorar,que tem tido grande execução nas rádios, e a bossa Pecado É Lhe Deixar de Molho. Ouça músicas do CD.

 

FOTOGRAFIA

 
Charles Baudelaire e o imperador Pedro II: imagens raras de Nadar

Nadar – O Retratista de um Século (Francisco Alves; 148 páginas; 65 reais) – É impossível narrar a história da fotografia sem mencionar o francês Gaspar Félix Tournachon, mais conhecido como Nadar. Ele exerceu o ofício de retratista na Paris da segunda metade do século XIX, quando essa técnica ainda engatinhava. Esse lançamento reproduz mais de 100 imagens da coleção particular de Carlos Leal, dono da editora carioca Francisco Alves. A maioria delas foi feita pelo próprio Nadar; as restantes, por seu filho Paul, que herdou o estúdio. Artistas e gente endinheirada de várias partes do mundo acorriam ao estúdio de Nadar. Ele retratou figuras como a atriz Sarah Bernhardt, à qual um capítulo inteiro é dedicado, e o escritor Charles Baudelaire – trata-se da foto mais valiosa do acervo, já que pouquíssimas vezes Baudelaire se deixou captar pela câmera. Outra imagem preciosa mostra dom Pedro II em seu leito de morte, num hotel parisiense. O volume traz ainda um excelente ensaio do escritor americano John Updike sobre o fotógrafo. Galeria de imagens.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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