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LIVROS
A
Linguagem da Paixão, de Mario Vargas Llosa (tradução
de Wladir Dupont; ARX; 343 páginas; 39 reais) Entre 1992
e 2000, o escritor peruano manteve uma coluna quinzenal de opinião
no jornal espanhol El País. Dali foram selecionados os 46
textos (mais um prólogo) que compõem esse volume. Aquele
que dá nome ao livro é uma homenagem ao poeta mexicano Octavio
Paz, morto em 1998. Llosa o descreve como "um formidável agitador
intelectual, aberto a todos os ventos do espírito" palavras
que se aplicam a ele mesmo. Escritos com eloqüência, seus artigos
falam de arte, de política, de assuntos do cotidiano. Discutem
a legalização do aborto e os excessos da mídia sensacionalista,
as trajetórias do megaespeculador George Soros e do líder
sul-africano Nelson Mandela, o reggae e a pintura de Claude Monet. A defesa
da liberdade política contra os radicais de esquerda e de direita
e a denúncia do charlatanismo na cultura são temas constantes
de Llosa. Um de seus artigos foi escrito no Brasil, em 1999. Chama-se
"A Ereção Permanente" e é um elogio ao Carnaval carioca.
O
Dom de Gabriel, de Hanif Kureishi (tradução de Otacílio
Nunes Jr.; Companhia das Letras; 242 páginas; 32 reais)
O inglês de origem paquistanesa Hanif Kureishi ganhou notoriedade
com comédias cinematográficas (Minha Adorável
Lavanderia) e literárias (O Buda do Subúrbio).
Suas obras mostravam a Londres dos imigrantes e da fervente cultura pop.
No meio dos anos 90, já quarentão, Kureishi entrou num período
melancólico. Ele culminou, em 1998, na novela autobiográfica
Intimidade cujo pano de fundo era o seu recente divórcio.
O Dom de Gabriel marca um retorno aos temas e à leveza
de sua primeira fase. O protagonista é um garoto de 15 anos que
tenta se equilibrar enquanto o casamento dos pais naufraga. Os dois são
filhos da esbórnia dos anos 70. Ela fez algum sucesso criando roupas
para artistas. Ele foi guitarrista do conjunto de Lester Jones (um David
Bowie fictício), até cair dos sapatos plataforma e arrebentar-se.
As armas de Gabriel são uma imaginação exuberante,
os conselhos sussurrados pelo fantasma de seu irmão morto e uma
determinação capaz de levá-lo e aqueles ao
seu redor a um final feliz.
TELEVISÃO
Rank Filmes
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Noites
Brancas: adaptação de Dostoievski
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Especial Luchino Visconti (quinta-feira 28, no Eurochannel)
Nesse miniciclo, dois clássicos de Luchino Visconti (1906-1976),
um dos maiores cineastas italianos, serão exibidos de uma só
tacada. O primeiro deles, programado para ir ao ar às 22h30, é
o drama Noites Brancas (1957), uma primorosa adaptação
do romance homônimo do escritor russo Fiodor Dostoievski. A fita
traz no elenco Marcello Mastroianni, como um dos vértices de um
triângulo amoroso, na primeira de suas duas participações
em filmes de Visconti. A segunda atração do especial, com
exibição prevista para 0h30, é Sedução
da Carne (1954). O drama aborda a paixão proibida de uma aristocrata
veneziana por um militar austríaco, durante a ocupação
da Itália pela Áustria.
DISCOS
Don't
Give up on Me,
Solomon Burke (Sum) Depois de fazer muito sucesso nos anos 60,
na mesma gravadora Atlantic que lançava Aretha Franklin e Ray Charles,
o cantor americano Solomon Burke caiu no semi-esquecimento. Até
que o romancista inglês Nick Hornby resolveu falar dele no best-seller
Alta Fidelidade, de 1996. No livro, o principal hit de Burke, Got
to Get You off My Mind, embala os namoros do protagonista. Com o interesse
em sua carreira novamente despertado, veio a idéia de relançá-lo
em grande estilo. E não faltou quem estivesse disposto a colaborar.
Bob Dylan, Van Morrison e Tom Waits são três compositores
de primeira linha que fizeram questão de oferecer canções
a Burke. O cantor, que tem ganhado a vida como pastor batista, continua
com um vozeirão e tanto. Mostra isso em blues como Fast Train
e baladas como Only a Dream. No novo CD, Burke fez questão
de contar com o organista da igreja onde prega.
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Tribalistas:
parceria alto-astral
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Tribalistas,
Tribalistas (EMI) Esqueça o falatório pretensioso
que precedeu o lançamento desse CD. Marisa Monte, Arnaldo Antunes
e Carlinhos Brown não estão revolucionando a MPB, e o seu
"tribalismo" não vai entrar para a história como o tropicalismo
entrou. Esqueça também a cançoneta de Natal Mary
Cristo e a letra de Passe em Casa. Isso feito, você terá
em mãos um disco dos mais bonitinhos. Tribalistas foi gravado
durante sessões informais na casa de Marisa Monte e nos estúdios
de Brown, em Salvador. Há poucos músicos convidados: Dadi
no baixo, Cézar Mendes no violão, a cantora Margareth Menezes
nos vocais de apoio. O resto foi feito pelos três artistas, que
se entendem muito bem, como já demonstraram em outros projetos.
O alto-astral da parceria transparece em várias faixas, como Já
Sei Namorar,que tem tido grande execução nas rádios,
e a bossa Pecado É Lhe Deixar de Molho. Ouça
músicas do CD.
FOTOGRAFIA
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| Charles
Baudelaire e o imperador Pedro II: imagens raras de Nadar |
Nadar
O Retratista de um Século (Francisco Alves; 148
páginas; 65 reais) É impossível narrar a história
da fotografia sem mencionar o francês Gaspar Félix Tournachon,
mais conhecido como Nadar. Ele exerceu o ofício de retratista na
Paris da segunda metade do século XIX, quando essa técnica
ainda engatinhava. Esse lançamento reproduz mais de 100 imagens
da coleção particular de Carlos Leal, dono da editora carioca
Francisco Alves. A maioria delas foi feita pelo próprio Nadar;
as restantes, por seu filho Paul, que herdou o estúdio. Artistas
e gente endinheirada de várias partes do mundo acorriam ao estúdio
de Nadar. Ele retratou figuras como a atriz Sarah Bernhardt, à
qual um capítulo inteiro é dedicado, e o escritor Charles
Baudelaire trata-se da foto mais valiosa do acervo, já que
pouquíssimas vezes Baudelaire se deixou captar pela câmera.
Outra imagem preciosa mostra dom Pedro II em seu leito de morte, num hotel
parisiense. O volume traz ainda um excelente ensaio do escritor americano
John Updike sobre o fotógrafo. Galeria
de imagens.
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