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Quarentão enxuto

Pacote com nove DVDs deixa
claro qual é a fórmula da eterna
juventude de James Bond

Marcelo Marthe

 
Divulgação
Brosnan, atual intérprete do agente: aposentadoria?


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O agente inglês 007 está completando quarenta anos de sucesso no cinema. É uma longevidade impressionante – ainda mais quando se leva em conta que o primeiro filme da série foi produzido num esquema modestíssimo e protagonizado pelo então desconhecido escocês Sean Connery. Desde 1962, quando veio à tona O Satânico Dr. No, seus dezenove títulos acumularam um faturamento de mais de 3 bilhões de dólares. E a vigésima aventura já está a caminho: Um Novo Dia para Morrer tem estréia prevista no Brasil para 10 de janeiro. Uma caixa com nove títulos em DVD, que chega às lojas nesta semana, permite comparar o James Bond dos anos 60 com a sua versão atual e comprovar que a série faz sucesso porque seus produtores se agarraram a uma fórmula composta basicamente de locações exóticas, mulheres deslumbrantes e cenas de ação frenéticas. Nem a escalação de atores sofríveis para o papel principal nem o fim da Guerra Fria, sua principal referência temática, conseguiram tirar a graça de 007.

As produções de James Bond têm alma de filme B. O orçamento de O Satânico Dr. No era tão minguado que dava margem a muito improviso. Por exemplo: em razão da falta de recursos, a cada sessão de filmagem o produtor Albert R. Broccoli tinha de emprestar seu próprio relógio Rolex para Connery interpretar 007 com a devida elegância. Com o tempo, a série ganhou verniz de superprodução: os efeitos especiais são espetaculares, as cenas de ação são coreografadas com cuidado e astros pop de grande calibre são contratados para gravar a canção-tema. Mas os roteiros continuaram deliciosamente ruins, com seus vilões risíveis que não se contentam com nada menos do que conquistar o mundo. Nunca um cineasta de primeira linha, daqueles que deixam sua "marca autoral", foi convidado para dirigir um filme. Sábia decisão.

Se a coleção de DVDs que está sendo lançada tem um mérito é o de dar o peso justo a cada um dos cinco intérpretes do agente secreto. Além de Dr. No, o imbatível Connery está presente em outras três fitas: Moscou contra 007 (1963), 007 contra Goldfinger (1964) e 007 contra a Chantagem Atômica (1965). O atual, Pierce Brosnan, um sucessor que vem fazendo bonito no papel, aparece em duas: 007 contra GoldenEye (1995) e 007 – O Mundo Não É o Bastante (1999). Ao irregular Roger Moore, que foi o titular do personagem por mais de uma década, reservaram-se dois títulos: Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973) e 007 – Somente para Seus Olhos (1981). Por fim, o fraco Timothy Dalton, que fez dois filmes, é representado somente por 007 – Permissão para Matar (1989) – e olha que isso já é até demais.

O fiasco das fitas estreladas por Dalton expõe uma questão curiosa sobre o personagem. Bond, como se sabe, é um sujeito que não demonstra remorso ao matar, está sempre no controle da situação e usa as beldades que o cercam como lhe convém, na espionagem ou na cama. Toda vez que tentaram lhe dar uma alma mais sensível, o resultado foi o fracasso nas bilheterias. Dalton é o melhor exemplo disso. E, antes dele, houve o fiasco de A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), no qual o agente secreto se casa – uma heresia que custou caro ao ator George Lazenby, que entrara na série para substituir Connery e não foi além desse filme. Atualmente, os fãs estão em expectativa. Prestes a completar 50 anos, Brosnan fez Um Novo Dia para Morrer já com seu contrato vencido e é improvável que participe de mais um filme da série. Especula-se em Hollywood que será substituído pelo ator Clive Owen. A credencial para o papel? Ele fica ótimo de smoking, como já demonstrou no filme Crupiê – A Vida em Jogo.

   
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