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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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Feito por Niemeyer

Tão grande quanto ousado,
museu se torna
a mais nova
atração turística de Curitiba

Diogo Schelp

 
Fotos Joel Rocha
Vista geral do NovoMuseu: a reforma custou 50 milhões de reais


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Não é fácil criar um novo monumento arquitetônico numa cidade que tem um teatro todo feito de aço, dentro de uma antiga pedreira, exibe um museu botânico que é uma estufa enorme inspirada em palácios de cristal ingleses do século XIX e construiu uma Universidade Livre do Meio Ambiente com madeira de eucalipto, na qual há uma rampa em espiral com 22 metros de comprimento. Mas a reconstrução de uma obra de Oscar Niemeyer acabou emparelhando com tudo isso e já se inscrevia na última sexta-feira, mesmo recebendo os retoques para a inauguração, como novo ponto turístico de Curitiba. Centenas de curitibanos desviaram seu caminho para passar diante do "olhão" do NovoMuseu e matar a curiosidade sobre a instigante solução que o patriarca da arquitetura brasileira deu ao desafio de refazer um prédio que ele próprio desenhou, há quase quarenta anos. "A cidade não tem atrativos naturais e por isso precisa de coisas bonitas construídas pelo homem", diz Luiz Hayakawa, presidente do Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba, entidade ligada à prefeitura. "Antes dessas obras, os cidadãos tinham pouco do que se orgulhar."


Painel de Niemeyer no verso da coluna principal

O novo prédio não impressiona só pela ousadia das formas. Tem uma área de 16.700 metros quadrados para exposições – mais de 50% maior que a do Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, ou a do Tate Modern, de Londres. O Museu de Arte de São Paulo (Masp) não tem nem a metade disso. Será outro desafio rechear tanto espaço. Por enquanto, o museu possui 4 000 obras de artistas locais, e abriu as portas com sete exposições. Duas delas versam sobre arquitetura – o que não é surpresa nenhuma quando se lembra que também é arquiteto o governador Jaime Lerner, entusiasta do projeto e piloto das maiores transformações urbanísticas de Curitiba. Presidente da União Internacional dos Arquitetos, Lerner convidou os mais celebrados colegas do mundo todo para a inauguração. Essa turma tem larga influência nos principais museus e, espera-se, vai colaborar para que no futuro a capital paranaense seja inscrita no roteiro das grandes exposições internacionais. O teste de estréia está sendo feito com 130 obras de um colecionador mexicano, entre as quais se destacam pinturas de Diego Rivera.

O NovoMuseu foi erguido em menos de sete meses e custou 50 milhões de reais – 43 milhões além do orçamento inicial. O funcionamento deverá consumir 3 milhões de reais por ano. Aos 94 anos, Niemeyer decidiu plantar o grande olho diante de seu velho prédio e nele instalou duas salas de exposições, uma com 1.700 metros quadrados e 11 metros de altura na parte central. Essa parte da obra liga-se aos fundos por um túnel e por uma rampa. Lá, em três pavimentos, há nove salas para exposições, auditório de 400 lugares e uma sala que deverá receber trinta computadores, os quais poderão ser consultados pelos interessados em detalhes sobre obras expostas.

   
 
   
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