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Dá
até para morar
O carro do futuro não será
um foguete, mas
um novo lar,
com DVD, geladeira e microondas
Natasha
Madov

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A
idéia que se fazia dos carros do século XXI já foi
baseada nos modelos da família Jetson, do desenho animado dos anos
60 movidos a jato, com formato aerodinâmico e interior asséptico
como o de um laboratório clínico. Nada mais distante da
realidade. O objetivo tecnológico do carro do futuro não
parece ser a reprodução das naves espaciais, e sim o aconchego
do lar. A tendência é visível em veículos atuais.
Aparelhos de DVD, som com padrão de home theater, saídas
para MP3 e assentos que parecem poltronas estão colocando os confortos
domésticos na estrada. Os bancos do Classe S, modelo de 630.000
reais da Mercedes-Benz, são dotados de bolsas de ar embutidas que
inflam a cada quatro segundos, massageando as costas dos passageiros.
O BMW 745i, que custa 350.000 reais, oferece uma minigeladeira estrategicamente
instalada entre os dois assentos traseiros. Uma vez aberta, a tampa se
transforma numa mesinha para que se possa petiscar em viagens ou congestionamentos.
O próximo passo é incluir a cozinha. Os fabricantes esperam
vender, dentro de poucos anos, carros com forno de microondas e cafeteira
a bordo. Alguns veículos fora de série já oferecem
esses itens nos Estados Unidos. Entre os planos para o futuro estão
certas extravagâncias. É o caso da iluminação
indireta para criar uma atmosfera intimista e dos sistemas de ventilação
que exalam aromas relaxantes, como o de lavanda e o de baunilha. A mudança
de conceito se deve ao stress da vida moderna, sobretudo para quem é
forçado a passar horas no trânsito. É por isso que
os porta-copos e CD-players dos carros atuais deixaram de ser suficientes.
As concessionárias GM vendem por 5.000 reais um DVD para ser usado
em veículos maiores, como a minivan Zafira e a caminhonete Blazer.
O aparelho é instalado no painel, em lugar do rádio convencional,
e transmite imagens para uma tela no teto, para ser assistidas pelos passageiros
do banco de trás. Nos Estados Unidos está em teste um tipo
mais avançado de DVD, em que as telas são óculos
especiais parecidos com os dos brinquedos de realidade virtual.
Outras novidades dizem respeito à comunicação e à
segurança. O Audi A8, carrão de 450.000 reais, só
permite que se dê partida no motor depois de reconhecer a impressão
digital do dono. Oferece também um sistema de navegação
que conjuga informações transmitidas por um satélite,
dados de mapas da cidade e sinais de rádio emitidos pelo policiamento
de trânsito. O aparelhinho ainda não tem utilidade no Brasil,
já que nos faltam serviços de transmissão de informações
eletrônicas sobre tráfego. Nos Estados Unidos, o utilitário
esportivo Pacifica, da Chrysler, tem um dispositivo chamado Bluetooth,
que capta sinais de celulares e os conecta ao sistema de som do carro.
Com isso, o rádio se transforma em um viva-voz sem estar ligado
ao telefone por nenhum fio. Nem os Jetsons pensaram nisso.
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