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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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Dá até para morar

O carro do futuro não será
um foguete, mas
um novo lar,
com DVD, geladeira e microondas

Natasha Madov

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Os detalhes do carro

A idéia que se fazia dos carros do século XXI já foi baseada nos modelos da família Jetson, do desenho animado dos anos 60 – movidos a jato, com formato aerodinâmico e interior asséptico como o de um laboratório clínico. Nada mais distante da realidade. O objetivo tecnológico do carro do futuro não parece ser a reprodução das naves espaciais, e sim o aconchego do lar. A tendência é visível em veículos atuais. Aparelhos de DVD, som com padrão de home theater, saídas para MP3 e assentos que parecem poltronas estão colocando os confortos domésticos na estrada. Os bancos do Classe S, modelo de 630.000 reais da Mercedes-Benz, são dotados de bolsas de ar embutidas que inflam a cada quatro segundos, massageando as costas dos passageiros. O BMW 745i, que custa 350.000 reais, oferece uma minigeladeira estrategicamente instalada entre os dois assentos traseiros. Uma vez aberta, a tampa se transforma numa mesinha para que se possa petiscar em viagens ou congestionamentos.

O próximo passo é incluir a cozinha. Os fabricantes esperam vender, dentro de poucos anos, carros com forno de microondas e cafeteira a bordo. Alguns veículos fora de série já oferecem esses itens nos Estados Unidos. Entre os planos para o futuro estão certas extravagâncias. É o caso da iluminação indireta para criar uma atmosfera intimista e dos sistemas de ventilação que exalam aromas relaxantes, como o de lavanda e o de baunilha. A mudança de conceito se deve ao stress da vida moderna, sobretudo para quem é forçado a passar horas no trânsito. É por isso que os porta-copos e CD-players dos carros atuais deixaram de ser suficientes. As concessionárias GM vendem por 5.000 reais um DVD para ser usado em veículos maiores, como a minivan Zafira e a caminhonete Blazer. O aparelho é instalado no painel, em lugar do rádio convencional, e transmite imagens para uma tela no teto, para ser assistidas pelos passageiros do banco de trás. Nos Estados Unidos está em teste um tipo mais avançado de DVD, em que as telas são óculos especiais parecidos com os dos brinquedos de realidade virtual.

Outras novidades dizem respeito à comunicação e à segurança. O Audi A8, carrão de 450.000 reais, só permite que se dê partida no motor depois de reconhecer a impressão digital do dono. Oferece também um sistema de navegação que conjuga informações transmitidas por um satélite, dados de mapas da cidade e sinais de rádio emitidos pelo policiamento de trânsito. O aparelhinho ainda não tem utilidade no Brasil, já que nos faltam serviços de transmissão de informações eletrônicas sobre tráfego. Nos Estados Unidos, o utilitário esportivo Pacifica, da Chrysler, tem um dispositivo chamado Bluetooth, que capta sinais de celulares e os conecta ao sistema de som do carro. Com isso, o rádio se transforma em um viva-voz sem estar ligado ao telefone por nenhum fio. Nem os Jetsons pensaram nisso.

   
 
   
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